Na África do Sul, há um sério problema com a educação básica: até o final do terceiro ano, quinze por cento dos alunos não conseguem ler nenhuma palavra. Este fato coloca em questão o potencial da inteligência artificial (IA) nas escolas do país.
Esses dados foram obtidos no âmbito da Pesquisa Nacional Funda Uphumelele do Departamento de Educação Básica e foram destacados pelo Painel de Leitura em 2026. A pesquisa abrangeu 27.838 alunos em 710 escolas e mostrou que apenas cerca de três em cada dez alunos nos primeiros três anos atingiram os indicadores de leitura em língua materna.
Para as instituições de ensino que consideram a implementação de IA, surge a questão de como essa tecnologia pode ajudar os professores a identificar dificuldades das crianças, reagir rapidamente a elas e acompanhar o progresso na aprendizagem.
Em setembro, foram realizados seminários Future Learning Labs da Oxford University Press South Africa em Cidade do Cabo e Joanesburgo. Esses eventos reuniram educadores, especialistas em publicação e pesquisadores para estudar como as ferramentas digitais podem apoiar o processo de ensino-aprendizagem. As discussões ligaram as possibilidades da IA às exigências reais da sala de aula, como a identificação de lacunas de conhecimento, a escolha do suporte adequado, a avaliação das habilidades autônomas dos alunos e a definição de responsabilidade pelo material apresentado.
Heather Brogan, gerente de produtos digitais da Oxford e moderadora do programa, enfatizou que a fase inicial deve ser a compreensão das pessoas que usarão a tecnologia. Segundo ela, é preciso primeiro descobrir com o que exatamente o aluno está lutando e qual suporte o professor precisa para, então, desenvolver soluções responsáveis para ambos.
O foco na identificação das dificuldades do aluno significa que a escola deve primeiro definir o problema que deseja resolver e, em seguida, considerar se uma ferramenta específica pode ajudar e como sua contribuição será avaliada. Essa distinção é crítica, pois uma tarefa concluída pode dar apenas uma ideia limitada da compreensão da criança. Se a IA ajudou a obter a resposta, os professores podem precisar de recursos adicionais para entender como o aluno chegou à conclusão e quais partes do trabalho ele pode explicar sem ajuda.
A discussão após a realização da tarefa pode fornecer essa oportunidade. Pedir aos alunos que descrevam seu raciocínio, justifiquem as evidências usadas ou apliquem o mesmo conhecimento a outra questão ajuda os professores a avaliar mais detalhadamente sua compreensão. O valor dessa troca reside no fato de que revela: o aluno pode repetir a resposta, mas necessitar de apoio para explicá-la; ou ele pode entender a ideia principal, mas ter dificuldade em articulá-la claramente. Perguntas subsequentes permitem ao professor diferenciar essas dificuldades e decidir qual suporte fornecer.
A questão da avaliação da leitura levanta um problema semelhante: como a informação obtida dos alunos influencia o ensino. Angelique Timmis, diretora de currículo da Curro Holdings, abordou o tema da compreensão leitora, com base na experiência da Curro em alfabetização. Ela afirmou que a avaliação da leitura deve ajudar a determinar o que estudar a seguir, permitindo direcionar o suporte para as áreas de dificuldade e verificar sua eficácia. A tecnologia torna-se útil quando contribui para esse processo.
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