Representantes de pessoas com deficiência em Moçambique insistem que as leis aprovadas no país comecem a ser aplicadas de forma eficaz. Zeca Chaúque afirmou que a mera aprovação das leis não muda a vida das pessoas; a verdadeira tarefa é transformar os direitos legalmente reconhecidos em políticas públicas acessíveis, instituições e mudanças concretas na vida das pessoas com deficiência.
Durante a quarta conferência anual sobre deficiência e direitos humanos em Maputo, organizada pela Famod sob o lema «Da reforma à implementação: Transformando direitos em mudanças reais», ele apelou às autoridades de Moçambique para que concretizassem as promessas de proteção às pessoas com deficiência.
Chaúque sublinhou a necessidade de determinar como garantir a execução da legislação, a prontidão das instituições, a disponibilidade de recursos financeiros, a acessibilidade dos serviços, bem como a criação de mecanismos eficazes de monitoramento e responsabilização.
Os participantes da conferência, que se estenderá até quinta-feira, debatem a harmonização legislativa, o acesso à justiça, a proteção social, a coleta de dados, a acessibilidade, a contratação pública inclusiva e a participação das pessoas com deficiência na implementação e fiscalização dos seus direitos.
O presidente da Famod apelou para que estes debates resultem no desenvolvimento de uma agenda nacional de implementação, incluindo recomendações prioritárias, compromissos institucionais concretos e sistemas de acompanhamento. Ele também exigiu que nenhuma decisão relativa às pessoas com deficiência fosse tomada sem a sua participação.
Chaúque apelou a todas as instituições presentes para que assumam compromissos claros, específicos e mensuráveis. Ele também pediu aos parceiros internacionais que continuem a apoiar os esforços nacionais para promover os direitos das pessoas com deficiência, acrescentando que a inclusão exige vontade política, recursos, coordenação e, acima de tudo, compromisso.
Albachir Macassar, presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), recentemente nomeada como Mecanismo Independente de Monitoramento da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, explicou que um direito só se torna real quando a pessoa com deficiência tem acesso a serviços públicos, educação, saúde e emprego.
Ele observou que o direito atinge plena realização quando as decisões que afetam as pessoas com deficiência deixam de ser tomadas sem a sua participação direta. Portanto, em sua opinião, a aprovação de uma lei não deve ser vista como um ponto final, mas sim como o início de uma fase mais complexa — a fase de implementação. A implementação implica a revisão da legislação setorial.
Macassar também desafiou as instituições governamentais, pedindo-lhes que transformem atos legislativos e decisões administrativas em realidade, fornecendo dados adequados, garantindo a acessibilidade, estabelecendo mecanismos eficazes de responsabilidade e integrando transversalmente a questão da deficiência na política pública.
Por sua vez, o secretário permanente do Ministério do Trabalho, Género e Proteção Social, Paulo Beirão, enfatizou os esforços do governo para implementar a legislação sobre pessoas com deficiência. Ele indicou que o foco estratégico do poder executivo está direcionado para a rápida disseminação e operacionalização das ferramentas jurídicas já aprovadas para materializar as diretrizes em respostas locais eficazes.
Beirão declarou a alta responsabilidade do governo pela necessidade de aperfeiçoamento contínuo da harmonização legislativa e do fortalecimento da coerência jurídica do Estado, expressando o compromisso com a consolidação da participação ativa e efetiva das pessoas com deficiência como «protagonistas e sujeitos plenos de direitos» na construção do país.


