Estudo revela que caçadores há 15 mil anos adaptavam a caça aos ciclos anuais da cabra-montesa
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Estudo revela que caçadores há 15 mil anos adaptavam a caça aos ciclos anuais da cabra-montesa

Uma investigação publicada na revista científica International Journal of Osteoarchaeology aponta que caçadores há cerca de 15 mil anos ajustavam suas práticas de caça aos ciclos naturais da cabra-montesa.

Os pesquisadores envolvidos vieram dos Institutos Universitários de Investigação em Ciências Ambientais (IUCA) e em Património e Humanidades (IPH) da Universidade de Saragoça, localizada na Espanha. Eles trabalharam em parceria com cientistas da Universidade de Pisa e do Museu Nacional de História Natural de França.

A pesquisa focou-se em restos de cabra-montesa encontrados em um sítio de ocupação do período Magdalenense, que corresponde a uma das fases finais do Paleolítico Superior. Esses restos foram escavados nas décadas de 1980 e 1990 por Pilar Utrilla.

Rafael Domingo, pesquisador do IPH e coordenador dos trabalhos realizados em Chaves, esclareceu que a caverna continua a oferecer dados de alta qualidade. Entre essas informações, está o registro de que, há pouco mais de 15 mil anos, um grupo de caçadores utilizava esse local de maneira frequente para abater cabras-montesas, aproveitando a proximidade com as áreas rochosas da Serra de Guara.

Os achados demonstram que a caça não era resultado de encontros acidentais com os animais, mas sim uma atividade planejada e repetitiva, realizada em momentos específicos do ciclo anual desses animais.

Para chegar a essas conclusões, a equipe realizou uma combinação de análises: estudaram a idade dos animais e examinaram os isótopos preservados no esmalte dentário. Alejandro Sierra, investigador da Universidade de Pisa e responsável pelo estudo do esmalte dentário, explicou que os dentes funcionam como um «arquivo natural», pois registram informações ambientais e alimentares durante sua formação.

Esses indicadores permitiram identificar a sazonalidade, os padrões reprodutivos e os prováveis deslocamentos dos rebanhos. Os dados revelaram uma reprodução nitidamente sazonal, com nascimentos concentrados em certos períodos do ano, e apontaram para movimentações regulares das cabras dentro da Serra de Guara, provavelmente ligadas à disponibilidade de recursos em cada estação.

Sierra ressaltou que os sinais encontrados nos dentes são consistentes com episódios de caça recorrentes que coincidem com esses momentos do ciclo anual. Além disso, o estudo avaliou a posição da caverna de Chaves na paisagem, concluindo que sua localização favorecia a conexão entre diferentes setores da serra e proporcionava um ambiente ideal para monitorar e aproveitar os movimentos dos animais.

Em suma, a investigação descreveu comunidades que possuíam um profundo conhecimento do ambiente montanhoso e empregavam uma estratégia adaptável para utilizar os recursos disponíveis.

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