A equipe de projeto apresentou uma proposta para o Colégio de La Salle, concebendo uma paisagem de aprendizado que visa ampliar, e não restringir, o conhecimento. Neste projeto, o vazio, a paisagem e a circulação são estabelecidos como elementos fundamentais da vivência educacional.
O desenho inverte o conceito tradicional de claustro; em vez de um pátio fechado, ele sugere um sistema de vazios interligados que libera mais de 80% do terreno disponível, possibilitando a passagem a partir de qualquer ponto. A estrutura se organiza em torno de um pátio central, que serve como núcleo cívico da comunidade acadêmica, complementado por uma circulação externa aberta que conecta os edifícios e torna visível a relação entre áreas construídas e vazias. O complexo se abre para o entorno, integrando os morros orientais como um cenário dinâmico, enquadrado por terraços, ruas e pátios que unem a paisagem à experiência espacial.
O espaço intermediário foi concebido como um recurso didático, utilizando colunatas, terraços e pátios suspensos para funcionar como uma transição constante entre a sala de aula e o ambiente externo. O processo de aprendizado transcende os limites da sala, estendendo-se pelas ruas de aprendizado, pelos pátios e até o horizonte dos morros orientais. Essa progressão espacial, que vai do privado ao coletivo e do construído ao natural, define a abordagem pedagógica adotada.
Do ponto de vista dos materiais, a arquitetura assume um papel de suporte neutro. O tijolo, material característico da cidade, ancora o conjunto ao local, definindo pisos e paredes com considerações térmicas e táteis. A madeira é utilizada em pontos de contato direto, como revestimentos, mobiliário e caixilhos, conferindo conforto e uma conexão material com o corpo humano. Um esquema de cores intencional diferencia as zonas espaciais conforme suas funções pedagógicas, sem gerar fragmentação.
Os espaços foram agrupados em comunidades de aprendizado, estruturadas em núcleos de salas de aula interligadas por áreas de extensão. Esses núcleos se articulam através de espaços intermediários que promovem o aprendizado ativo em diversas escalas. As ruas de aprendizado substituem o corredor padrão, transformando o trajeto em um domínio pedagógico. O corte arquitetônico é o mecanismo central, apresentando vazios com pé-direito duplo e triplo, escadarias que atuam como teatros informais e terraços voltados para a paisagem, onde cada componente é simultaneamente um caminho e um local.
As salas de aula e as áreas de extensão são providas de móveis e equipamentos que permitem adaptar as atividades a variadas propostas educacionais. Os fechamentos ganham função de infraestrutura ativa, pois as paredes possuem espessura útil que incorpora armazenamento, superfícies de trabalho e nichos de leitura, permitindo a reorganização dos ambientes conforme a necessidade. A natureza ambígua desses recursos apoia a apropriação tanto por alunos quanto por professores, sinalizando que o espaço não impõe um único modo de aprender.
Essa integração potencializa o alcance do espaço educativo: a sala de aula se expande para além de suas fronteiras, alcançando os elementos que a equipam e os limites que a conectam, enquanto a paisagem natural se insere na rotina de aprendizado. Em essência, o espaço de aprendizado configura-se como um todo integrado ao território, resultando em uma paisagem de aprendizado ampliada.

