Simphiwe Dludlu, ex-capitã da equipe Banyana Banyana, acredita que, apesar do progresso significativo no futebol feminino sul-africano, o esporte ainda depende muito do fato de as jogadoras considerarem-no uma atividade secundária.
Dludlu caracterizou o futebol feminino como um 'hobby grandioso', destacando as dificuldades financeiras enfrentadas pelas atletas, mesmo em meio ao crescimento do esporte e aos sucessos do Banyana no cenário internacional.
Seus comentários coincidem com dados de uma recente pesquisa da Momentum chamada She Owns Her Success, que revelou problemas financeiros das mulheres no esporte: 74% das entrevistadas têm um segundo emprego, uma em quatro trabalha em tempo integral competindo em nível de elite, e metade não recebe renda de seu esporte.
Para Dludlu, esses números refletem a realidade que ela observou no futebol sul-africano, incluindo entre as jogadoras da seleção nacional. Ela declarou: 'O futebol feminino é um hobby grandioso, para ser honesta. Muitas jogadoras, e estou falando de um grande número, são forçadas a conciliar isso com trabalho e estudos, e isso inclui as jogadoras da seleção nacional. Somente aqueles que ganham salário com futebol podem se chamar profissionais, e são principalmente aqueles que jogam no exterior.'
No entanto, o futebol feminino sul-africano demonstrou um crescimento substancial graças ao aumento dos investimentos, o que permitiu ao Banyana se estabelecer como uma força forte no continente. A equipe venceu a Copa Africana Feminina de 2022 e subsequentemente se classificou para a Copa do Mundo Feminina de 2023, e um número crescente de atletas sul-africanas encontrou oportunidades no exterior.
Dludlu acredita que essas conquistas provam que os investimentos podem trazer resultados tangíveis. Ela observou: 'Os investimentos feitos na liga refletiram e refletem o crescimento dos níveis do nosso futebol feminino ao longo de muitos anos. As instituições que contribuíram significativamente certamente viram retornos graças ao título do Banyana na WAFCON e às oportunidades para as jogadoras no exterior, bem como na participação na Copa do Mundo de 2023.'
No entanto, ela considera que a próxima fase exige muito mais financiamento e, crucialmente, uma estrutura interna verdadeiramente profissional. 'O próximo passo é óbvio: o esporte precisa de mais patrocinadores em todo o país e em várias instituições dedicadas ao futebol feminino. Já temos uma liga, mas precisamos de uma liga superior — profissional.'
Na opinião de Dludlu, o problema não é apenas aumentar o número de jogadoras, mas sim preparar as futebolistas capazes de competir imediatamente por vagas em uma equipe de sucesso como o Banyana. 'Há jogadoras talentosas na África do Sul, obviamente, mas atualmente não temos jogadores suficientemente polidos. Não temos jogadoras que possam entrar no elenco do Banyana e substituir Thembi Kgatlana ou Lindiwe Mtholakho, e é para isso que esses investimentos devem ser direcionados.'
Assim, o desafio vai além de celebrar o crescimento do futebol feminino; o próximo indicador de sucesso pode ser a capacidade das atletas talentosas de fazer do futebol sua principal fonte de renda, e não algo que precisa ser encaixado em uma agenda ao redor de outra carreira.

