A Arara-vermelha é uma ave muito bonita e conhecida, cuja coloração vermelha vibrante é facilmente visível na selva. No entanto, a população desta ave está em constante declínio devido à caça furtiva, desmatamento e escassez de ninhos. Em México e América Central, uma das subespécies quase desapareceu.
Cientistas descobriram que os próprios pais são uma das principais causas da morte dos filhotes. Gabriela Vigo-Traco, cientista do Peru, conduziu um estudo dessas aves por mais de duas décadas. Esta pesquisadora, afiliada à Texas A&M University, também é codiretora da Macaw Society.
Ela descobriu que as Araras-vermelhas intencionalmente deixam os filhotes menores morrerem de fome. Em um ninho, a fêmea pode botar até quatro ovos, mas geralmente apenas um ou dois filhotes sobrevivem. Os terceiros e quartos filhotes quase sempre morrem, e cerca de 25% dos filhotes da segunda geração morrem.
Em 2018, a equipe de Vigo-Traco no Parque Nacional Tambopata, no Peru, resgatou um filhote do ninho. Ele foi nomeado Parker. Ele era o menor de quatro irmãos e ainda não tinha aberto os olhos. Estava fraco e desnutrido; sem resgate, ele teria morrido de fome.
Ao instalar câmeras nos ninhos, os cientistas observaram que os pais, especialmente a mãe, afastavam o filhote menor. Quando o pai trazia comida, a mãe se alimentava e alimentava os filhotes maiores. O filhote pequeno, estando frio, continuava a gritar, mas não era incomodado pelos outros irmãos. A causa não era a falta de comida.
Vigo-Traco acredita que os pais não conseguem cuidar de filhotes de idades diferentes. As necessidades dos filhotes nascidos com um intervalo de quatro a cinco dias variam muito, exigindo diferentes métodos de alimentação e temperaturas diferentes no ninho. Se tentarem alimentar todos da mesma forma, ninguém sobrevive. Portanto, eles escolhem os filhotes mais saudáveis e maiores. Inicialmente, foi uma estratégia de sobrevivência, mas agora, com a espécie diminuindo, tornou-se um sério problema.
Também tentaram o método de alimentação manual. No entanto, isso requer um mês e meio a três meses. Em cativeiro, é difícil garantir a sobrevivência das araras na natureza, pois elas não aprendem a reconhecer predadores, encontrar comida e formar bandos. Por isso, a equipe de Vigo-Traco preferiu o caminho da criação na natureza.
Parker foi alimentado manualmente na estação de campo por três semanas, recebendo comida a cada duas horas. Em seguida, foi encontrado um ninho na selva com um filhote da mesma idade ou um ninho vazio. Em 22 de dezembro de 2018, Parker foi colocado com uma nova mãe, Tambo. Tambo imediatamente assumiu seu cuidado. Após alguns meses, Parker conseguiu voar. Ele se tornou o primeiro quarto filhote em décadas a deixar o ninho selvagem.
Entre 2017 e 2019, a equipe salvou com sucesso 25 filhotes. Três deles foram adaptados, mas morreram por eletricidade, predadores ou doenças. Vigo-Traco compara isso a um jogo de xadrez, que exige pensar em cada movimento.
Este método é complexo e caro. Três anos de experimentos exigiram uma equipe de 20 pessoas, além de custos com salários, alojamento e equipamentos. É difícil replicar isso em todos os lugares. Ronnie Garcia-Anleu, na Guatemala, também tentou este método, mas não pôde continuar após 2019. É muito difícil encontrar um ninho adequado na hora certa.
É necessário percorrer quilômetros a pé pela selva. Em alguns locais, as aves são mantidas em cativeiro e depois liberadas. Na Costa Rica, a população aumentou através da proteção de ninhos, educação escolar e instalação de ninhos artificiais. Os principais métodos lá foram o combate ao desmatamento e à caça furtiva.
Atualmente, Vigo-Traco está testando uma nova abordagem: mover o filhote de um ninho para outro sem alimentação manual. Isso reduz os custos. A troca de filhotes de diferentes idades entre dois ninhos teve sucesso, pois os pais agora podem criar dois filhotes da mesma idade. Essa tecnologia está sendo aplicada atualmente a outras espécies de papagaios do Brasil à América Central. Uma população relativamente saudável do Peru forneceu conhecimento para outros países. Parker reapareceu em 2019, voando com seus pais adotivos e irmãos como em uma família normal.
