Projeto residencial em Sorriso, Mato Grosso, integrado à paisagem do Alto Teles Pires
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Projeto residencial em Sorriso, Mato Grosso, integrado à paisagem do Alto Teles Pires

O projeto residencial, desenvolvido pela equipe Ser Arquitetos, foi implantado na cidade de Sorriso, localizada no norte de Mato Grosso. Esta área faz parte da região do Alto Teles Pires, caracterizada por vastas planícies do Cerrado e sua proximidade com a zona de transição para a Amazônia.

O contexto ambiental, marcado pela horizontalidade da paisagem, pelo clima quente e pela intensa atividade agrícola, influenciou a concepção arquitetônica. O design buscou dialogar com o local através do uso estratégico de sombras, da abertura dos espaços e de uma disposição fundamentalmente térrea.

A edificação ocupa um terreno estreito e profundo em Sorriso, Mato Grosso. Inicialmente planejada como uma propriedade destinada à venda, a casa organiza-se longitudinalmente, conectando os diversos setores do programa arquitetônico e criando ligações diretas entre os ambientes internos, o jardim e a piscina.

As condições climáticas específicas de Sorriso foram determinantes na definição da arquitetura. Elementos como beirais, planos horizontais e recuos foram utilizados para proteger as aberturas principais da incidência direta do sol, gerando espaços intermediários sombreados. Tais componentes estendem a cobertura e promovem uma passagem suave entre o interior e o exterior, integrando as áreas protegidas ao dia a dia da residência.

A implantação segue o alinhamento do terreno. As áreas de estar, jantar e cozinha formam um espaço contínuo, voltado para o exterior e permeado por variações de luz, sombra e vegetação. Ao longo do desenho, recuos e aberturas são empregados para quebrar a profundidade da construção, aproximando os cômodos do ambiente externo, enquanto a área privada é posicionada na seção mais reservada da casa.

Visualmente, a casa apresenta uma composição majoritariamente horizontal. As fachadas são construídas com volumes de geometria simples e planos em diferentes profundidades, complementados por uma paleta restrita de materiais que reforça a unidade do conjunto. A vegetação atua como um elemento de contraste à geometria da construção, auxiliando na mediação entre a arquitetura e o clima local.

Apesar de ter sido desenvolvida sob uma perspectiva imobiliária, o projeto visa estabelecer uma estrutura doméstica flexível para diversas formas de uso. O resultado final advém de poucas intervenções projetuais: seguir a geometria do lote, minimizar as áreas de circulação, proteger as aberturas e expandir os espaços internos em direção ao exterior.

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A Casa 22 / Loft7, localizada na área costeira de Pichilemu, ao sul de Punta de Lobos, foi projetada em um terreno inclinado que desce em direção ao noroeste. A edificação oferece vistas diretas para o Oceano Pacífico e conta com extensas áreas de vegetação nativa.

O design da residência é estruturado pela sobreposição de dois volumes que giram de forma autônoma. Esse movimento visa capturar diferentes perspectivas da paisagem costeira, utilizando também a topografia no desenvolvimento dos diversos níveis da casa.

Embora o volume superior apresente rotação, o mobiliário e as divisões internas mantêm a orientação do nível inferior, focando na vista principal. Essa escolha cria uma tensão espacial interessante entre a geometria externa e a disposição interna dos cômodos, injetando dinamismo no espaço aberto e fortalecendo a conexão visual entre os ambientes habitáveis e o cenário natural.

Na volumetria principal, foram integrados dois elementos triangulares que contrastam com as linhas retilíneas predominantes. Estas peças não só introduzem luz natural nas áreas traseiras, como também realçam o caráter dinâmico da estrutura.

A estratégia adotada para a iluminação natural busca equilibrar a abertura com a necessidade de privacidade. No lado leste, uma série de pátios internos foi criada para permitir a entrada de luz e ventilação, ao mesmo tempo em que enquadra visuais controladas e protege os espaços contra olhares externos. Finalizando essa sequência, o volume da escada é coberto por um envidraçamento voltado para o noroeste, transformando a circulação vertical em um ponto de articulação luminosa e espacial entre os dois andares.

