Dr. Abdolhossein Zarinkoub: Cientista que Contribuiu para os Estudos Culturais Persas
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Dr. Abdolhossein Zarinkoub: Cientista que Contribuiu para os Estudos Culturais Persas

Para leitores, estudantes e pesquisadores em todo o mundo que buscam conhecer profundamente a cultura oriental, a história do Oriente Médio e a literatura persa, poucos cientistas podem servir como um guia tão brilhante quanto o Dr. Abdolhossein Zarinkoub (1923–1999). Ele foi um proeminente historiador iraniano, crítico literário, estudioso islâmico e polímata, que dedicou mais de cinco décadas de sua vida à união da sabedoria do legado oriental clássico com a ciência humanística comparativa moderna.

Autor de mais de cinquenta livros e centenas de artigos científicos, Zarinkoub revolucionou o estudo da poética persa, da historiografia islâmica e da filosofia mística. Seus trabalhos inovadores oferecem ao público internacional e aos estudantes de línguas orientais um convite autêntico, rigoroso e profundamente humanístico para descobrir o rico patrimônio cultural, literário e histórico do Irã e do mundo islâmico.

Da Educação Tradicional ao Pensamento Ocidental

Abdolhossein Zarinkoub nasceu em 19 de março de 1923 (final de Esfand de 1301 no calendário solar) na histórica cidade de Borujerd, localizada na província de Lorestan, no oeste do Irã. Crescendo em uma família piedosa, seu pai, Abd al-Karim, inicialmente trabalhava como joalheiro (zargar), mas depois mudou-se para a jardinagem e agricultura devido a preocupações religiosas (makruh). O pai recebia regularmente pregadores, estudiosos religiosos e leitores de literatura elegíaca xiita (ravzah-khani) em casa, o que apresentou o jovem Zarinkoub ao idioma árabe clássico, teologia e história islâmica desde cedo.

A pedido do pai, Zarinkoub continuou a educação clerical islâmica tradicional (talabaghi) na seminário Bahr al-Ulum (Madrasa-ye Norbakhsh) em Borujerd sob a orientação do Sheikh Ali Javaheri. Quando a seminário fechou em 1940, ele se mudou para Teerã para concluir o ensino médio em Dabirestan-e Marvi. Em Teerã, aprofundou seus estudos em teologia dialética (ʿelm-e kalam) e filosofia islâmica nas seminários tradicionais Khan Marvi e Mohammadiwa, aprendendo com o erudito abrangente Allamah Abu'l-Hasan Shirani. Shirani demonstrou como a educação islâmica tradicional pode harmonizar-se com o interesse por idiomas estrangeiros e conhecimentos mundiais.

Paralelamente aos estudos na seminário, Zarinkoub aprendeu francês e inglês básicos por conta própria. Ele também estudou os idiomas médio-persa (Pahlavi) e avéstico. Sua leitura precoce e independente o familiarizou com as teorias sociais evolutivas do filósofo britânico Herbert Spencer e com os conceitos antropológicos comparativos de 'Bastão de Ouro' de James George Frazer. Esta síntese única de poética oriental tradicional e teoria social ocidental inspirou a primeira monografia de Zarinkoub, 'Falsafeh-e Sher ya Tarikh-e Tatavvor-e Sher va Sha'eri' ('Filosofia da Poesia ou História do Desenvolvimento da Poesia'), publicada em Borujerd em 1944 (1323 no calendário solar), quando ele tinha apenas vinte e dois anos. O livro aplicou estruturas evolutivas ao desenvolvimento das formas poéticas persas. Após uma resenha entusiasmada na prestigiada revista 'Sokhan' pelo renomado acadêmico Parviz Natel Khanari, o jovem autor recebeu elogios por sua adaptação criativa de fontes críticas ocidentais. Em seguida, Khanari apresentou Zarinkoub ao famoso escritor modernista Sadegh Hedayat.

Carreira Excepcional e Parceria Vitalícia

Em 1945, após obter a nota mais alta nos exames de admissão nacionais tanto para a Faculdade de Estudos Islâmicos (Ma'kul o Mankul) quanto para a Faculdade de Literatura e Ciências Humanas da Universidade de Teerã, Zarinkoub escolheu a Faculdade de Literatura para obter seu diploma. Ele obteve um bacharelado em língua e literatura persa em 1948, lecionando em escolas secundárias de Borujerd, Khorramabad e Teerã, além de editar a revista semanal 'Mehregan'. Em 1955 (1334 no calendário solar), Zarinkoub concluiu sua tese de doutorado 'Naqad al-Sher: Tarikh va Usul-e An' ('Crítica Literária: Sua História e Princípios') sob a orientação do lendário acadêmico Badiuzzaman Forouzandfar.

