Epidemia de Ebola na República Democrática do Congo permanece grave apesar de alguns avanços
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Epidemia de Ebola na República Democrática do Congo permanece grave apesar de alguns avanços

A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo (RDCongo) mantém-se como um surto massivo e fatal, conforme destacado pelo coordenador especial da OCHA para o Ebola, Julien Harneis. Embora tenham sido observados avanços em certas regiões, o número de casos segue em ascensão em outras áreas.

Harneis, que se dirigirá a Bunia, capital da província nordeste de Ituri, epicentro do surto, enfatizou que é prematuro declarar que o pico da epidemia foi superado, contrariando o que foi afirmado pelas autoridades congolesas na semana anterior, que situaram esse pico na terceira semana de agosto passado.

Apesar da existência de uma resposta integrada, o coordenador ressaltou a urgência de intensificar as medidas nas localidades onde ocorre nova transmissão e reforçou a necessidade de uma maior solidariedade internacional.

Para ilustrar a dimensão do surto, Harneis mencionou a ocorrência de casos tanto em Ituri quanto na província de Ubangi do Sul, localizada no extremo oposto do país, uma distância comparável à que separa Genebra de Dublin.

Ele apontou que a área afetada pela epidemia abrange dois fusos horários, exigindo duas horas e meia de voo entre as extremidades da zona impactada. Harneis descreveu o cenário como extremamente diverso e heterogêneo, tornando a operação muito complexa devido às más condições das estradas e às dificuldades de acesso por pequenos aviões em muitos locais.

A RDCongo anunciou sua 17ª epidemia de Ebola em meados de maio, com certo atraso. De acordo com os dados mais recentes fornecidos pelo Governo congolês, a epidemia resultou em 3.510 óbitos e 7.258 casos confirmados até o momento.

Dos doentes, 1.726 conseguiram superar a doença, enquanto 905 permanecem em isolamento ou hospitalizados. O vírus está a afetar 62 centros de saúde distribuídos por sete províncias: Ituri, Tshopo, Bas-Uélé, Haut-Uélé, Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ubangi do Sul.

Este surto, classificado como o segundo mais letal e contagioso da história global, superou o evento ocorrido na mesma região congolesa entre 2018 e 2020, mas ainda está aquém do surto mais severo registrado, que causou cerca de 11.000 mortes e 28.000 casos na África Ocidental entre 2014 e 2016.

A estirpe de Bundibugyo responsável pela crise atual não possui tratamento específico, embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) esteja desenvolvendo duas vacinas que já passaram por ensaios de fase 1 em humanos e demonstraram segurança, apesar de o processo de desenvolvimento poder levar vários meses.

Adicionalmente, a epidemia se espalhou para o vizinho Uganda, onde a OMS declarou o fim do surto em 26 de agosto, após registrar 20 casos confirmados, incluindo 15 importados da RDCongo, dos quais duas pessoas faleceram.

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De acordo com um relatório do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) de Kinshasa, o número total de casos registrados da doença atingiu 6686 pessoas. Desses, 1563 pacientes se recuperaram e 3226 pessoas faleceram, o que corresponde a uma letalidade de 48,3%.

O relatório do órgão de saúde da RDC também indica que 819 pacientes estão em isolamento ou hospitalizados, e a taxa de monitoramento de contatos é de 85,3%. O epicentro do surto de Ebola é a província de Ituri.

Atualmente, o surto afeta seis províncias: Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Uele Superior, Uele Inferior e Tshopo. É notável que não foram registrados novos casos confirmados na província de Kivu do Sul nos últimos 97 dias.

O instituto de saúde informou que, nas últimas 24 horas, 15 pessoas recuperaram-se, ressaltando que as medidas de vigilância, assistência médica e prevenção continuam a ser reforçadas nas áreas afetadas.

A RDC, que anunciou o fim de outra epidemia na região de Kasai em dezembro de 2025, é considerada um país com maior experiência no gerenciamento de Ebola no mundo. Desde a identificação do vírus em 1976, o país enfrentou mais de uma dezena de surtos e epidemias.

O vírus Ebola é transmitido através do contato direto com fluidos biológicos de pessoas ou animais infectados e causa febre hemorrágica grave, acompanhada de vômitos, diarreia e hemorragia interna.

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O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que ainda existem vias de transmissão da doença que não são conhecidas, enquanto a epidemia ultrapassou o patamar crítico de 6.000 casos confirmados e resultou em mais de 3.000 óbitos. A situação afeta 60 zonas de saúde espalhadas por seis províncias do país africano.

Em um comunicado, a agência das Nações Unidas e seus colaboradores manifestaram grande apreensão com o fato de a maioria das fatalidades estar ocorrendo dentro das comunidades, e não nos centros de tratamento, atingindo indivíduos que não haviam sido previamente identificados como contatos.

Diante deste quadro, a organização estima que o plano de resposta governamental para os próximos seis meses necessitará de um aporte financeiro de 1,3 bilhão de dólares (equivalente a aproximadamente 1,12 milhão de euros) e solicitou aos Estados-membros que aumentem e agilizem suas contribuições financeiras.

Tedros Adhanom Ghebreyesus enfatizou a necessidade de acabar com a epidemia, questionando a velocidade e o número de vidas que serão perdidas até que isso aconteça, e advertiu que quanto mais tempo durar, maior será o impacto em vidas humanas e recursos.

Apesar da crise sanitária, foi noticiado que as escolas foram reabertas na terça-feira nas regiões impactadas, um movimento considerado essencial para o bem-estar infantil. A ONU e seus parceiros intensificaram as ações de prevenção do Ebola nas escolas da RDCongo, implementando campanhas de conscientização e saneamento, e capacitando 150 instrutores para orientar mais de 18.000 profissionais da educação.

No entanto, dois terços das instituições de ensino nas áreas afetadas ainda carecem de suporte básico em água e higiene. Um relatório aponta que a epidemia de Ebola impõe um risco extra em locais onde cerca de dois milhões de crianças estudam.

Devido ao fato de a área da educação ter recebido menos de 25% dos fundos necessários, o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) emitiu um alerta: a escassez de verbas pode levar ao aumento do abandono escolar e colocar as crianças em maior vulnerabilidade, criando um duplo desafio entre conter o vírus e preservar a aprendizagem.

Conforme o relatório mais recente divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) da RDCongo, com dados coletados até 31 de agosto, o número total de vítimas fatais da doença atingiu 3.007, apresentando uma taxa de letalidade de 48,6%. A cepa Bundibugyo do Ebola, responsável pelo surto atual, ainda não possui tratamentos específicos, embora a OMS esteja desenvolvendo duas vacinas que entraram na fase um de testes em seres humanos e que, até o momento, demonstraram resultados promissores, apesar de seu desenvolvimento poder levar vários meses.

Este surto configura-se como o segundo mais mortal da história, superando o evento ocorrido na mesma região entre 2018 e 2020, mas ainda está distante do registro mais severo, que causou cerca de 11.000 mortes e 28.000 infecções na África Ocidental no período de 2014 a 2016.

A epidemia também se propagou para o vizinho Uganda, onde a OMS declarou o fim do surto em 26 de agosto, após registrar 20 casos confirmados, incluindo 15 casos importados da RDCongo, dos quais duas mortes foram registradas.

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