Startup chinesa Spirit AI desenvolve cérebros para robôs humanoides com foco em IA incorporada
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Startup chinesa Spirit AI desenvolve cérebros para robôs humanoides com foco em IA incorporada

A startup chinesa Spirit AI está trabalhando no desenvolvimento de sistemas cerebrais destinados a robôs humanoides, permitindo que estes realizem tarefas complexas mediante comandos de voz. O propósito central da companhia é impulsionar a inteligência artificial incorporada, integrando máquinas tanto em ambientes de produção quanto em serviços comerciais.

Embora o avanço na parte física dos robôs esteja ocorrendo rapidamente, o software permanece como o principal entrave do setor. Para superar essa barreira, a Spirit AI cria modelos avançados que são capazes de interpretar instruções verbais e executar ações no mundo real. Gao Yang, que atua como cofundador e cientista-chefe da empresa, ressalta a fragilidade atual do sistema, declarando que o cérebro constitui «o elo mais fraco em toda a pilha de robótica».

Perspectivas de Implementação

A empresa planeja alcançar avanços significativos no contexto industrial e comercial antes de introduzir os robôs em residências. A expectativa é que as interações baseadas em linguagem natural se tornem viáveis até meados de 2027. Há projeção de que o marco equivalente ao GPT-3.0 seja atingido nessa mesma metade de 2027, possibilitando que o usuário converse com um robô em linguagem natural, e este execute uma sequência de ações físicas coerentes para cumprir a solicitação.

Para o treinamento dos seus algoritmos, a Spirit AI evita depender primariamente de simulações virtuais, utilizando, em vez disso, aproximadamente mil colaboradores munidos de sensores para capturar movimentos do cotidiano. Essa estrutura de dados já suporta usos práticos, embora desafios persistam, como a dificuldade em aperfeiçoar movimentos finos, como desrosquear uma tampa de garrafa.

No quesito segurança, os robôs empregam controle de força em todo o corpo e possuem um sistema automático de frenagem de emergência ao detectar qualquer força excessiva durante a interação com o ambiente. Ao utilizar dados provenientes de situações reais, a Spirit AI busca transferir a inteligência artificial das interfaces digitais para aplicações tangíveis, iniciando sua jornada nas fábricas e nos setores de serviços comerciais.

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Estudo PISA 2025 avalia impacto da Inteligência Artificial no aprendizado estudantil

Pela primeira vez, o exame Pisa avaliou o efeito da inteligência artificial (IA) nos estudos. O Pisa, que significa Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, é conduzido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um organismo responsável por mensurar o desenvolvimento econômico global.

Roberto “Pena” Spinelli, físico formado pela USP e especialista em IA pela Universidade de Stanford, observou uma tendência nos resultados do Pisa 2025, divulgados na terça-feira (08). Ele comentou no programa Olhar Digital News que os estudantes que utilizam IA raramente ou nunca tendem a obter melhores resultados do que aqueles que a usam pouco, enquanto os que a utilizam intensamente superam os que a usam de forma esporádica.

Em resumo, Spinelli aponta que quem não utiliza IA obtém melhor desempenho, quem a usa muito também se sai bem, e quem a usa moderadamente apresenta um desempenho ligeiramente inferior.

Para compreender a análise do especialista, é necessário examinar os achados da pesquisa. O Pisa é aplicado a cada três anos com o objetivo de medir o conhecimento dos alunos em leitura, matemática e ciências. A edição atual revelou que aproximadamente metade dos estudantes brasileiros de 15 anos (48%) utiliza chatbots de IA, como o ChatGPT, pelo menos uma vez por semana para fins de estudo.

Adicionalmente, o levantamento indicou que alunos que empregam IA frequentemente para resumir textos, realizar pesquisas iniciais ou elaborar redações pontuam, em média, 20 pontos a menos em ciências em comparação com aqueles que não usam a tecnologia. De acordo com a métrica da OCDE, essa disparidade corresponde à perda de um ano inteiro de escolaridade em relação aos pares.

No entanto, Pena ressalta que existem outros modos de uso frequente que podem ser benéficos ao aprendizado. Spinelli dividiu sua análise do Pisa 2025 em três categorias distintas.

Primeiramente, os alunos que afirmam nunca usar IA. Estes não recorrem a atalhos, sendo forçados a exercer seu senso crítico e memória, o que resulta em bom desempenho justamente por não delegarem tarefas à IA. Spinelli enfatizou que este aluno precisa realizar todo o trabalho escolar e conduzir a pesquisa por conta própria.

A segunda categoria engloba os alunos que usam muita IA. Para o especialista, estes podem estar utilizando a tecnologia como um tutor particular. Este tutor pode sanar muitas dúvidas que, de outra forma, o aluno teria que aguardar o professor estar presente, especialmente se houver receio em perguntar. Pena acrescentou que a IA pode ensinar de maneiras potencialmente superiores ao método escolar tradicional, justificando assim a possível melhoria no rendimento.

Por fim, há os alunos que usam IA de maneira esporádica. Pena considera que este grupo pode estar praticando o uso mais prejudicial da tecnologia, como pedir à IA para fazer o trabalho ou escrever por eles, sem, muitas vezes, realizar qualquer revisão. Spinelli alertou que este perfil corre o risco de delegar seu processo de pensamento à IA, não aprendendo efetivamente e, consequentemente, apresentando pior desempenho nas provas.

Enquanto os que nunca usam mantêm a necessidade de maximizar o exercício cerebral sem depender da IA, os que usam muito podem estar aproveitando os benefícios de um tutor personalizado e de uma tecnologia que agiliza a formação de conexões. Os estudantes brasileiros demonstraram um uso significativamente maior em duas áreas cruciais: auxiliar no aprendizado e realizar pesquisas preliminares sobre novos temas. A média brasileira atingiu 40% nesta segunda categoria, superando os 31% registrados pela OCDE.

Pesquisas preliminares, neste contexto, significam utilizar um chatbot em vez de um motor de busca tradicional. Dessa forma, a resposta da IA, e não uma lista de links, torna-se o ponto de partida do estudante. Pena considera isso positivo, mas critica veementemente quando a IA é usada para redigir o trabalho final.

Para Spinelli, o Pisa 2025 sinaliza um período de transição, um momento de descoberta onde as pessoas estão compreendendo como aplicar a IA. Pena concluiu que metade dos alunos está utilizando a ferramenta e metade não, e que ambos os caminhos apresentam resultados positivos. Contudo, ele destacou os grandes desafios relacionados ao uso nocivo, caracterizado pela delegação excessiva à IA e consequente falta de aprendizado. O especialista finalizou afirmando que o brasileiro é naturalmente um adquirente precoce, e que o estudo apenas expõe os desafios inerentes à tecnologia, indicando que há muito a ser aprendido e comparado nos próximos anos.

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