O Ministro dos Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, declarou na inauguração do XII Conselho de Coordenação do seu ministério que as previsões para a próxima estação chuvosa indicam um forte fenómeno de El Niño. Espera-se que o maior impacto recaia sobre as regiões sul e central de Moçambique, o que pode levar a uma diminuição significativa das precipitações, longos períodos de seca e chuvas intensas episódicas.
Em vista das potenciais consequências deste fenómeno, o Governo decidiu reagir preventivamente e preparou um plano no valor de 401 milhões de dólares (349,2 milhões de euros). Este plano abrange áreas como recursos hídricos e abastecimento de água, agricultura, pecuária e pesca, saúde, educação, proteção social e ajuda alimentar.
Fernando Rafael sublinhou que o Governo está ciente da dimensão deste problema e, por isso, tomou a decisão de agir antes que os efeitos mais graves se manifestem, preparando um Plano de Mitigação avaliado em cerca de 401 milhões de dólares americanos.
Do montante total planeado, o Governo garantiu 125 milhões de dólares (108,9 milhões de euros) através de apoio externo. Resta angariar cerca de 276 milhões de dólares para o financiamento total das medidas previstas no plano, esclareceu Fernando Rafael. Ele acrescentou que a recolha destes fundos continuará através do Orçamento de Estado e parceiros.
O plano prevê assistência alimentar de emergência para 343.773 pessoas, o que corresponde a aproximadamente 68.755 famílias. As medidas de proteção social devem abranger cerca de 234 mil famílias. Na área agrícola, estão planeadas ações para mais de 155 mil agricultores e 90.500 criadores de gado, com prioridade para as zonas mais suscetíveis à seca e à escassez de água.
Entre as ações previstas estão a construção e reconstrução de sistemas de abastecimento de água, barragens, reservatórios e furos multifuncionais, a distribuição de sementes resistentes à seca, a proteção do gado, o reforço da alimentação escolar, bem como a prestação de assistência sanitária e alimentar às famílias mais vulneráveis.
Fernando Rafael observou que a resposta será implementada em fases: primeiro, preparação e resposta imediata; depois, recuperação e estabilização; e só então, fortalecimento da resiliência e prevenção. Defendeu a necessidade desta abordagem para proteger a população e aumentar a capacidade das comunidades de lidar com futuras secas e outros fenómenos meteorológicos extremos.
Os detalhes do plano de mitigação, divulgados hoje, foram aprovados pelo Conselho de Ministros na terça-feira. O representante do Governo, Salim Wala, explicou que esta ferramenta inclui o fortalecimento e reposição da segurança hídrica para consumo humano, irrigação e bebida animal, bem como a preparação dos setores da saúde, educação, energia e indústria para o possível impacto do fenómeno.
Ao mesmo tempo, o Governo informou que um grupo intersetorial aprofunda a avaliação das consequências financeiras e sociais do El Niño. O poder executivo alertou anteriormente para possíveis consequências em pelo menos 52 distritos das regiões sul e central. Além disso, uma análise técnica realizada pelo Secretariado de Segurança Alimentar e Nutricional indicou um possível agravamento da crise alimentar aguda em 55% até março de 2027, afetando 1,84 milhão de pessoas.
