O penteado é considerado um adorno que emoldura o rosto, e pesquisas mostram que os produtos para cuidados com o cabelo estão entre as três compras mais populares no setor de beleza, incluindo shampoos, condicionadores, laques e tinturas.
Um dia, a neta da autora, Mira, decidiu fazer um projeto escolar sobre penteados. Sendo uma menina de cinco anos, ela gosta de moda e gasta muito tempo vestindo bonecas Barbie e arrumando seus cabelos. Ela até tem uma pequena cabeça de manequim onde há uma peruca colorida que ela penteia e decora com presilhas e laços.
Durante o recreio após a apresentação, Mira e sua amiga decidiram cortar o cabelo uma da outra usando tesouras cegas do canto de artesanato. Como as tesouras eram cegas, o resultado foi catastrófico. Mira tem cabelos longos e cacheados, e sua amiga tem cabelos lisos; no final, os pontas ficaram irregulares, serrilhadas e quebradas.
O assistente do professor, que estava de serviço, ficou extremamente chateado e embalou cuidadosamente Mira em um saco. Ele pediu desculpas ao filho da autora quando ele veio buscar Mira, esperando uma punição séria pelo incidente ocorrido sob sua supervisão. No entanto, o filho da autora estava mais divertido do que chateado e acalmou o assistente preocupado, dizendo que os cabelos crescem. Ele também sugeriu remover as tesouras do alcance fácil.
Claro, essas duas crianças tiveram que procurar um cabeleireiro de verdade para reparar os danos. Quando a autora era pequena, não existiam shampoos e condicionadores; o único luxo era lavar com sabão ao sol. Uma vez por semana, a mãe aplicava óleo de coco nos cabelos, deixando-os lisos e brilhantes. Nos dias de aula, os cabelos eram trançados e amarrados com lindas fitas brancas, e nos fins de semana, usavam-se presilhas coloridas chamadas 'love in Tokyo'.
Às vezes, cada trança era enrolada em 'bobinas telegráficas' de ambos os lados das orelhas. Hoje, ao relembrar fotos escolares antigas, a autora acha que a palavra 'nerd' poderia se aplicar à época. Mas era um estilo de sessenta anos atrás. Com o tempo, seus cabelos longos ficaram mais curtos e deixaram de ser um corte volumoso. As visitas regulares mensais ao cabeleireiro tornaram-se uma rotina, e a autora admite seu vaidade.
A autora tinge o cabelo a cada quatro a seis semanas e não tem grisalho, como se a coloração regular retardasse o envelhecimento. Às vezes, quando não consegue ir ao cabeleireiro, usa métodos rápidos de correção, que são medidas de último recurso.
Hoje, a indústria da beleza está em um nível completamente diferente. Há uma escolha colorida de cores disponível, do vermelho ao azul, loiro e verde. A autora prefere a cor preta, sem ser muito ousada. Algumas mulheres parecem muito impressionantes com uma mudança radical na cor do cabelo, outras não. É claro que é possível mudar o penteado e a cor diariamente graças à variedade de perucas e extensões disponíveis.
No final do ano passado, a autora notou alta atividade em uma loja em um shopping que vendia essas extensões. Ela entrou para ver e ficou maravilhada ao descobrir perucas e extensões indistinguíveis de cabelos humanos. Sua origem pode ser Brasil, China ou Índia, e os preços são enormes. Uma boa peruca pode custar milhares. Por exemplo, a peruca mais barata que imita cabelo humano custava cerca de R$5k nessa loja. Adicione a isso um saco para peruca, um manequim para manter a forma e todos os produtos necessários para lavagem e arrumação, e o valor se torna significativo.
Falando em extensões, a mãe da autora comprou uma dessas perucas há mais de cinquenta anos durante uma das primeiras viagens à Índia. Era preta, lembrava-se de um pequeno coque com cachos finos e era presa à cabeça com algumas presilhas. A mãe se orgulhava desse acessório e o usava com dignidade, apenas em ocasiões especiais, como casamentos. Alguns dias antes, ela o tirava da bolsa, penteava cuidadosamente os cachos finos e até usava um pouco de spray para que ficassem no lugar.