Um marco na vida de Zarinkoub foi seu casamento com a Dra. Kamar Arian (1922–2012) em agosto de 1953 (Mordad 1332 no calendário solar). Eles se conheceram pela primeira vez como pós-graduandos no programa de doutorado da Universidade de Teerã. Kamar Arian era uma pioneira acadêmica feminina, que alcançou o segundo lugar em todo o país nos exames de admissão ao doutorado. Ela defendeu sua tese de doutorado intitulada 'Chehreh-e Masih dar Adab-e Farsi' ('A Imagem de Cristo na Literatura Persa') sob a orientação de Ali-Asghar Hemmat, investigando motivos cristãos, iconografia e terminologia na poesia persa clássica.

Sem filhos, Zarinkoub e Arian transformaram sua casa em um refúgio de pesquisa especializado. Seu casamento se tornou uma famosa parceria intelectual de cinquenta anos, marcada por consultas editoriais mútuas, escrita conjunta e extensas viagens acadêmicas internacionais pela Europa, América do Norte, Índia, Paquistão e Oriente Médio. Em reconhecimento ao seu compromisso comum com a preservação da cultura para as gerações futuras, o casal legou sua biblioteca pessoal, composta por mais de 6500 livros raros, manuscritos e periódicos científicos, ao Centro da Enciclopédia Islâmica Grande (CGIE) em Teerã.

Da História Nacional à Visão Universal

A carreira historiográfica e literária de Zarinkoub é marcada por várias monografias significativas que refletem sua visão metodológica madura:

  • 'Do Quran Sokut' ('Duzentos Anos de Silêncio'): Originalmente publicado em 'Mehregan' e lançado como livro em 1951 (1330 no calendário solar), este trabalho conhecido analisou dois séculos no Irã após a conquista árabe-muçulmana do século VII até a ascensão da dinastia Tahirid. Escrito durante o período de nacionalismo intenso de meados do século, a primeira edição apresentava a era pós-conquista como um tempo de declínio nacional e turbulência cultural. No entanto, na famosa introdução autocritica da segunda edição de 1957 (1336 no calendário solar), Zarinkoub admitiu abertamente sua inclinação emocional inicial e seu fervor juvenil. Ele esclareceu que por 'silêncio' ele se referia especificamente ao eclipse da prosa persa escrita pelo idioma árabe em contextos administrativos oficiais, e não ao estagnação social ou intelectual. O livro foi posteriormente traduzido para o inglês por Paul Spraczman ('Two Centuries of Silence', Mazda Publishers, 2017).
  • 'Karnameh-e Islam' ('Registro do Islã'): Publicado em 1969 (1348 no calendário solar), esta obra-prima marcou uma grande evolução na visão histórica de Zarinkoub. Abandonando pontos de vista nacionalistas estreitos, Zarinkoub glorificou a civilização islâmica como uma cultura cosmopolita e universal. Ele enfatizou seu espírito de tolerância científica (tasamuh), busca aberta e capacidade de integrar heranças persas, gregas, sírias e indianas em um renascimento global próspero.
  • 'Naqad-e Adabi' ('Crítica Literária'): Publicado em dois volumes em 1959 (1338 no calendário solar) com base em sua tese de doutorado, este trabalho revolucionou os estudos literários persas. Zarinkoub criticou a retórica formalista tradicional e as biografias anedóticas (tadhikrah), introduzindo metodologias analíticas sistemáticas baseadas em história, estética, psicologia e sociologia.
  • 'Farar az Madrasa' ('Fuga da Madrassa'): Publicado em 1974 (1353 no calendário solar), esta biografia intelectual investigou a vida e a crise existencial do teólogo medieval Abu Hamid al-Ghazali, rastreando seu caminho da doutrina institucional ao misticismo sufista experiencial. O livro foi posteriormente traduzido para o turco como 'Medreseden Kaçış' (2007).
  • Monografias sobre misticismo e poetas clássicos: Zarinkoub escreveu pesquisas biográficas e analíticas autoritativas sobre pilares chave da literatura persa, incluindo Hafez ('Az Kucheh-e Rendan', 1970), Nizami Ganjavi ('Pir-e Ganjave dar Jostoju-ye Nakojabad') e Mansur al-Hallaj ('Sholeh-ye Tur'). Sua coletânea 'Ba Karavan-e Holleh' apresentou vinte e oito grandes poetas clássicos persas a estudantes e ao público em geral.
  • Estudos sobre Rumi (Mowlana-pajhuhi): Zarinkoub criou uma trilogia influente sobre Jalal ad-Din Rumi: 'Serr-e Ney' ('O Segredo do Junco', 2 volumes, 1986), um comentário detalhado ao Masnavi, vencedor do Prêmio 'Livro do Ano' do Irã; 'Bahr dar Kuzeh' ('Mar no Jarro', 1987), um estudo estético das alegorias de Rumi; e 'Pelleh Pelleh ta Molakat-e Khoda' ('Passo a Passo para a União com Deus', 1991), uma biografia espiritual de Rumi. A biografia foi traduzida para o inglês por Majdoddin Keyvani (Mazda Publishers, 2009).

