O Alto-Comissariado da ONU manifestou grande preocupação com as informações relativas à detenção em massa de mais de 150 indivíduos LGBTIQ+ e defensores de direitos humanos na Turquia. A organização também expressou apreensão quanto aos maus-tratos sofridos sob custódia e às potenciais repercussões dessa situação no ambiente cívico.
Volker Türk, o alto-comissário, dirigiu um apelo às autoridades turcas, solicitando que os direitos humanos de todos sejam respeitados sem qualquer tipo de discriminação, abrangendo a orientação sexual ou a identidade de género. Ele exigiu a imediata libertação das pessoas que foram detidas de forma arbitrária.
Este cenário ocorreu após o ministro da Justiça turco, Akin Gürlek, anunciar a abertura de processos judiciais contra 162 suspeitos, nove associações e 13 empresas. As ações foram tomadas em 15 províncias turcas, resultantes de uma vasta operação realizada durante a noite em estabelecimentos noturnos considerados 'gay' e nas residências de ativistas LGBT+ (incluindo lésbicas, gays, bissexuais, transgénero e outros).
Esta operação de grande escala, que gerou críticas internacionais, está inserida no contexto da 'Década da Família', iniciativa promovida pelo Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. O objetivo declarado dessa década é proteger as crianças, a estrutura familiar e a ordem social, conforme sublinhado pelo ministro da Justiça.
Adicionalmente, foram bloqueadas diversas contas de defensores de direitos humanos e de meios de comunicação social nas redes sociais, tudo isso dentro do escopo da operação denominada 'A minha família está em segurança'.
Embora a homossexualidade não seja criminalizada na Turquia, ela é amplamente desaprovada, e a homofobia permeia até os mais altos níveis do Estado. O Presidente Erdogan costuma rotular pessoas LGBT+ como 'pervertidas', responsabilizando-as pela acentuada queda na taxa de natalidade do país.
A organização não governamental Amnistia Internacional afirmou que essa repressão generalizada não se relaciona com a proteção familiar, mas sim com o propósito de agravar o sofrimento de uma comunidade que já sofre discriminação e intimidação há décadas.

