Apesar de serem pequenos e adoráveis, os chihuahuas são notórios por um temperamento singular, manifestando latidos, tremores, grande energia e, ocasionalmente, mordidas nos membros inferiores dos humanos. A razão desse comportamento em cães com peso inferior a três quilos ainda não foi completamente elucidada pela comunidade científica.
Uma investigação recente conduzida pela Universidade de Stanford, localizada nos Estados Unidos, buscou respostas analisando o DNA dos chihuahuas e descobriu um achado surpreendente: esses cães possuem segmentos de DNA em comum com coiotes selvagens. Os resultados dessa pesquisa foram divulgados em julho na revista científica Nature Communications.
Os cientistas empregaram softwares utilizando a técnica LAI (Inferência de Ancestralidade Local), que funciona examinando o genoma de uma espécie e comparando-o com o de outros animais para identificar ancestrais compartilhados.
O estudo focou no material genético dos chihuahuas e dos xolos, ambos reconhecidos como raças de cães mexicanos. Pesquisas anteriores já haviam indicado que esses animais possuíam traços genéticos incomuns, sugerindo a necessidade de estudos mais aprofundados.
Enquanto a maioria dos cães domésticos nas Américas descende a espécies europeias trazidas durante a colonização, perdendo grande parte de suas características pré-colombianas, os xolos e chihuahuas mantêm vestígios genéticos de animais que habitavam o continente antes da chegada dos colonizadores.
Nesses cães, a ancestralidade pré-colombiana era estimada em cerca de 4% nos chihuahuas e 3% nos xolos, mas a origem exata dessa herança era desconhecida.
Embora a nova pesquisa não tenha resolvido todo o mistério, ela confirmou que um desses ancestrais é o coiote selvagem, animal nativo da América do Norte. Foi constatado que diversos trechos do material genético dos chihuahuas também foram identificados nos coiotes.
Não é possível determinar com exatidão como ou quando as linhagens de chihuahuas e coiotes se cruzaram; isso poderia ter sido um evento fortuito ou resultado de uma intenção deliberada de cruzamento entre as espécies. Contudo, a principal teoria aponta que essas misturas genéticas ocorreram com os chihuahuas antes mesmo da colonização americana.
Adicionalmente, o estudo não especifica quais características dos chihuahuas são provenientes dos coiotes. Em relação à diferença de porte entre as espécies, uma das hipóteses levantadas sugere que isso pode ter sido resultado da seleção humana de cães menores ao longo da história.
