Relatório aponta que expansão da IA pode gerar um grande volume de lixo eletrônico tóxico
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Relatório aponta que expansão da IA pode gerar um grande volume de lixo eletrônico tóxico

A expansão da infraestrutura necessária para suportar a Inteligência Artificial (IA) tem o potencial de triplicar o volume anual de resíduos eletrônicos tóxicos nos próximos 25 anos, conforme detalha um relatório emitido pela Basel Action Network (BAN).

De acordo com esta organização ambiental, que monitora o movimento e o descarte internacional de resíduos eletrônicos, esse acúmulo projetado poderia ser suficiente para encher seis fileiras de contêineres ao redor do planeta. Os materiais descartados podem conter substâncias perigosas como mercúrio, cádmio, chumbo e compostos químicos persistentes, além de metais que requerem métodos específicos de recuperação.

O levantamento da BAN foca na projeção da quantidade de materiais que necessitarão ser fabricados devido à ampliação dos data centers nos próximos anos. Especificamente nos Estados Unidos, a organização estima que haverá pelo menos 4.871 novos centros, muitos deles dedicados à IA.

Para realizar este cálculo de impacto, a BAN utilizou uma estimativa de cerca de 100 gigawatts (GW) de nova capacidade computacional global até o ano de 2030. Essa conta abrange diversos elementos cruciais para os centros de processamento, incluindo servidores, sistemas de refrigeração, infraestrutura elétrica e cabeamento.

Com base nesses fatores, a BAN prevê que o descarte de hardware pode atingir 13 milhões de toneladas anuais até 2030, um número que supera as estimativas de outros estudos sobre o lixo eletrônico do setor.

Embora haja preocupações futuras, o descarte de equipamentos eletrônicos já apresenta um crescimento acelerado e constitui um problema atual. Jim Puckett, cofundador da BAN, informou ao jornal The Guardian que somente aproximadamente 20% desse material recebe um destino adequado.

A entidade trabalha internacionalmente para combater o envio ilegal de resíduos tóxicos para países em desenvolvimento, locais onde parte desses equipamentos pode ser desmontada ou processada sem os devidos controles ambientais.

No Brasil, por exemplo, a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos reporta que mais de 2,4 milhões de toneladas desse material são produzidas anualmente. Este volume deve aumentar com a expansão dos centros de dados no país, um cenário impulsionado pela aprovação do Redata nesta quarta-feira (16/09).

A BAN adverte que a rapidez com que a IA está se expandindo não está sendo acompanhada por uma estrutura equivalente para gerenciar os equipamentos. A organização alerta que, caso não haja alterações na maneira como esses materiais são concebidos, reutilizados e reciclados, o avanço da IA pode converter uma parte crescente da infraestrutura tecnológica em resíduos tóxicos.

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