Novo evento em Valparaíso, Chile, une mestres da construção para preservar ofícios tradicionais
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Novo evento em Valparaíso, Chile, une mestres da construção para preservar ofícios tradicionais

Entre os dias 9 e 11 de outubro, o evento «Oficios en obra» (Ofícios em Ação) será realizado no Parque Cultural de Valparaíso, Chile. Este encontro visa ser uma plataforma de aprendizado e colaboração focada nos ofícios tradicionais de construção da cidade. Organizado pelo Município, o evento busca destacar e preservar os métodos históricos de trabalho relacionados à construção de Valparaíso, promovendo o reconhecimento dessas técnicas e garantindo sua continuidade entre as novas gerações por meio de atividades gratuitas e abertas ao público.

Valparaíso, outrora um porto vital do Oceano Pacífico Sul, exibe em sua arquitetura diversas aplicações de madeira estrutural, taipa (adobe) e tecnologias industriais importadas utilizadas no século XIX. Isso torna a cidade um objeto de estudo para os ofícios tradicionais e técnicas construtivas, que estão recuperando valor diante dos problemas modernos relacionados às mudanças climáticas e dificuldades econômicas, oferecendo um caminho alternativo para o futuro.

O objetivo principal do «Oficios en obra» é criar um espaço para troca de conhecimentos, aprendizado e trabalho conjunto em torno do patrimônio material e imaterial da cidade. Durante três dias, o evento reunirá mestres artesãos, especialistas do setor, instituições de ensino, empresas do setor, organizações de patrimônio e a comunidade local através de exposições de artesanato, workshops e roteiros urbanos. O programa, que inclui dois dias de música, prevê painéis de discussão, grandes palestras, seminários práticos, demonstrações ao vivo, sessões de troca de experiências, além de rotas e estandes organizados em torno de cinco eixos temáticos que abordam os desafios contemporâneos enfrentados por essas formas tradicionais de conhecimento.

Sendo o primeiro evento desse tipo na região, a iniciativa visa investigar a interconexão entre tradição e inovação, considerando a integração de novas tecnologias na preservação do patrimônio (o que geralmente implica o uso de métodos tradicionais ou materiais locais). A tarefa central do encontro é zelar pela conservação e transmissão do conhecimento, o que inclui estudar a interação entre especialistas, restauradores e empresas, o papel dos mestres altamente especializados, o desenvolvimento de escolas de ofícios e a identificação de práticas ameaçadas de extinção.

Um dos três eixos temáticos dedica-se à aplicação de conhecimentos tradicionais para promover métodos de construção mais sustentáveis, baseados no uso de materiais locais, gestão eficiente de recursos e preservação ambiental do patrimônio. Um quarto bloco temático, mais atual, aborda a questão da visibilidade das lacunas, barreiras e dificuldades enfrentadas por mulheres e pessoas com diversidade de gênero no setor, historicamente dominado por homens, trazendo uma perspectiva de gênero para o estudo dos bens culturais.

Por fim, o último foco temático do «Oficios en obra» direciona-se especificamente à cidade de Valparaíso e aos desafios relacionados à conservação e manutenção de seu patrimônio construído sob perspectivas material, regulatória e econômica. Em 2003, a UNESCO inscreveu o centro histórico de Valparaíso na Lista do Patrimônio Mundial devido ao seu valor universal excepcional, que transcende fronteiras e gerações. Essa decisão foi baseada no critério (iii) como «testemunho excepcional da fase inicial da globalização no final do século XIX, quando a cidade se tornou um principal porto comercial nas rotas marítimas da costa do Pacífico da América do Sul». O evento propõe discutir os desafios de gestão relacionados à implementação do Plano de Gestão do Patrimônio Mundial, restauração de habitações históricas, gestão de desastres e riscos, e recuperação do espaço público como bem comum.

Este primeiro encontro complementa outras iniciativas locais voltadas para a preservação da história, que é entendida não apenas como forma construída, mas também como modo de fazer e manter as coisas ao longo do tempo. Nos últimos três anos, o próprio Município de Valparaíso instituiu a Escola de Patrimônio Artesanal, oferecendo cursos gratuitos à comunidade por meio de sistema de inscrição. Os ciclos de treinamento incluem cursos de marcenaria, moldagem, construção em taipa e restauração de estátuas públicas, focando em técnicas e materiais encontrados nos edifícios e espaços públicos da cidade. Assim como o «Oficios en obra», o objetivo desta escola é estimular a criação conjunta de conhecimento sobre ofícios construtivos, além de fornecer à população mais ferramentas para compreender e desenvolver projetos de preservação do patrimônio.

Entre outras notícias recentes sobre preservação do patrimônio no mundo, destaca-se um novo projeto de espaço de trabalho em Londres, desenvolvido pelo coletivo de arte Assemble. Este projeto transforma um edifício classificado como Grau II* em um novo espaço de trabalho criativo e indústria leve. Desde sua fundação em 2010, o estúdio criou uma comunidade em torno do artesanato e do trabalho manual, fornecendo empregos criativos e leves industrialmente, resilientes às forças de mercado, atuando como plataforma para um trabalho ecologicamente e socialmente responsável.