A autora pode dizer com confiança que foi uma de suas coisas mais preciosas, e apesar da morte da mãe há cinco anos, a peruca não foi jogada fora e permanece um assunto de conversa quando ela se lembra com as irmãs de quão elegante sua mãe era.
Nos dias de hoje, existem muitos novos e criativos métodos de arrumar o cabelo. Aqueles com cabelos cacheados os endireitam, e aqueles com cabelos lisos desejam cachos. Antigamente, não havia chapinhas. A autora lembra como uma das tias colocava seus cabelos longos em uma tábua de passar, cobria com papel pardo (que antes embrulhava livros escolares) e depois usava um ferro de passar quente para alisar. Geralmente, isso exigia mais dois braços e alguma ginástica para a cabeça.
Se quisesse cachos, mechas de cabelo eram colocadas em meias velhas e torcidas firmemente, deixando durante a noite. De manhã, os cabelos apareciam em cachos. O permanente era uma moda, quando os cabelos eram colocados em bigudins e depois um líquido amoniacal era pulverizado. Após 15 a 30 minutos, os cabelos eram lavados. Para cachos mais soltos, usavam-se bigudins grandes, e o loção permanente era deixado por um curto período; para cachos mais apertados, bigudins pequenos ou médios e exposição mais longa ao loção. Todo o processo podia levar até duas horas ou mais, e o cheiro do loção permanente era horrível.
Devido à falta de informação, as pessoas não sabiam sobre os danos dos produtos amoniacais para o couro cabeludo e as fibras capilares. Foi um caso de moda a qualquer custo. Algumas pessoas se tornam calvas voluntariamente, e outras podem perder os cabelos por várias razões. Certos tipos de tratamento e medicamentos contra o câncer podem causar calvície, assim como estresse, genética, desequilíbrio hormonal e deficiência de ferro ou proteína.
Procedimentos intensivos, como permanente, uso diário de secador de alta temperatura ou chapinhas, e tranças podem levar à queda de cabelo e calvície prematura. A autora se pergunta sobre as tranças ou mechas apertadas que algumas pessoas fazem; parece que a pele está muito esticada, e o couro cabeludo é visível. É interessante saber se isso dói ou se pode causar dores de cabeça.
A autora não ousou perguntar por medo de parecer rude. A perda de cabelo pode causar grande angústia emocional, e existem muitos meios para combater isso. A questão de sua eficácia é bastante controversa. A antiga prática de cuidado com óleos tem algum benefício. O óleo em si não estimula o crescimento do cabelo; é a massagem regular que ativa a circulação sanguínea dos folículos capilares, promovendo o crescimento. O óleo também age como um hidratante.
No hinduísmo e no islamismo, o raspamento da cabeça de recém-nascidos é um ritual de purificação e libertação de negatividade. É uma decisão pessoal dos pais. A autora acredita que é um bom ritual a ser seguido. Velhos ditados populares sobre má sorte ou maus presságios se a cabeça do recém-nascido não for raspada, ou que o raspamento causará crescimento novamente, podem ser apenas opiniões de mais velhos ou um mito.
A autora não sabe. Às vezes fazemos coisas simplesmente porque sempre foi assim. A nova geração exige explicações científicas para práticas culturais antigas, que nem sempre podem ser totalmente reveladas. Recentemente, a autora leu que o atacante do Manchester City, Erling Haaland, era famoso por seus longos cabelos claros. Quando ele os usava soltos, ele literalmente lembrava um viking escandinavo.
Em campo, ele usava um rabo de cavalo estiloso, e muitos de seus fãs ficaram desapontados quando ele decidiu cortá-lo. Ele disse que precisava de mudanças, e embora sinta falta deles, sabe que os cabelos vão crescer. Desejamos bons dias para os cabelos até a próxima vez.
