A pergunta entre as mulheres mudou: em vez de perguntarem 'Eu serei a próxima?', elas agora perguntam: 'Quando será a minha vez?' Essa mudança reflete um crescente sentimento de ansiedade na sociedade após uma série de assassinatos.
A recente descoberta do corpo da oitava mulher em eCuxuleni, apesar da grande distância de Cidade do Cabo, causou forte repercussão. Isso lembra a situação em Cidade do Cabo, onde as mulheres estão cansadas de viver em constante medo.
Sete anos atrás, em setembro de 2019, milhares de pessoas foram às ruas de Cidade do Cabo para protestar contra os assassinatos de estudantes da UCT e UWC, o que levou ao surgimento da hashtag #AmINext. Naquela época, a questão de se uma mulher se tornaria vítima de assassinato por causa do seu gênero tornou-se generalizada.
Recentemente, foi comemorado o sétimo aniversário do assassinato de Jessie e de seu avô Chris Latgen em sua casa em Parow. Apenas três semanas depois disso, uma nova investigação foi aberta, na qual a polícia tenta estabelecer uma ligação entre os assassinatos das oito mulheres.
Esta semana, a violência chegou perto dos moradores quando a jovem Octavia Swartes, de 10 anos, foi encontrada morta perto da barragem da fazenda depois de ter desaparecido em Joostenburg Vlakte no domingo. Embora sua morte não esteja relacionada à investigação em eCuxuleni, a família de Cidade do Cabo lamenta novamente enquanto o país se pergunta o que é necessário para garantir a segurança das mulheres e meninas.
Após sete anos de cartazes de desaparecidos, assassinatos de mulheres, promessas de combate à violência de gênero e campanhas de apelo à opinião, a questão se transformou: ela é sentida cada vez menos como 'serei eu a próxima?' e cada vez mais como 'quando será a minha vez?'
Isso não é dramatização, mas um reflexo de como as mulheres falam sobre suas vidas. Elas monitoram constantemente o ambiente, informam sua localização em viagens solitárias e pensam onde estacionar.
A polícia ainda não declarou que há um novo assassino em série na África do Sul; eles continuam a investigar se as oito mortes estão relacionadas e alertam contra conclusões precipitadas até que haja provas. O homem preso em relação ao primeiro assassinato em julho permanece detido, e após sua detenção, mais corpos foram encontrados, e outra pessoa suspeita está sendo procurada.
Embora a polícia tenha motivos para ser cautelosa na escolha das palavras, as mulheres que observam os acontecimentos duvidam que a classificação final mude o problema fundamental. Se uma pessoa matou oito mulheres, há uma razão séria para temer que alguém esteja caçando mulheres. Mas se a investigação determinar que esses assassinatos ocorreram independentemente, que consolo restará para as mulheres?
Uma das mulheres identificadas é Elizabeth 'Thontso' Moselakgomo, de 38 anos, que desapareceu depois de sair para correr. Este detalhe ressoou, pois uma caminhada comum não é algo incomum, assim como a viagem de Winnie para buscar um pacote em 2019 ou a permanência de Jessie em casa não eram incomuns.
Pode-se pedir às mulheres para estarem vigilantes até a exaustão, mas onde exatamente uma mulher deve se sentir segura? Isso fazia parte da raiva que levou as mulheres às ruas de Cidade do Cabo sete anos atrás. Elas estavam cansadas de receber instruções de sobrevivência, enquanto as mulheres continuavam sofrendo violência e assassinatos.
Após aqueles protestos, foram feitas promessas, adotadas leis, estratégias, cúpulas, campanhas e planos. No entanto, as mulheres ainda trocam avisos umas com as outras e, mais preocupante, os transmitem à próxima geração de meninas, como se fosse apenas parte de crescer na África do Sul.
Esses avisos são proferidos por amor às filhas, irmãs e amigas, desejando que elas voltem para casa ilesas. No entanto, algo está desesperadamente errado quando isso se torna uma parte cotidiana da existência feminina, que mal contestamos.
Seis das oito mulheres cujos corpos foram encontrados em eCuxuleni ainda não foram oficialmente identificadas. Por trás desse número podem estar famílias que procuram, esperam uma ligação ou compartilham fotos porque ainda esperam que alguém tenha visto a mulher desaparecida.
Portanto, isso não pode se transformar em um sombrio jogo nacional de adivinhação sobre se há outro assassino em série na África do Sul. A polícia deve responder a essa pergunta, mas os outros devem perguntar por que é necessária a possibilidade de uma pessoa matar várias mulheres para que o país volte a enfrentar o quão inseguro as mulheres se sentem.
Cidade do Cabo fica a 1400 km daqui, mas sete anos atrás as mulheres estavam em frente ao Parlamento perguntando se seriam elas a próxima. Até este ponto, deveríamos ter superado essa questão. Em vez disso, ao observar mais oito mulheres se tornando objeto de investigação de assassinato, surge a pergunta: isso se tornou ainda mais assustador? Não é mais apenas 'serei eu a próxima?', é 'quando será a minha vez?'
