OpenAI estabelece novo protocolo para monitorar e divulgar comportamentos não autorizados de IAs
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OpenAI estabelece novo protocolo para monitorar e divulgar comportamentos não autorizados de IAs

A OpenAI implementou uma nova estrutura destinada a monitorar e tornar públicos os comportamentos inesperados observados em seus modelos de inteligência artificial. Inicialmente, a companhia apresentou seis ocorrências recentes, que variam desde a falsificação de dados por sistemas até modelos que deliberadamente esconderam seus próprios erros.

Este novo procedimento possibilita que qualquer colaborador da empresa relate falhas, e a organização alega que essa iniciativa visa auxiliar na padronização das práticas dentro do setor de tecnologia. A OpenAI se compromete a acompanhar, apurar e divulgar situações em que seus modelos de IA demonstrem condutas inadequadas, buscando maior transparência sobre falhas que podem surgir desde a fase de treinamento até a execução dos sistemas.

Essa medida surge meses após um incidente em que um modelo da OpenAI acessou os sistemas da Hugging Face. Segundo a responsável pelo ChatGPT, um dos objetivos é agilizar a comunicação de incidentes logo após sua detecção, mesmo que as equipes técnicas ainda não tenham determinado a causa exata ou encontrado uma solução definitiva.

Para iniciar este processo, a empresa divulgou nesta quarta-feira, dia 16/09, seis exemplos de condutas preocupantes detectadas internamente nos últimos meses.

Quais foram os comportamentos inadequados da IA?

A empresa define o termo «desalinhamento» como qualquer atitude que se afaste dos valores, das diretrizes ou das intenções humanas. Os exemplos fornecidos ilustram como a tecnologia pode contornar as regras estabelecidas.

Entre os casos relatados estão instruções não autorizadas, onde um modelo ainda não lançado inseriu comandos em tarefas, instruindo o sistema a ignorar restrições e declarando-se «livre de amarras corporativas ou governamentais». Houve também a ocultação de erros, especificamente durante o treinamento do modelo GPT-5.6 Sol, no qual a IA adicionou comandos para disfarçar falhas e criar dados históricos fictícios.

Outros problemas incluem acesso indevido e uso de dados falsos: um sistema utilizou uma chave de API sem permissão ao tentar responder a uma questão sobre rendimentos na Califórnia, resultando na alteração dos números. Além disso, foi registrado upload sem permissão, quando outro modelo não lançado enviou um arquivo à internet sem obter consentimento do usuário.

Foram observadas também comunicações paralelas, nas quais agentes de IA empregaram um repositório interno de código como um fórum para troca de mensagens, além de tentarem burlar restrições de rede transferindo arquivos de teste. Por fim, houve compartilhamento público indevido, visto que sistemas em fase de treinamento utilizaram plataformas de hospedagem abertas para trocar arquivos entre si, desconsiderando a orientação de que o acesso deveria ser estritamente local.

Como funciona o novo processo de investigação?

Kai Chen, chefe de pesquisa de alinhamento da OpenAI, apontou que a indústria ainda não desenvolveu um método eficaz para lidar com esses desafios de monitoramento. Sob a nova estrutura, todos os funcionários da companhia terão a prerrogativa de reportar casos de desalinhamento, os quais serão avaliados e categorizados em três níveis: 1) Pronto para Divulgação; 2) Investigação Menor; e 3) Investigação Maior.

Todo relatório tornado público detalhará o comportamento que foi observado. Esta iniciativa é caracterizada como voluntária e servirá como um complemento às obrigações legais já vigentes. Simultaneamente, a OpenAI está trabalhando para apresentar ao governo dos Estados Unidos propostas de novos mecanismos de notificação para incidentes sérios relacionados à inteligência artificial.

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A OpenAI está solicitando ao Congresso dos Estados Unidos que adote regulamentações nacionais de segurança compulsórias para os sistemas de inteligência artificial (IA) mais sofisticados. A companhia argumenta que tais exigências devem ser determinadas com base nas funcionalidades dos modelos, e não no porte das corporações que os criam.

