Em uma transmissão televisiva oficial, a ministra presidente do Banco Central de Cuba (BCC), Juana Lilia Delgado Portal, informou que as mudanças propostas visam restabelecer o papel fundamental dos bancos na economia. Segundo ela, o setor bancário deve assumir funções cruciais, tais como oferecer empréstimos, simplificar os processos de recebimento e pagamento, desenvolver novos serviços e produtos conforme as demandas dos clientes, e expandir tanto o acesso quanto a qualidade dos serviços financeiros.
A responsável detalhou que o BCC organizou essas reformas em quatro grandes áreas: abertura e capitalização; crédito, poupança e financiamento; inovação e novos canais; e mercado cambial e remessas. Ela ressaltou que o objetivo é estabelecer mecanismos seguros para direcionar fluxos financeiros que hoje ocorrem fora do sistema bancário, o que deve fortalecer a funcionalidade e a conversibilidade da moeda local.
Por sua vez, o vice-presidente do BCC, Alberto Quiñones Betancourt, afirmou que as transformações deverão levar a um sistema financeiro e bancário caracterizado pela agilidade e modernidade. No que tange à abertura e capitalização, foi projetado um sistema mais diversificado e abrangente, permitindo a inclusão de novos atores, incluindo instituições financeiras com capital proveniente de fontes estatais, privadas e estrangeiras.
No entanto, Delgado Portal alertou que a abertura não implica a ausência de regulamentação. Os novos participantes deverão aderir às normas definidas pelo BCC, apresentando a documentação necessária e obtendo uma licença antes de operar, estando posteriormente sujeitos a mecanismos de fiscalização.
Sobre o mercado de câmbio, Quiñones destacou a necessidade de o país possuir um mercado de divisas mais seguro, eficiente e eficaz, capaz de garantir que os recursos em moeda estrangeira sejam utilizados de maneira mais produtiva na economia. Entre as alterações mencionadas, está a introdução de casas de câmbio privadas, sendo que uma delas já opera na cidade de Santa Clara.
Esses planos fazem parte de um pacote maior de 176 reformas econômicas e sociais aprovadas pelo Governo em junho, cujo propósito é promover a descentralização e a liberalização da economia cubana, que enfrenta uma crise profunda decorrente de fatores internos e externos. Atualmente, cerca de 88% dessas reformas possuem amparo legal, e espera-se que mais 17 legislações recebam aprovação em setembro, segundo fontes governamentais.
Entre as novas leis previstas está a Lei da Terra Agropecuária e Florestal de Cuba, que estabelece, pela primeira vez, os princípios que governam a posse, o uso e o usufruto da terra por tempo indeterminado, além de fomentar maior abertura ao comércio e ao investimento, e permitir a contratação direta de mão de obra.
Toda essa implementação ocorre em meio a uma séria crise econômica que atinge Cuba há seis anos, situação que se agravou desde janeiro com o início do bloqueio petrolífero pelos Estados Unidos, acompanhado de diversas sanções destinadas a forçar alterações políticas e econômicas na ilha. A crise manifesta-se através da escassez de suprimentos básicos como alimentos, medicamentos e combustível, apagões diários prolongados, inflação descontrolada e um aumento na dolarização.
