Recentemente, o autor precisou adquirir um automóvel para seu filho, que havia acabado de tirar a carteira de motorista. Ele também possui uma filha que em breve atingirá a maioridade, motivando a busca por um carro simples e manual que servisse a ambos os propósitos: dar autonomia ao recém-habilitado e preparar a futura condutora para as aulas formais de autoescola. O carro pessoal do autor não era adequado para essas tarefas por motivos relacionados a outro VW voltado para a economia.
Embora não pretendesse substituir as aulas oficiais de direção, o autor considerava crucial orientar os primeiros passos com cautela e paciência, assim como fez com seus sobrinhos quando era o único parente próximo com um carro de câmbio manual.
Ele encontrou um veículo versátil na forma de um modesto VW Gol geração 4, modelo 2011, de duas portas. Este carro atendeu aos critérios estabelecidos: ser acessível, simples, resistente a quebras, econômico e possuir um motor modesto para não sobrecarregar os dois motoristas iniciantes. Após uma revisão detalhada do chassi (incluindo substituição de amortecedores, bandejas, pivôs e pneus) e dos demais componentes visíveis, a tarefa de melhoria foi concluída, e o carro foi entregue para suas novas funções.
No entanto, o autor descobriu que o Gol G4 apresenta defeitos e qualidades em proporções bastante equilibradas. Se as expectativas forem ajustadas ao que o carro oferece e ao que foi projetado para entregar, percebe-se um companheiro dedicado e esforçado, cujos aspectos positivos se tornam mais evidentes com o tempo de uso.
Aspectos menos positivos do motor
O pequeno motor EA-111 de quatro cilindros parece ter um desempenho inferior aos motores aspirados de três cilindros atuais. A diferença em torque e potência nas extremidades da rotação é notável. Embora isso possa ser apenas desgaste normal, a relação muito curta da caixa de câmbio sugere uma adaptação para aumentar o rendimento do motor, semelhante ao Chevrolet Celta VHC. O motor é agudo; se for excessivamente refrigerado, espera-se uma resposta lenta, apesar do otimismo dos dados apresentados no manual.
Consequentemente, o desempenho na cidade é um tanto apático: o carro exige a próxima marcha logo no início do movimento. É difícil não imaginar como seria essa caixa com um bom AP2000 a álcool, mas isso já representaria outro veículo.
Desempenho em estrada e transmissão
Estranhamente, na estrada, o carro começa a fazer mais sentido. Com mais espaço, é possível permitir que o motor trabalhe em marchas mais elevadas, e a maneira de mudar da terceira para a quarta, juntamente com as reduções de quinta para quarta e de quarta para terceira, torna a condução dinâmica e assertiva, mesmo que o ponteiro do velocímetro demore a reagir.
Isso não se deve ao motor, que permanece modesto, gerando cerca de 70 cavalos (quando novo), mas sim à excelência da caixa de marchas acoplada favoravelmente ao motor longitudinal. As trocas são curtas e rápidas, possuindo aquele «peso» adquirido com o tempo, potencializado pela alavanca minúscula e posicionada abaixo; é um prazer, apesar de tudo.
O que o motor não entusiasma, o comando da caixa compensa. A direção não hidráulica — longe de ser um exemplo de precisão absoluta — e a suspensão firme e praticamente refeita (embora as molas não tenham sido trocadas) transformam o Golzinho em um carro agradável para rodovias mais livres, que não demandem muitas ultrapassagens em pistas simples.
Sua ergonomia difere dos carros modernos. Como a velocidade indicada no velocímetro está quase igual à velocidade real medida (considerando um pneu com medida superior para conforto), com apenas 2 km/h de diferença aos 100 indicados, o tédio ou o sono são improváveis neste veículo.
Mesmo a 100 ou 110 km/h, nunca parece lento. O ruído mantém o motorista alerta, assim como o movimento dos pedais; o motor em plena força na quinta marcha — mesmo nesse ritmo — e a caixa de câmbio agradável sempre mantêm a atenção.
Tentar exceder os 160 km/h indicados (apenas em descidas) é ilegal, e sentir o vento tentando entrar na cabine de 15 anos, por frestas antes desconhecidas, é suficiente para moderar a aceleração e cumprir a lei. Dirigir este Gol básico é um prazer relativo e distinto; contudo, demonstra que até uma máquina projetada para economia e praticidade — e talvez a geração mais criticada do Gol — pode proporcionar bons momentos ao volante.
Para ser superior, a solução é simples: mais motor! Seria necessário recorrer ao AP600 ou AP800, este último de vida curta, apesar de gerar bons 106 cavalos a álcool, performando de fato e superando 180 km/h com o 1.6 litro e chegando perto dos 190 km/h com o 1.8.
Contudo, o objetivo atual é apresentar um Gol G4 que foi aprimorado pela fábrica para reforçar seu caráter utilitário e de baixo custo. Questões de desempenho e motores potentes já possuem inúmeros artigos no FlatOut; o tema de hoje será ligeiramente diferente, talvez menos emotivo, mas atual, pois trata de eficiência e economia, tópicos centrais na indústria automobilística atualmente.
O Gol EcoMotion
O Gol EcoMotion representa uma tentativa genuína de elevar os índices de economia do Gol G4, que já era um carro extremamente simplificado em comparação com a geração anterior, inspirada no Golf. Em 2005, para criar um espaço entre o Gol e o Polo, a VW optou pelo caminho mais econômico: simplificou seu carro de maior sucesso. O G4 manteve a carroceria conhecida do Gol bolinha (AB9), mas recebeu uma reformulação profunda e uma cabine muito mais despojada. A frente e a traseira ganharam linhas mais simples e curvas, como se um «raio noventista» tardio tivesse atingido o veículo.
