Especialistas defendem a responsabilidade das plataformas em vez da proibição de acesso às redes sociais para crianças
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Especialistas defendem a responsabilidade das plataformas em vez da proibição de acesso às redes sociais para crianças

Especialistas afirmam que garantir a segurança das crianças na internet requer uma abordagem mais complexa do que apenas restringir o acesso às redes sociais para usuários com menos de 16 anos. Embora minimizar riscos como algoritmos viciantes, cyberbullying e grooming seja uma prioridade óbvia, os especialistas enfatizam a necessidade de responsabilização das próprias plataformas e da implementação de princípios de segurança por design para criar um ambiente digital verdadeiramente seguro.

Alguns países, como a Austrália, já adotaram leis relevantes, e a Nova Zelândia desenvolveu legislação proposta.

Belinda Matore, advogada e candidata a LLD especializada em direitos digitais infantis e regulamentação de plataformas na Universidade Sul-Africana de Pretória, reconheceu a existência de argumentos válidos para restringir o acesso de adolescentes com menos de 16 anos às redes sociais. No entanto, ela expressou preocupações sobre uma proibição geral, especialmente no que diz respeito aos direitos das crianças.

Na opinião dela, as redes sociais oferecem às crianças oportunidades educacionais, sociais e de autoexpressão, portanto, qualquer proibição deve encontrar um equilíbrio entre o dano potencial e os direitos das crianças à informação, expressão e privacidade. Além disso, a implementação da verificação de idade levanta questões sobre a privacidade dos dados das crianças de acordo com a Lei de Proteção de Informações Pessoais (POPIA).

Matore salientou que uma proibição total não deve substituir uma regulamentação mais ampla das plataformas. Em vez disso, deve ser adotada uma abordagem baseada na avaliação de riscos, que deve abranger o design da plataforma, a verificação de idade, a privacidade, o princípio de segurança por design e a responsabilidade geral das plataformas.

Ela observou que os dados sobre quão eficazes são as proibições gerais de idade na redução do uso de redes sociais por adolescentes ainda são inconclusivos e preliminares. Revisões de estudos sobre a lei australiana de idade mínima mostram um impacto imediato insignificante. Outros estudos apontam para problemas de conformidade e contorno das restrições. Pesquisas adicionais são necessárias para avaliar os efeitos a longo prazo no sono, saúde mental e educação.

Matore também mencionou que os pais podem definir limites de tempo de tela, mas o controle de sua adesão é dificultado ao usar vários dispositivos ou métodos de contorno. Além disso, a qualidade do tempo gasto online varia: conteúdo educacional difere significativamente dos feeds personalizados por algoritmos para aumentar o engajamento.

Em sua conclusão, a atenção regulatória deve se concentrar não apenas na duração da permanência das crianças online, mas também nas funções que as plataformas são projetadas para desempenhar na presença de crianças. Em última análise, a segurança das crianças na internet não pode recair exclusivamente sobre os ombros das próprias crianças e pais; as plataformas também devem ser responsáveis por criar um ambiente digital mais seguro.

Adeshini Naiker, diretora da Childline KwaZulu-Natal, acredita que a proibição pode fornecer alguma proteção para crianças mais novas e colocar uma maior responsabilidade nas empresas de redes sociais para proteger as crianças em suas plataformas. No entanto, ela alertou que uma proibição sozinha não é suficiente para resolver o problema.

Naiker acrescentou que as crianças continuarão a procurar usar redes sociais e algumas conseguirão contornar as restrições impostas. É também necessário considerar a possibilidade de as crianças migrarem para outras plataformas onde o nível de proteção é ainda menor. Para a África do Sul, em sua opinião, é importante analisar cuidadosamente o que é realista e controlável. A proibição deve ser acompanhada por trabalho educativo para crianças, pais e professores sobre segurança online, e deve exigir maior responsabilidade das empresas de redes sociais na proteção das crianças.

Naiker citou a Austrália como um exemplo principal, pois foi a primeira a adotar tal legislação, embora pesquisas iniciais mostrem que as crianças contornam essas restrições. Ela enfatizou que é prematuro tirar conclusões sobre o impacto a longo prazo e que são necessários estudos adicionais. Para ela, a questão chave para a África do Sul não é se deve proibir redes sociais para crianças menores de 16 anos, mas sim o que realmente ajudará a tornar as crianças mais seguras online. Ela também observou que, embora a proteção das crianças contra perigos online seja importante, é preciso garantir que nenhuma legislação crie novos riscos. O foco deve ser na formação de um ambiente online seguro, e não apenas na exclusão das crianças das redes sociais.

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