Na Feira Internacional do Livro em Abu Dhabi, estão expuros tesouros históricos incomuns que estão à venda. Entre eles, é possível encontrar fragmentos da 'Ilíada' de Homero, escritos há quase 1800 anos, bem como uma Bíblia do século XVII, presenteada como lembrança de casamento.
Uma parte central da exposição é um fragmento do manuscrito da 'Ilíada' de Homero, datado do século II, o que o torna com aproximadamente 1800 anos. Este fragmento foi feito em papiro, um material antigo amplamente utilizado no mundo antigo para escrita. Yasser Raad, diretor da casa de leilões de livros e manuscritos raros Inlibris, observou que este fragmento faz parte da tradição preservada de manuscritos de obras atribuídas ao poeta grego antigo Homero, cujas 'Ilíada' e 'Odisseia' se tornaram obras fundamentais da literatura ocidental.
No estande, também está apresentado outro manuscrito antigo de Homero, que está à venda para colecionadores por centenas de milhares de euros. Segundo Raad, tais fragmentos são procurados não apenas por colecionadores tradicionais de livros, mas também por museus, bibliotecas, institutos e colecionadores privados interessados na preservação de artefatos historicamente significativos.
Perto, encontra-se um tipo de valor completamente diferente — uma Bíblia do século XVII, adornada com ouro e pedras preciosas. Este livro, avaliado em 65.000 euros, foi entregue como presente de casamento e acabou ficando na biblioteca de uma princesa alemã, informou Raad. A capa do livro é coberta de ouro e incrustada com pedras, e as bordas das páginas são douradas. O design, que retrata duas mãos unidas, simboliza o casamento, e uma cruz está no centro. Raad acrescentou que as pedras serviam para proteger a Bíblia.
Outra exposição notável é um conjunto de cinco rolos de pintura japoneses, datados de 1658. Desdobrados por completo, os rolos atingem cerca de nove metros de comprimento e contêm 26 ilustrações que narram histórias de romance, vingança e guerra. Raad comparou a visualização destes rolos com uma forma de narrativa de entretenimento que existia antes do surgimento do cinema moderno. A caixa original em que os rolos eram guardados também faz parte da coleção, juntamente com os próprios rolos, decorados com couro e ouro, e este conjunto é avaliado em 450.000 euros.
A coleção também inclui uma fotografia antiga relacionada ao Golfo Pérsico, tirada durante viagens de um oficial naval britânico. Raad relatou que Charles Courtenay Bell capturou esta cena durante uma viagem e depois reuniu suas fotos em um álbum pessoal, seguindo a prática dos oficiais navais da época de documentar suas viagens. Uma das fotografias tem a legenda 'Sheikh Shara', e a imagem oferece uma visão rara da região no início do século XX; outra foto do mesmo evento está na Biblioteca Britânica e mostra os objetos de um ângulo diferente.
No estande, também há uma conexão mais pessoal com os Emirados Árabes Unidos: uma escultura do falcão favorito do Sheikh Zayed, intitulada 'Nº 1', criada pelo artista e escultor de vida selvagem britânico David Kemmick. Sheikh Zayed convidou Kemmick para Abu Dhabi em 2000 e lhe deu acesso ao campo de treinamento de caça de falcões em Suwaih e à coleção de vida selvagem na Ilha Sir Bani Yas, onde ele estudou e desenhou os falcões do governante. A escultura de bronze em tamanho real resultante foi posteriormente fundida e pintada à mão por Kemmick. De acordo com o catálogo da INLIBRIS, este é um exemplar único do artista. Raad mencionou que existe outra escultura, supostamente feita para Sheikh Zayed, mas sua localização atual é desconhecida.