Externamente, isso não foi suficiente para prejudicar seriamente a reputação do Gol. O problema surgia ao entrar no carro. O belo painel de iluminação azul e o painel inspirado no Golf MK4, com acabamento e encaixes precisos, haviam desaparecido. Tudo foi simplificado. O painel de instrumentos era um desafio para verificar simplesmente o nível de combustível ou as rotações do motor.
Os indicadores originais do Fox já eram criticados no Gol. Ignorando isso, a fábrica decidiu apostar em um carro de maior volume de vendas, talvez para impulsionar as vendas do hatchback de cabine ampla, eliminando uma das vantagens claras do Gol em sofisticação interna. Volante, direcionadores de ventilação, alavanca de câmbio, molduras das portas, revestimentos, bancos... Nada foi poupado no processo de deterioração interna. Além de serem esteticamente mais pobres, os materiais utilizados eram de qualidade inferior; a «ilha» dos acionadores de vidros elétricos, posicionada corretamente nas portas, era desagradável de ver e operar.
O Gol perdia apelo em um processo típico de declínio ou troca de geração, mudança que ocorreria três anos depois (junho de 2008), momento em que o Gol se transformaria completamente. O público não conseguia prever se o Gol seria descontinuado ou se seriam recompensados pela lealdade com um Gol muito melhorado e atualizado.
Era um campeão de vendas deliberadamente despojado e simplificado, três anos antes de o Gol finalmente receber uma plataforma verdadeiramente nova. A antiga variedade de motores do final dos anos noventa, quando havia oito opções (sim, oito!) na linha, também era coisa do passado. Essa diversidade, que ia de motores de um litro a 2.0, com 8 ou 16 válvulas e até turbo, foi reduzida a apenas três opções. A estrutura da VW estava sendo simplificada. O Gol deixou de desempenhar tantos papéis na linha, pois Polo e Fox passaram a dividir esse espaço. Como a economia e a simplificação eram o foco deste Gol, a VW adotou esse espírito com o Gol EcoMotion, anos após o lançamento da geração 4, tardiamente, em 2011, quando esta plataforma coexistia com a nova geração do Gol, totalmente diferente do anterior.
A prática de manter uma carroceria antiga e simplificada junto a carros com o mesmo nome, mas de gerações distintas, não era inédita. Palio e Corsa (sedan) também utilizavam essa diversificação de opções, e como um carro mais antigo não poderia ser mais atraente que o novo, a única direção possível era para versões mais simples e despojadas.
A diferença fundamental neste Golzinho é que houve uma intenção real de melhorar sua economia, sem depender apenas do projeto básico original ou de uma versão meramente simplificada na escala de versões, como sempre ocorreu com os modelos «L» ou «CL». A diretriz era técnica, e não mercadológica.
Um adesivo «Economy», como no Uno ou no Palio, não significava que o carro consumia menos por causa disso; era apenas um adesivo referencial. Não havia engenharia e técnica aplicadas especificamente para esse fim, pelo menos não no nível do Gol.
Assim como uma equipe dedicada a fazer um carro correr mais, o Gol passou pelas mãos de profissionais que buscaram o caminho inverso, embora a manutenção da leveza também contribua para um melhor desempenho.
Busca pela eficiência
Diferentemente de iniciativas mais audaciosas, como a linha BlueMotion da marca, cujo exemplo mais famoso foi o Polo BlueMotion (lançado um ano antes, hoje raro), e o Fox BlueMotion, que introduziu o moderno motor EA211 de três cilindros de um litro antes do Up!, o Gol optou por uma fórmula mais simples, sem negligenciar os ajustes reais para maior economia e menor emissão de CO2.
A principal medida de redução de massa foi a eliminação da direção hidráulica e do ar-condicionado, mesmo como opcionais, o que, até então, era normal. No entanto, isso sozinho não seria suficiente para alcançar a redução prometida de 10% no consumo e nas emissões anunciada pelo marketing da Volkswagen. A engenharia precisou modificar outros pontos sem onerar excessivamente o setor financeiro.
As alterações começaram com o alongamento do diferencial, estendido em 6,8% mantendo as relações de marcha. Isso proporcionou um pouco mais de tempo entre as trocas, e o nível de ruído e vibração diminuiu sutilmente.
Assim como no Polo e no Fox BlueMotion, o Gol recebeu «pneus verdes» com menor aderência ao solo; contudo, para evitar confusão com o público, os relatos mencionavam pneus com menor resistência ao rolamento. A escolha foi 165/70 aro 13, com 39 PSI recomendados no eixo dianteiro.
Com essa pressão, as manobras ficaram mais leves, um ponto importante em um carro sem assistência de direção. O custo foi em conforto e, potencialmente, em aderência.
Para contrariar a rigidez causada pelos pneus e pela pressão elevada, toda a suspensão foi recalibrada — principalmente os amortecedores — para preservar um mínimo de suavidade e controle.
É difícil determinar o impacto disso no comportamento em uso mais intenso, visto que grande parte dos testes de lançamento colocou os jornalistas em uma espécie de gincana de consumo organizada pela própria Volkswagen, e não em uma avaliação dinâmica mais rigorosa. No entanto, um caderno de veículos de um grande jornal da época registrou textualmente que o carro apresentava menor estabilidade devido aos pneus verdes; nada de grave ou diferente de um Gol comum, mas indicativo de que a aderência possuía um limite mais baixo com esses pneus.
Para concluir a parte de engenharia, o motor foi ajustado eletronicamente para acomodar o diferencial mais longo, e um indicador de economia com luz no painel foi incluído para alertar o motorista sobre a necessidade de realizar a troca de marcha.
