Filosofia Shokunin: A Dedicação Artesanal como Caminho para a Excelência
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Filosofia Shokunin: A Dedicação Artesanal como Caminho para a Excelência

O termo japonês shokunin, que significa 'artesão', transcende a mera definição, representando uma profunda filosofia de vida. Um shokunin é aquele indivíduo que dedica sua existência ao aprimoramento contínuo do que produz, demonstrando conhecimento íntimo de sua matéria-prima, cultivando um respeito rigoroso pela rotina e refinando sua técnica ano após ano.

O autor teve contato com esse conceito ao assistir ao documentário O Sushi dos Sonhos de Jiro (2011), que narrava a trajetória do chef Jiro Oto. Mesmo aos 85 anos, Jiro mantinha uma rotina inalterada há décadas: ele acordava cedo, utilizava o trem e dirigia-se ao seu restaurante de dez assentos, localizado em uma estação de metrô de Tóquio.

Naquela época, uma reserva no local custava a partir de R$ 1.500 (valor que hoje se aproxima de R$ 3 mil). Jiro se especializa exclusivamente em sushi, preparando cada peça conforme a frescura do dia, e a refeição não ultrapassa uma hora. Embora pareça uma atividade simples, o chef e sua equipe exigem um treinamento de dez anos para trabalhar no estabelecimento, e sua busca incessante pela excelência resultou em três estrelas Michelin, considerada o ápice da alta gastronomia.

Mesmo aos cem anos, Jiro continua ativo. Ele é um shokunin dedicado, que frequentemente desperta no meio da noite pensando no sushi perfeito e demonstra habilidade para passar cinquenta minutos massageando um polvo antes de seu preparo, justificando: “Dá mais trabalho, mas fica melhor.”

O perfeccionismo, embora essencial, possui um lado traiçoeiro; em excesso, pode gerar estresse tanto no indivíduo quanto em seu entorno. Contudo, é possível manter um nível de operação seguro. O autor argumenta que nenhum talento alcança resultados significativos sem um mínimo de comprometimento.

A história de Jiro leva o autor a acreditar que, por vezes, escolher o caminho mais árduo traz benefícios notáveis. Essa percepção se estende à observação da equipe artística da Super. Neste mês, a designer Caroline Aranha concebeu e executou todos os recortes e ilustrações de papel para o artigo sobre maternidade, encontrado na página 40. O estagiário Gabe Rivas seguiu uma trilha semelhante, desenhando à mão os componentes da reportagem sobre absinto na página 54 em sua estreia na revista, utilizando todos os lápis verdes disponíveis na cidade de São Paulo, o que foi considerado um esforço válido.

Para alguém com habilidades artísticas limitadas a bonecos de palito, entender o trabalho dos colegas é tão desafiador (e fascinante) quanto aprender um novo idioma. A equipe de arte é complementada pela designer Cristielle Luise e pela diretora Juliana Krauss. Durante a semana em que a revista foi enviada para impressão, contou-se ainda com Anderson Faria, um shokunin responsável pela produção gráfica. Este grupo demonstra disposição para explorar novas estéticas e honrar o legado de excelência visual da revista, cujos bastidores podem ser acompanhados no blog “Por Trás da Página”.

Atualmente, parece haver uma tendência onde todos os aspectos da vida são pressionados a serem otimizados, com a Inteligência Artificial assumindo um papel dominante. Executivos de empresas de entrega já previram um futuro onde a culinária humana seria obsoleta, o que representa um desafio para o Jiro. O caminho mais difícil, contudo, mostra-se cada vez mais contraproducente, mas é precisamente por essa razão que ele pode ser extremamente gratificante. O autor conclui com um apelo: ler um livro completo em vez de um resumo, preparar um molho de tomate do zero ou tirar o pó do violão no canto do quarto, reforçando a ideia de que “Dá mais trabalho, mas é melhor.”

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