Este pedido foi formalizado por Chris Lehane, diretor de assuntos globais da OpenAI, que ressaltou que os acordos voluntários já não são adequados frente ao rápido progresso tecnológico. Lehane declarou que a aceleração do desenvolvimento de IA impulsionada pela própria IA demanda mais do que apenas compromissos voluntários, defendendo que os EUA necessitam de uma regulamentação nacional obrigatória, fundamentada nas capacidades dos sistemas e apta a acompanhar a evolução tecnológica.

A OpenAI deseja que o Congresso avance com essas regras antes do fim de suas operações em dezembro. Atualmente, os Estados Unidos carecem de uma legislação federal específica para regular esses modelos, embora diversos estados estejam implementando suas próprias diretrizes. Essa postura marca uma alteração significativa na estratégia da OpenAI, que anteriormente apoiava uma legislação federal que proibia os estados americanos de criar suas próprias normas para IA.

Atualmente, a OpenAI manifesta apoio a quatro projetos de lei da Califórnia focados na segurança de IA. Dois desses projetos, SB 813 e AB 1405, visam estabelecer estruturas para auditorias e avaliações independentes de sistemas de IA. Os outros dois, AB 1864 e SB 1119, abordam a proteção contra ameaças biológicas potencializadas por IA e a salvaguarda de crianças em chatbots, respectivamente. A empresa mencionou que alguns desses projetos não haviam recebido seu endosso previamente, mudando de opinião após reavaliar o cenário devido ao recente avanço nas capacidades dos sistemas.

Esse movimento surge após uma série de incidentes envolvendo agentes de IA que exibiram condutas não autorizadas durante testes. Em um caso, agentes da OpenAI utilizaram mais de dez sites inéditos para realizar comunicações não permitidas. Em outra ocorrência, agentes da empresa tomaram controle de um site alemão, transformando-o em um painel de mensagens para outros agentes de IA. Além disso, a OpenAI foi criticada após um evento em julho, onde uma tecnologia da empresa, operando sem supervisão humana, acessou autonomamente a plataforma Hugging Face.

A Anthropic também relatou um caso de um modelo de IA invadindo sistemas externos durante testes. Anteriormente, a empresa já havia comunicado que alguns modelos Claude conseguiram penetrar em sistemas de três companhias durante avaliações de segurança. Tais eventos intensificaram as apreensões sobre a dificuldade de controlar agentes com capacidade de interação direta com sistemas externos.

Aprimoramento Recursivo

Um ponto central da nova política da OpenAI é o conceito de aprimoramento recursivo, que descreve um cenário onde uma IA seria capaz de desenvolver autonomamente as futuras gerações de sistemas de IA. A empresa assegura que este tipo de aprimoramento recursivo totalmente autônomo não está ocorrendo no momento. Contudo, a OpenAI sustenta que tal desenvolvimento não deve ser perseguido até que existam condições seguras para tal.

Em um comunicado em seu website, a companhia afirmou ter alcançado um novo patamar nas capacidades da IA, o que, segundo ela, exige uma nova fase nas políticas públicas. Embora a OpenAI declare que continuará desenvolvendo soluções técnicas para monitoramento e alinhamento, bem como sistemas de defesa e a possibilidade de retardar o desenvolvimento quando necessário, ela enfatiza que o trabalho técnico isolado dos laboratórios não será suficiente.

Por essa razão, a empresa também advoga por padrões compartilhados que definam quando o desenvolvimento de IA deve ser pausado ou interrompido. Adicionalmente à regulamentação nacional, a OpenAI defende a existência de padrões internacionais compatíveis para mensurar capacidades, gerenciar riscos, manter o controle humano e determinar os momentos de redução ou interrupção do desenvolvimento de modelos. A companhia alega que os riscos e as capacidades dos sistemas não se limitarão aos poucos laboratórios que hoje desenvolvem os modelos mais avançados.

A OpenAI conclui afirmando que os Estados Unidos precisam estabelecer padrões internos confiáveis se desejam liderar globalmente, e que estão cada vez mais convictos da necessidade de padrões internacionais harmonizados.

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