O Brasil aprovou a Convenção Multilateral de Proteção Social da CPLP. Esta convenção foi assinada na 20ª sessão do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizada em Díli, Timor-Leste, em 24 de julho de 2015, e foi ratificada em 2023 em Benguela, Angola, durante a presidência angolana na organização.
O objetivo desta convenção é garantir a proteção social dos trabalhadores migrantes nos Estados-membros, incluindo pensões por invalidez, velhice e morte.
Portugal, Timor-Leste e Cabo Verde são nações lusófonas que já ratificaram a convenção e apresentaram seus documentos ao secretariado executivo da organização.
De acordo com o Diário da República Português, «nos termos do artigo 23, a convenção entra em vigor no primeiro dia do mês seguinte à data em que três Estados (...) depositarem os respetivos instrumentos de aprovação, ratificação ou aceitação, e a convenção estará em vigor a partir de 1 de janeiro de 2026».
O Brasil está no caminho para se tornar a quarta nação a concluir este processo. Resta-lhe apenas a ratificação pelo chefe de Estado, uma vez que o país se encontra atualmente em período de campanha eleitoral para as eleições presidenciais, cuja primeira volta ocorrerá a 4 de outubro, bem como o depósito do documento na sede da organização, junto ao secretariado executivo.
Além disso, uma fonte da missão diplomática brasileira junto à CPLP declarou em entrevista à Lusa que «o Brasil e outros Estados-Membros — com exceção de Guiné-Bissau, suspensa na comunidade após o golpe de estado em novembro de 2025 — assinaram o Acordo Administrativo sobre a aplicação da Convenção Multilateral de Proteção Social da CPLP durante a 31ª sessão do Conselho de Ministros da Comunidade, realizada em Díli, Timor-Leste, em 19 de agosto de 2026».
A missão brasileira salientou que «o acordo, concluído após muitos anos de negociações, estabelece os procedimentos necessários para a aplicação da convenção, reforça a proteção social dos cidadãos da CPLP e garante a portabilidade dos direitos de segurança social dos trabalhadores em condições de mobilidade no espaço da comunidade».
Para além da própria convenção, segundo informações disponíveis no site da agência Senado, um projeto de lei foi aprovado na sessão plenária do Senado em 2 de fevereiro, permitindo que «brasileiros empregados profissionalmente em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Portugal (...) somem os períodos de contribuição nestes países para garantir o acesso aos benefícios de reforma [pensões de proteção social]».
A CPLP, que celebra 30 anos este ano, inclui Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e Timor-Leste.