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De 15 a 18 de outubro, Tiradentes se converte novamente em um grande polo de design, arte, artesanato, gastronomia e cultura nacional com a realização da 10ª Semana Criativa de Tiradentes. Este evento espalhará sua programação por 22 locais distribuídos em 17 endereços da cidade, utilizando casarões históricos e outros pontos urbanos para sediar exposições, lojas, oficinas, palestras, encontros e intervenções artísticas.

A edição deste ano contará com a participação de mais de 80 palestrantes e espera superar as 200 atividades realizadas na edição anterior. Entre os participantes confirmados estão o artista visual Thiago Rocha Pitta, o confeiteiro Lucas Corazza, a future thinker Andrea Bisker, a arquiteta Lígia Agostini, o artista do bambu Marcelo Maia, a pesquisadora de moda e biomateriais Tainah Fagundes, a urbanista social Ester Carro, o designer quilombola Dih Morais e a cientista de dados Zaika dos Santos. Além disso, estão previstos debates com a Família Dumont e o ator Luis Melo.

O artista local Vinicius Rosa Rios foi escolhido como homenageado desta edição. A divulgação da grade completa de eventos ocorrerá em 5 de outubro. Um aspecto central da Semana é incentivar o público a percorrer Tiradentes, permitindo transitar entre exposições, oficinas, lojas de design autoral e conversas, descobrindo diversas expressões da cultura brasileira.

Casa Criativa

Um dos principais focos do festival é a Casa Criativa, instalada em um casarão histórico. Este espaço serve tanto para exibir obras fruto da colaboração entre artesãos e designers brasileiros quanto como uma loja dedicada ao design autoral. A agenda inclui palestras, discussões sobre sustentabilidade e oficinas, como o tradicional Agulhaço, focado em bordado.

Casa Pará

A cultura amazônica ganha destaque na Casa Pará, onde designers e artesãos vindos do Norte expõem trabalhos que unem técnicas tradicionais ao design contemporâneo. Os visitantes poderão conferir coleções de design colaborativo feitas com miriti, exposições de artesanato manual e intervenções artísticas acompanhadas de tecnobrega. A programação também contempla experiências gastronômicas inspiradas na região.

Casa Mata Atlântica

Na Casa Mata Atlântica, o foco é o encontro entre artesanato, literatura e gastronomia, dedicando-se a criações ligadas ao bioma Mata Atlântica. Este local agrega pequenos produtores e projetos que utilizam insumos da floresta e técnicas associadas aos seus locais de origem.

Casa Arado

Para quem tem interesse na cultura rural brasileira, a Casa Arado oferece um ambiente dedicado ao imaginário caipira. Localizada em um casarão histórico, ela funciona como galeria de arte gráfica vintage e loja conceitual. Lá estão disponíveis cartazes, gravuras, artigos de papelaria e produtos de mercearia artesanal, resgatando referências visuais e objetos ligados ao universo rural.

O design contemporâneo do Ceará também participa do evento em Tiradentes, apresentando peças que mesclam artesanato tradicional com a criação de mobiliário. Este espaço exibe trabalhos de nomes como Érico Gondim e Leo Ferreiro, explorando materiais como palha e argila, além de referências da cultura popular cearense.

Uma novidade da décima edição é a presença na Casa D’Preto, no Casarão Ramalho, sede do Iphan. Sob a curadoria dos arquitetos e urbanistas Pedro Rubens e Heloisa Nascimento, este espaço centraliza saberes, técnicas e produções de matriz africana. Em destaque está a exposição Orí-gem, com obras de artistas como Bruno Henrique de Souza, Hudson Silveira, Selma Maria e Elizabeth Ramos. O local também sediará o I Encontro Nacional do HUB Arquitetura D’Preto, reunindo representantes de 16 estados brasileiros e Lisboa, além do lançamento da Plataforma Arquitetura D’Preto, que visa conectar clientes a profissionais negros da construção civil. O documentário A Casa D’Preto, dirigido por Daniel Pereira e Tainara Matos, também será exibido.

Casa Rio

Outra estreia é a Casa Rio, um espaço-conceito concebido por Didi Maakaröun, do Conceito MAADI, e Vivi Baldeija, da Capivara do Vale. Sua proposta é oferecer uma visão moderna da cultura fluminense através de design autoral, arte e artesanato.

O mercado também ganha um ponto de venda novo com a Villa da Matriz, onde marcas, artesãos e pequenos produtores de diversas regiões do Brasil expõem peças de produção própria, proporcionando oportunidades de compra durante o festival.

Além dos quatro dias de outubro, a Escola da Semana Criativa mantém encontros e imersões ao longo do ano, conectando designers, arquitetos e artesãos da região. Esta iniciativa busca disseminar técnicas e conhecimentos, ampliando o impacto do festival na comunidade de Tiradentes para além do período de visitação.

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