Estima-se que entre 9.000 e 10.000 migrantes que ingressaram ilegalmente em Ceuta no final de julho ainda residam na cidade. Este número é baseado em dados fornecidos pelas forças de segurança locais, embora o Governo de Espanha admita a dificuldade em determinar a quantidade exata de pessoas que permaneceram após a grande chegada.
Um centro de acolhimento temporário, estabelecido em terrenos portuários de Ceuta, possui capacidade para abrigar 1.700 adultos em tendas de campanha, além de contar com infraestrutura sanitária. Estes indivíduos se somam a 4.160 pessoas que foram acomodadas pelo governo espanhol em locais similares durante o último mês e meio, espalhados por Ceuta, um enclave espanhol localizado no norte de África, fazendo fronteira com Marrocos.
Adicionalmente, os dados oficiais indicam que há 2.140 menores desacompanhados registrados e acolhidos em instalações da autarquia da cidade autónoma.
O executivo espanhol enfatiza que apenas através do alojamento temporário em centros de acolhimento é possível realizar o registro completo de todos os migrantes e iniciar os procedimentos necessários para o seu repatriamento ou concessão de asilo, conforme exigem as legislações europeia e nacional.
Apesar da estimativa de 9.000 a 10.000 pessoas, as autoridades apontam que ainda necessitam de mais 3.000 a 4.000 vagas de acolhimento para adultos que continuam nas ruas, em áreas montanhosas ou em edifícios de refugiados.
Existem divergências nos números apresentados: enquanto o Governo espanhol fornece uma estimativa, o executivo da cidade autónoma havia calculado na semana anterior que 13.000 pessoas haviam permanecido em Ceuta após o influxo massivo de julho.
Pedro Sánchez, primeiro-ministro de Espanha, declarou na semana passada que o Governo espera estabilizar a situação em Ceuta até o fim do ano, reiterando que o registro e o acolhimento temporário são cruciais para efetuar os repatriamentos, em conformidade com as leis vigentes.
A oposição de direita espanhola tem pressionado o Governo por um retorno imediato de todos os migrantes que entraram ilegalmente em julho. O executivo tem recebido críticas sobre a lentidão na resposta à crise, que tem sido marcada por acusações mútuas entre o governo central, liderado pelos socialistas, e o governo local, composto pelo Partido Popular (PP).
O Governo de Espanha reclama que o executivo municipal impõe obstáculos à disponibilização de espaços de acolhimento ou à transferência de menores desacompanhados para outras regiões espanholas, acusando o PP de querer «tornar crónica a crise». Por outro lado, o PP e o governo local refutam essas alegações, alegando que o executivo de Sánchez se recusa a assumir suas responsabilidades e insistindo na devolução imediata a Marrocos, classificando o evento de julho não como uma crise migratória, mas sim como um ato de defesa e segurança, descrevendo o ocorrido como «uma invasão» contra a fronteira e a integridade territorial espanhola.
