Em setembro de 2026, surgiram preocupantes relatos sobre o estado do museu em reconstrução de Sergei Yesenin em Tashkent. Os iniciadores do apelo descreveram um cenário que causava séria apreensão: telhado removido, ausência de reboco nas paredes e presença de sinais de mofo. Segundo suas observações, não havia trabalhos de reparo ativos no local, e as chuvas de outono iminentes colocavam em risco o edifício que estava planejado para ser preservado.
Inicialmente, o museu foi fechado para reforma geral no outono de 2025, com a promessa de conclusão até 31 de dezembro. No entanto, após o inverno, a primavera e o verão, no novo setembro, os visitantes ainda não conseguiam entrar nos salões. A opinião pública expressou preocupação não apenas com a reforma, mas também pela falta de uma resposta clara sobre os motivos dos atrasos e quem era responsável pela conservação do edifício.
Apesar das garantias das autoridades de que os trabalhos estavam sob controle, havia muita incerteza entre as declarações oficiais e o estado real do local. A ansiedade pública rapidamente se transformou de comentários isolados em uma solicitação unificada, pois as pessoas começaram a falar sobre o mesmo problema, apesar dos diferentes pontos de vista.
A importância do conceito de 'nosso'
Andrey Dmitrievich Vdovin observou que o clube literário 'Kristall' funcionava na casa-museu, e para ele, a potencial perda do museu significava a perda de um local de encontro para pessoas interessadas em literatura. Gulnara Aliyeva solicitou informações sobre a possibilidade de assinatura eletrônica da petição, e Lyudmila declarou que 'O Museu de Sergei Yesenin deve ser restaurado'. Lidiya Dumler também levantou a questão de por quanto tempo o museu ficaria sem telhado.
Ressalta-se que o ponto chave é o sentimento de pertencimento — a palavra 'nosso'. O significado do museu para os moradores vai além de sua afiliação departamental ou registro contábil, pois é um lugar com o qual as pessoas estão emocionalmente ligadas, onde visitaram com seus filhos e ouviram poemas.
Entre aqueles que se preocupam com o museu, menciona-se Albina Markevich, uma das fundadoras, que tem 96 anos. Sua história reflete o esforço de muitas pessoas que criaram o museu, defendendo seu direito de existir, e agora elas têm que assistir, décadas depois, a ele precisar de proteção novamente.
Em resposta à atividade pública, os moradores de Tashkent iniciaram uma coleta de assinaturas e enviaram um apelo coletivo à Chefe da Administração Presidencial da República do Uzbequistão, Saida Shavkativa Mirziyoyeva. Eles pediram que ela supervisionasse pessoalmente a situação, realizasse uma verificação objetiva do estado do edifício e garantisse a conclusão da restauração em conformidade com as normas de preservação do patrimônio cultural. Esta iniciativa, publicada na edição de 14 de setembro de 2026, levou o problema do campo das conversas privadas para o âmbito da discussão pública aberta.
Os cidadãos não se opunham à restauração em si; pelo contrário, insistiam que ela fosse realizada de fato. Sua exigência era entender como preservar a casa enquanto ela permanecia vulnerável ao clima, e não apenas discutir formulações.
Diálogo nas paredes danificadas
Após o envio do apelo, houve um encontro entre representantes da Agência de Patrimônio Cultural com a opinião pública e jornalistas diretamente no território do museu. Participaram do evento Begzod Pulatov, chefe da Direção de Coordenação de Atividades de Museus, Akhadulla Akhmedov, chefe do Departamento Jurídico da Agência, Sanjar Aripov, diretor do Instituto de Pesquisa de Patrimônio Cultural, e outros especialistas. Os moradores tiveram a oportunidade de receber respostas no local.
Os representantes da Agência explicaram o atraso pela necessidade de realizar exames adicionais e desenvolver soluções técnicas. Sanjar Aripov informou que a inspeção inicial mostrou um estado satisfatório, mas após a remoção do telhado e do revestimento antigo, foram descobertos defeitos ocultos, o que tornava impossível continuar os trabalhos no regime anterior.
O especialista da Agência, Shahzod Nazarov, apresentou trechos do laudo técnico, que mencionava a resistência criticamente baixa da argamassa de alvenaria, que esfarelava mesmo com leve impacto. Ele também informou que o reforço da fundação já havia sido realizado e os trabalhos de drenagem de água subterrânea haviam começado.
Sanjar Aripov enfatizou que o objetivo da restauração não é mascarar problemas com novo reboco, mas sim preservar o edifício de verdade. No entanto, os cidadãos perguntaram como garantir a proteção da casa durante o período de busca pela solução ideal.
A cronologia também foi esclarecida: Shahzod Nazarov explicou que o museu foi fechado para inventário no final de 2025, e em janeiro os artefatos foram transferidos para o Museu de Arte, o que diferia das declarações iniciais de reparo a partir do outono de 2025.
Prazos que exigem um cronograma
A questão mais insistente foi sobre o telhado, o que trouxe a discussão de volta à ameaça imediata das precipitações. Um dos participantes expressou preocupação de que quaisquer esforços de resgate pudessem ser anulados pela chuva se o edifício não fosse protegido.
Shahzod Nazarov apresentou um prazo estimado de vinte dias para o reforço das paredes paralelamente aos trabalhos no telhado, observando que isso era apenas uma previsão que exigia mais discussão. O prazo geral para a conclusão dos trabalhos de restauração foi estabelecido para o final de 2026, incluindo planos para a restauração da fachada, reforço estrutural e melhoria das condições de armazenamento dos artefatos.
No entanto, apesar do prazo geral, não foi definido quando exatamente o edifício receberia proteção confiável contra as intempéries. A opinião pública insistiu na existência de etapas intermediárias claras e responsáveis por cada etapa, para evitar o ressurgimento de preocupações.
Como resultado do encontro, a Agência reconheceu falhas na comunicação com o público e prometeu publicar relatórios semanais sobre o progresso dos trabalhos. Este compromisso é visto como a base para construir um diálogo de confiança.
A história do museu não se resume apenas aos trabalhos de construção; nela está guardada a memória da visita de Sergei Yesenin ao Uzbequistão em maio de 1921. Entre os expositores estão objetos doados por sua filha, a jornalista de Tashkent Tatiana Yesenina, o que torna a história da poesia russa parte da história cultural de Tashkent.

