O presidente moçambicano fez um apelo aos motoristas para que evitem a circulação noturna, especialmente em viagens de longa distância, e também pediu para que não excedam os limites de velocidade. Estas declarações foram feitas por Chapo durante um comício realizado na Matola, ao término de uma visita de três dias à província de Maputo.
O chefe de Estado referiu-se a um acidente ocorrido na noite de quinta-feira, na localidade de Helene, pertencente ao distrito de Zavala. O incidente envolveu uma carrinha de transporte de passageiros que colidiu frontalmente com um camião pertencente às Forças Armadas e de Defesa de Moçambique, por volta das 23h00 (ou 22h00 em Lisboa).
Chapo manifestou pesar pela perda de vidas num dos acidentes mais sérios do ano no país e defendeu a necessidade de adotar medidas que ajudem a diminuir a taxa de acidentes rodoviários, pedindo maior cautela nas estradas.
As autoridades policiais e outras equipas estão no local para investigar as causas deste grave acidente e determinar as responsabilidades, embora Chapo não tenha indicado nenhuma razão específica para a colisão.
Das vinte e quatro vítimas mortais, todas passageiras do autocarro, dezassete faleceram imediatamente no local, enquanto as restantes estavam a caminho do hospital local.
O ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, confirmou que o acidente contou com a participação de um veículo das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, que seguia no sentido sul-norte, e um autocarro que trafegava na direção oposta. Chume assegurou que, em colaboração com outras entidades, incluindo a polícia, estão a ser investigadas as circunstâncias do ocorrido.
Por sua vez, Omar Saranga, porta-voz das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, informou que o veículo militar fazia parte de uma coluna logística destinada às celebrações do Dia das Forças Armadas em 25 de setembro. Ele acrescentou que as circunstâncias da colisão ainda estão sob apuração, pois as equipas militares e de defesa estão a trabalhar intensamente para descobrir o que causou o acidente.
A segurança rodoviária permanece como uma das principais causas de mortalidade em Moçambique. Dados divulgados pelas autoridades policiais na quinta-feira revelaram que, somente no primeiro semestre do ano corrente, registaram-se pelo menos 239 mortes e 1.112 feridos em 169 acidentes de viação no país.
Outros dados oficiais indicam que Moçambique contabilizou 611 acidentes rodoviários em 2025, resultando em 830 óbitos. Este cenário motivou o Governo a iniciar a revisão do Código da Estrada. Em junho, o Conselho de Ministros aprovou a autorização para essa revisão, propondo a implementação de um sistema de carta de condução por pontos e o uso de câmaras de videovigilância para fortalecer a fiscalização viária.
A proposta de revisão também contempla o reforço dos mecanismos de controlo e fiscalização de infrações rodoviárias, além da adequação das normas do Código da Estrada à legislação penal nacional.