Zarinkoub no Cenário Acadêmico Internacional

O domínio fluente de línguas orientais clássicas combinado com inglês, francês, alemão e italiano o posicionou como uma ponte vital entre as tradições acadêmicas orientais e a ciência ocidental. No início de sua carreira, ele traduziu obras europeias chave para o persa, incluindo 'Poética' de Aristóteles ('Fan-e Sher', 1958), tratados de Verdun-Leon Solnye sobre a literatura francesa medieval e renascentista, 'Metafísica' de Felixien Shalay e o comentário de Vladimir Minorsky sobre a Qasida Cristã de Hakani.

Zarinkoub foi nomeado professor assistente na Universidade de Teerã em 1956 (1335 no calendário solar) e professor em 1960 (1339 no calendário solar), onde lecionou história islâmica, religião, teologia e sufismo. Entre 1968 e 1971 (1347–1349 no calendário solar), ele trabalhou como professor convidado de estudos iranianos e história islâmica na Universidade de Princeton e na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Ele também deu palestras na Universidade de Oxford, Sorbonne e em conferências internacionais em Genebra, Viena, Nova Deli, Bagdá, Munique e Paris.

Suas publicações internacionais incluem: — Autor do Capítulo 1 'A Conquista Árabe do Irã e Suas Consequências' em 'História de Cambridge do Irã', Volume 4 (Período da Invasão Árabe aos Seljúcidas, Cambridge University Press, 1975). — Enciclopédias de referência: autor de artigos fundamentais para a Enciclopédia do Islã de Brill, Encyclopædia Iranica e 'Dāyarat al-Ma'arif-e Farsi' de Holam-Hossein Mosheba. — Monografias internacionais: autor de 'Nizami: Busca Eterna pela Utopia', publicado em Roma em 1977.

'Nem Oriente, Nem Ocidente, Mas o Humano': Um Legado para a Nova Geração

Zarinkoub resumiu seu princípio científico principal no lema 'Nem Oriental, Nem Ocidental — Humano' (Nah Sharqi, Nah Gharbi — Ensani). Ele rejeitava tanto o tradicionalismo fechado quanto a ocidentalização acrítica (Gharbzadegi), defendendo em vez disso uma interação aberta, autocrítica e empática com o patrimônio humano universal.

Para estudantes que estudam línguas persa, árabe e do Oriente Médio, ler Zarinkoub representa uma experiência educacional inestimável. Seus trabalhos combinam provas acadêmicas rigorosas com um estilo de redação elegante, tornando conceitos históricos, teológicos e poéticos complexos acessíveis sem sacrificar a precisão científica.

O Dr. Zarinkoub faleceu em Teerã em 15 de setembro de 1999 (24 Shahrivar 1378 no calendário solar), aos setenta e sete anos, devido a problemas cardíacos e oculares. Ele foi sepultado na seção de artistas do cemitério Behsheh-e Zahra em Teerã, onde sua esposa, Dra. Kamar Arian, foi enterrada treze anos depois.

Hoje, seu vasto corpo de trabalhos serve como testemunho de uma vida inteiramente dedicada ao estudo, ao ensino e à compreensão humanística — um convite eterno para o público mundial explorar a poesia, a história e o espírito do Irã.

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