Na década de 1930, Periyar apresentou o argumento da necessidade de as mulheres usarem contracepção, e sua posição baseava-se exclusivamente no princípio da liberdade. Essa ideia foi exposta em um ensaio publicado em 17 de setembro, em comemoração ao 148º aniversário de nascimento de Periyar em Tamil Nadu.
Periyar insistia que as mulheres necessitavam de contracepção não por razões de saúde ou população, mas para alcançar a independência pessoal e a verdadeira liberdade. Este único motivo o distinguia de outros reformadores da época, que se referiam à saúde materna ou à propriedade familiar.
Ele escrevia que os múltiplos partos exauriam as mulheres e as prendiam ao trabalho doméstico. No entanto, para Periyar, a liberdade não se limitava apenas ao corpo; ele acreditava que as mulheres permaneceriam dependentes enquanto confiassem nos maridos em questões financeiras. Por isso, exigia direitos de propriedade e remuneração para cada mulher.
Os argumentos de Periyar tornaram-se cada vez mais ousados. Ele criticou a própria instituição do casamento, condenando publicamente costumes que reduziam a esposa ao status de propriedade do marido, e defendeu o direito da mulher de dissolver o casamento autonomamente.
Um ano depois, em 1931, a publicação 'Kudi Arasu' continha um ensaio que apontava perigos reais, como gravidezes iniciadas antes da recuperação do organismo após partos anteriores, bem como gravidezes em mulheres doentes, utilizando a terminologia médica da época.
Essas ideias não permaneceram em caráter privado. Periyar mesmo criou o 'Kudi Arasu' e utilizou repetidamente suas páginas para promover essas teses entre os leitores de todo Tamil Nadu, nunca suavizando sua posição.
O homem por trás dessas declarações mal havia terminado a escola. Periyar leu e escreveu diligentemente por décadas, e todo esse vasto corpo de seu trabalho está hoje quase totalmente preservado, tendo sido meticulosamente digitalizado no Arquivo Periyar.
Nagammai, que é lembrada principalmente como sua esposa, organizava campanhas, falava em público e influenciava o trabalho do 'Kudi Arasu' por dentro, em vez de apenas observar o movimento que ele liderava sozinho.
Cientistas de Cambridge que estudam seus trabalhos veem em sua atividade algo mais do que apenas uma campanha. O pensamento de Periyar ultrapassou o igualitarismo formal e avançou para a liberdade pessoal, sexual e reprodutiva, onde a contracepção era apenas um fio em uma deliberação muito mais ampla.
Quase um século antes de os direitos reprodutivos se tornarem parte do discurso aceito, Periyar já questionava quem controlava o corpo da mulher. No dia de seu 148º aniversário, essa questão ainda aguarda uma resposta mais completa do que aquela dada na época.
