Projeto Casa e Apiário da OKKA Architects reinterpreta estruturas rurais em Balaton Uplands
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Projeto Casa e Apiário da OKKA Architects reinterpreta estruturas rurais em Balaton Uplands

A equipe de projeto apresentou o conceito de Casa e Apiário, desenvolvido pela OKKA architects, situado na região de Balaton Uplands, uma área conhecida por suas pequenas moradias rurais construídas com pedras locais.

Originalmente, o local possuía uma casa de pedra em estado de deterioração e dois anexos menores, sendo um deles um apiário tradicional destinado ao armazenamento de colmeias. A ideia inicial tanto do arquiteto quanto do proprietário era realizar uma reforma nas construções já existentes.

Entretanto, após avaliações estruturais, constatou-se que a alvenaria enfraquecida não teria capacidade de suportar as cargas necessárias com segurança. Diante disso, em vez de simplesmente reproduzir os edifícios antigos, o projeto optou por reinterpretá-los como um conjunto moderno, mantendo intacta a disposição espacial, as proporções e o layout original.

A estratégia fundamental do projeto foi a reutilização de materiais. As pedras provenientes da casa demolida foram meticulosamente resgatadas e integradas às paredes das novas edificações. A construção utilizou uma técnica tradicional de concreto compactado, onde uma mistura de concreto personalizada foi despejada em formas, incorporando as pedras recuperadas junto com agregados de basalto obtidos de uma pedreira próxima.

As formas das paredes externas foram removidas logo após a concretagem, e a superfície foi subsequentemente apicoada. Este processo expôs o agregado de basalto e as pedras recuperadas que estavam integradas à camada superficial. O mesmo agregado de basalto foi empregado no piso de granilite, estabelecendo uma coerência material que liga a estrutura às áreas internas.

O complexo é formado pela casa principal e pelo apiário, dispostos em torno de um espaço externo comum que evoca a organização da antiga propriedade rural. Internamente, o forro da sala de estar integrada e os móveis planejados de ambas as construções são fabricados com painéis de compensado de abeto. O telhado recebeu o acabamento com telhas de madeira tradicionais (shingles).

O projeto investiga como a memória material de uma edificação destruída pode se transformar na identidade arquitetônica e estrutural de uma nova construção. Embora o plano inicial fosse restaurar a casa de pedra e seus anexos, a descoberta de que as paredes de alvenaria deterioradas não poderiam ser salvas alterou o foco da restauração para a reinterpretação.

Em vez de recorrer a sistemas modernos convencionais, a equipe de arquitetura desenvolveu um método construtivo que insere as ruínas da casa original na nova arquitetura. O concreto compactado foi selecionado por possibilitar a reintegração direta de fragmentos irregulares de pedra nas paredes estruturais. Durante a obra, as pedras recuperadas da demolição foram misturadas ao concreto, juntamente com o agregado de basalto da pedreira local, resultando em um material estratificado que manifesta visivelmente a história física da casa anterior.

Dessa forma, a inovação do projeto reside menos em avanços tecnológicos e mais na releitura de métodos construtivos tradicionais como ferramenta para promover o uso circular de materiais. Além disso, o projeto reflete sobre a propriedade rural como um agrupamento arquitetônico coeso. Ao preservar a escala e a projeção dos edifícios originais, mas ao mesmo tempo redefinir seus interiores, a proposta gera ambientes residenciais contemporâneos sem perder a lógica espacial do assentamento histórico, tornando a edificação uma continuidade e uma transformação da estrutura inicial.

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A Casa Sassi, localizada em um condomínio residencial em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, ocupa um terreno duplo cercado, ao fundo, por uma área de mata nativa. O tamanho considerável do lote possibilitou que a residência fosse implantada de forma centralizada, mantendo-a afastada dos limites laterais, e direcionando as aberturas principais para a paisagem natural.

O projeto arquitetônico se estrutura como um bloco de perímetro quadrado que integra um pátio interno. Este design mescla referências da arquitetura moderna e tradicional, apresentando-as em uma linguagem contemporânea. A influência moderna é notável no rigor compositivo, na forte horizontalidade, na ausência de adornos aplicados e na clara organização dos componentes arquitetônicos.

As referências tradicionais, embora sutis, incluem o pátio interno, que evoca a domus romana e funciona como um átrio de boas-vindas, adjacente a um vestíbulo externo que guia o acesso e precede as áreas sociais. Além disso, o nível subterrâneo, cujas paredes são revestidas com pedra rústica, faz alusão aos porões das antigas moradias dos imigrantes italianos, honrando a origem familiar dos proprietários ligada à história da cidade.

A organização dos espaços segue a mesma intenção de clareza compositiva: as áreas sociais estão localizadas na parte central da casa, conectando o átrio de chegada à espaçosa varanda traseira, voltada para a mata. A ala privada, composta pelos dormitórios, está posicionada a leste, enquanto a área de serviço, a oeste, inclui a cozinha, que se relaciona com as salas através de um núcleo que define, mas não isola, esse espaço.

Essa distribuição garante uma separação nítida entre os diferentes setores da casa, sem prejudicar a fluidez dos espaços de convívio ou a interação entre o interior e o exterior. O processo de chegada evita a exposição imediata da porta, conduzindo o visitante por uma sucessão de ambientes até o átrio e as zonas sociais. Da varanda posterior, há uma transição para o jardim e a mata, enquanto o setor íntimo mantém uma posição mais reservada.

A orientação das aberturas primárias para o interior do lote assegura a privacidade dos residentes sem limitar a amplitude da conexão visual com o cenário circundante. Essa característica é particularmente relevante nos espaços sociais, onde uma grande abertura zenital permite que a vegetação seja vista além dos limites horizontais.

Do ponto de vista construtivo, foram priorizados materiais em seu estado natural, destacando-se o concreto aparente nas lajes e o aço corten nas fachadas frontal e posterior. Devido às baixas temperaturas locais, houve atenção especial ao conforto térmico, implementando paredes duplas, caixilhos com vidros isolantes e isolamento térmico nas lajes.

Na Casa Sassi, a interação com a paisagem é definida menos pela transparência total e mais pela maneira como as aberturas, os caminhos e os enquadramentos visuais são organizados. A mata é um elemento constante nos principais espaços sociais, e a disposição dos cômodos e os variados níveis de abertura conseguem preservar tanto a privacidade quanto o bem-estar dos moradores. Assim, a ampla conexão com o exterior não anula os limites inerentes à habitação, mas sim contribui para estabelecer seu caráter doméstico.

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