O programa funcional principal está concentrado no andar superior, abrigando a cozinha, a churrasqueira, o dormitório mestre e as salas de estar e jantar. Devido aos ventos intensos típicos da costa de Pichilemu, a churrasqueira foi posicionada protegida atrás do volume principal, mantendo proximidade com as áreas sociais e as vistas marítimas. Já o pavimento inferior é dedicado aos dormitórios secundários e a uma sala de estar, configurando um espaço mais reservado e protegido.

A interação entre a topografia, as vistas, a luminosidade e o clima resultou em uma residência que incorpora as características do local à vivência diária, estabelecendo um elo constante entre a experiência interna, a envolvente arquitetônica e a paisagem costeira.

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O projeto Casa Los Navegantes consiste na ampliação e modernização de uma residência construída em 1963, localizada no bairro de Pedro de Valdivia Norte. Este bairro é caracterizado por ser residencial e central, e possui a presença do morro San Cristóbal, além de sua vegetação e jardins.

As condições cruciais para o projeto incluíram a orientação norte-sul da casa, a sombra proporcionada pelo morro, a necessidade de aumentar a iluminação natural, e a manutenção da privacidade, da flora já existente e da conexão com os pátios internos.

Contudo, o elemento mais importante foi a própria estrutura original da casa, que possuía uma identidade bem definida: duas alas paralelas interligadas por um hall e organizadas em torno de um pátio central. Em vez de demolir essa estrutura, o projeto optou por trabalhar dentro de suas regras estabelecidas, preservando sua organização e formato, mas adicionando novas aberturas, conexões e relações com o ambiente externo.

Planejada para servir como moradia permanente para uma família composta por quatro pessoas, a intervenção precisava ser flexível para acompanhar as distintas fases da vida familiar. No piso térreo, foram concentrados os espaços de convivência, os serviços e a área destinada às crianças. A cozinha foi integrada à sala de jantar, e o antigo quarto principal foi adaptado para se tornar uma sala de estar infantil, ligando dormitórios, pátios e o jardim.

O andar superior foi reservado para a área íntima dos adultos. A principal ação arquitetônica consistiu em harmonizar dois períodos distintos sem misturá-los. Enquanto a alvenaria representa a casa original, uma expansão feita em madeira, posicionada transversalmente sobre as alas primárias, se destaca como uma adição contemporânea. Esta disposição minimiza o impacto da nova estrutura sobre a incidência solar, as vistas e os pátios.

A nova cobertura, cuja inspiração veio das formas abobadadas encontradas nas Escolas da Sagrada Família de Gaudí, foi reinterpretada através de uma geometria ondulada e uma estrutura de madeira, definindo tanto a aparência externa quanto a atmosfera interna. O planejamento e a execução desta cobertura representaram um dos maiores desafios técnicos da obra. Um desafio semelhante ocorreu com a escada helicoidal, que foi desenhada para ocupar o mínimo de espaço possível sem obstruir a visão do pátio interno, sendo concebida como uma peça escultural envolta em vidro, garantindo a entrada de luz e a continuidade visual com o jardim.

A combinação de madeira com isolamento de celulose possibilitou o desenvolvimento de uma envolvente termicamente eficiente. Além disso, as tesouras removidas das coberturas originais foram reaproveitadas para a confecção de móveis, como mesas de jantar e estantes, reintegrando materialmente partes da antiga residência.

O paisagismo foi integrado ao conceito arquitetônico. Foi mantido um pittosporum de notável presença escultural e uma primavera que estabelece uma ligação visual entre os pátios. O jardim, majoritariamente composto por espécies nativas, inclui uma piscina natural cujas plantas auxiliam na purificação da água, além de telhados verdes que estendem a paisagem em direção ao segundo pavimento.

Em suma, o projeto não se limitou a apagar a casa de 1963; ele explorou o potencial de transformação a partir do que já existia. A convivência entre alvenaria e madeira, entre geometrias ortogonais e curvas, entre arquitetura e vegetação, torna visível a relação entre o passado e o presente, permitindo que a habitação se ajuste às novas maneiras de viver.

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