Projeto Casa Noor: Arquitetura focada na convivência familiar e acessibilidade em Goiás
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Projeto Casa Noor: Arquitetura focada na convivência familiar e acessibilidade em Goiás

O projeto Casa Noor foi concebido com o objetivo primordial de criar uma residência que espelhasse o dia a dia de uma família, funcionando mais como um ponto de encontro e um espaço de convívio espontâneo entre gerações do que como uma moradia formal. Para evitar formalidades desnecessárias na dinâmica familiar e social, a entrada da casa foi planejada de forma direta e natural, sem uma porta de entrada convencional.

A arquitetura do projeto bebe em referências da arquitetura brasileira, priorizando a valorização dos materiais e expondo a verdade construtiva da edificação. Contudo, o terreno impunha desafios significativos, incluindo um declive acentuado, a orientação para a rua e preocupações com a segurança. Além disso, era crucial que a residência fosse totalmente acessível para uma cliente de 70 anos.

A solução encontrada para conciliar esses fatores foi concentrar todas as funções vitais no pavimento térreo, permitindo que a usuária vivesse integralmente neste nível, enquanto o subsolo e o primeiro pavimento foram desenvolvidos como complementos ao uso principal.

A disposição da implantação foi ditada pela orientação solar, o que deu origem ao nome «Casa Noor», que significa «luz» em árabe, devido à forma como o projeto se relaciona com o sol. A vista principal, voltada para um parque público situado em frente ao lote, localiza-se na fachada norte, o que representa um desafio particular na região de Goiás. Em vez de isolar a casa do parque, foram empregados elementos como paredes, cobogós, brises e beirais estrategicamente posicionados para gerenciar a incidência de calor e luz, assegurando o conforto sem obstruir a vista.

O pavimento térreo abriga os espaços sociais, de lazer, os ambientes de serviço e o quarto principal, todos dispostos de modo integrado e fluido. Já o subsolo contém a garagem e uma adega, e o primeiro pavimento oferece os quartos secundários e um terraço-mirante com vista para o parque. Dessa forma, a casa se estrutura em camadas funcionais, mantendo o essencial no térreo e relegando os demais níveis a funções de extensão do cotidiano familiar.

O paisagismo adotou uma abordagem modernista, caracterizada pela simplicidade, pela fusão entre a arquitetura e a vegetação, e pelo emprego da pedra portuguesa. As árvores já presentes no terreno foram mantidas e integradas ao projeto, o que fortalece a ligação entre a paisagem original e a nova construção. Internamente, um jardim ocupa uma posição central e recebe iluminação através de uma ampla claraboia, criando uma conexão direta com o ambiente externo. A inclusão da vegetação e da luz natural estabelece a biofilia como um aspecto fundamental da vivência espacial.

Houve um esforço para manter os materiais expostos sempre que possível, com especial atenção aos elementos em concreto. A materialidade desempenha um papel ativo na arquitetura, tornando visível o processo construtivo e reforçando a sobriedade formal do conjunto.

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A casa se desenvolve horizontalmente, apoiando-se naturalmente na encosta da colina. Em vez de ser um volume único e dominante, o projeto consiste em plantas sobrepostas e níveis escalonados que expandem a vida cotidiana em direção aos jardins e terraços, suavizando as fronteiras entre o espaço interno e externo.

O projeto trabalha com duas forças opostas: massa e leveza. As paredes de pedra fixam a casa ao solo, conferindo-lhe peso e sensação de permanência; por outro lado, os telhados em balanço, a estrutura de aço e os grandes painéis de vidro proporcionam abertura e sombra. Pedra, madeira, aço e vidro são usados não como acabamentos decorativos, mas como estratégia para definir o caráter de cada espaço: a pedra conecta a casa à encosta, a madeira traz aconchego às estruturas do teto, o aço permite criar projeções estruturais, e o vidro conecta visualmente os cômodos ao jardim.

A residência possui quatro níveis — dois subterrâneos e dois pisos superiores. No entanto, os níveis subterrâneos não funcionam como espaços enterrados; eles utilizam a inclinação para se abrir em jardins e terraços privados, mantendo iluminação e ventilação naturais.

O primeiro andar é destinado às áreas comuns: aqui estão localizados a entrada, sala de estar, sala de jantar, terraço coberto, área de churrasco e a principal área de lazer, conectada ao jardim, além de uma área de serviço que inclui cozinha, lavanderia e despensa.

O segundo andar é mais privado e abriga dois quartos de hóspedes e o quarto principal com varanda e closet. O nível subterrâneo 1 é responsável pelo acesso de veículos (para seis carros e sete bicicletas) e reúne grande parte da funcionalidade familiar: seis quartos secundários, sala de cinema, sala de estar familiar com saída para pátio interno, e duas salas de serviço. No jardim frontal deste nível, há piscina, jacuzzi e terraço com grelha.

O nível subterrâneo 2 garante o acesso pedestre à residência e inclui a sala de máquinas, cisterna, bem como uma área de lazer com sala de jogos, simulador de golfe e bar com vista para o jardim.

Além disso, a casa não apenas ocupa o terreno, ela cria uma conexão contínua com ele: cada nível está ligado à paisagem de sua própria maneira, e a inclinação, em vez de ser um obstáculo, organiza acessos, hierarquias e vistas. O projeto oferece um ambiente doméstico amplo e aberto, orientado para a paisagem, sustentado por uma organização funcional cuidadosa e uma estética moderna e sóbria com forte presença.

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