Alisher Kadyrov, presidente do partido Milliy Tiklanish, criticou os métodos empregados pela Agência Cultural do Uzbequistão na preservação de objetos históricos. Ele questionou a necessidade de preservar um dos edifícios no centro de Tashkent, chamando-o de 'casa de um artista russo', e declarou a necessidade de uma abordagem diferenciada na alocação de recursos estatais entre os bens culturais patrimoniais.
Kadyrov enfatizou que, ao definir prioridades, deve-se considerar a importância histórica e cultural. Como exemplo, ele comparou o edifício em questão com o complexo Shah-i-Zinda e observou que a Agência deve dar preferência ao patrimônio cultural nacional.
Resposta da Agência do Patrimônio Cultural
A agência cultural refutou, esclarecendo que se trata da Casa nº 7 na rua Babur em Tashkent, que está sob proteção estatal. A agência insiste que o valor dos objetos deve ser determinado com base na legislação, perícia científica, bem como em sua importância histórica e cultural.
De acordo com dados da Agência, a Casa nº 7 foi construída entre 1935 e 1936, sob o projeto do arquiteto Alexey Shchusev. A agência também informou que cientistas que contribuíram para o desenvolvimento da ciência e cultura do Uzbequistão viveram e trabalharam nela, incluindo os acadêmicos Tashmukhmamed Kariniyazov e Vasily Shishkin, bem como os professores Rahim Atajanov e Nathan Mallayev.
Elmurad Nazimov, vice-diretor da Agência, afirmou que é incorreto vincular o valor de um edifício histórico à nacionalidade da pessoa associada a ele. Na sua opinião, a história de Tashkent foi moldada por representantes de diferentes povos, e a divisão dos locais históricos em 'nossos' e 'deles' com base na nacionalidade pode desviar o debate profissional sobre a preservação do patrimônio para a confrontação nacional.
História da Disputa sobre a Casa nº 7
O conflito em torno da Casa nº 7 começou em 2018. Naquela época, a administração da cidade de Tashkent tomou a decisão de conceder um terreno à empresa Universal Packing Masters para demolir as construções existentes e erguer um complexo residencial de vários andares. A agência explicou que essa decisão foi tomada antes que o edifício recebesse o status oficial de bem cultural patrimonial.
Em 2020, o Conselho Científico-Especialista da Agência incluiu a casa na Lista Nacional de Bens Culturais Materiais. Em 2021, foi rejeitada a proposta de exclusão do edifício do registro. Em agosto de 2026, a questão da exclusão da casa da Lista Nacional foi novamente levantada, mas a agência considerou tal passo inadequado.
Em 8 de setembro, a agência recorreu ao Ministério Público Geral solicitando uma avaliação jurídica das circunstâncias da decisão da administração da cidade de Tashkent de 2018 e a adoção de medidas apropriadas em caso de constatação de violações.
Próximos Passos e Amplitude do Problema
Após a declaração da Agência, Kadyrov publicou uma resposta em seu canal do Telegram. Ele informou que seu partido pretende usar seus poderes parlamentares para obter respostas sobre as atividades da Agência e o uso de fundos orçamentários. O político também apontou problemas que, em sua opinião, existem em relação a outros bens culturais patrimoniais, como Sarmyssoy, Shah-i-Zinda e Mizdahan. Ele levantou questões sobre o estado desses locais, os gastos com sua preservação e as ações da Agência em relação aos órgãos governamentais.
Kadyrov acrescentou que as questões relativas à Agência estão sendo levantadas desde o ano passado e enfatizou a necessidade de ouvir o relatório da Agência no parlamento. Assim, a disputa sobre a Casa nº 7 na rua Babur transcendeu a questão do edifício específico, abordando as abordagens para estabelecer prioridades na preservação do patrimônio cultural, bem como o uso de fundos públicos.


