A Villa Yandara, desenvolvida pela Padovani Arquitetos e localizada em Trancoso, foi concebida com o objetivo de incorporar a essência tropical da costa brasileira em cada detalhe de sua arquitetura. O projeto transcende a função de mera moradia, propondo-se a ser uma experiência sensorial contínua, onde a paisagem se integra ativamente ao espaço habitado, deixando de ser apenas um cenário.
A volumetria da residência se estende transversalmente sobre um terreno nivelado, que é delimitado pela flora local, a qual se mescla ao paisagismo planejado, guiando o visitante até a casa. No nível do térreo, a arquitetura está disposta perpendicularmente ao desenho da piscina, que se projeta em direção ao mar e é cercada pelo traçado do paisagismo, sinalizando a continuidade que permeia todo o projeto.
O pavimento térreo funciona como uma lâmina transversal, estando no mesmo nível da via pública. A entrada na residência ocorre no centro do volume, flanqueada por um espelho d'água que enquadra a chegada e já sugere o caráter contemplativo do lar. Ao entrar, o olhar é direcionado diretamente para a área externa e o oceano, sem barreiras físicas; os limites entre o interno e o externo se desfazem sutilmente, auxiliados por aberturas no piso que abrigam jardins densos e conduzem o percurso do hall de entrada aos demais cômodos.
Os espaços privados estão localizados à direita, compreendendo três suítes — sendo uma delas a suíte master — além de um home theatre. Já à esquerda, encontram-se as áreas de convivência, incluindo sala de estar, sala de jantar, cozinha, área gourmet, sauna e vestiário.
O acesso ao andar superior é feito por uma escada em espiral central, um ponto de destaque arquitetônico revestido em biriba, material que define a linguagem geral da casa. No piso superior, dois blocos são conectados por uma passarela: um bloco abriga a suíte master, com quarto, banheiro, closet e um deck com jardim particular; o outro contém três suítes adicionais, uma das quais possui deck e jardim de uso comum, acessível do pavimento inferior por uma escada dedicada.
A materialidade é o fator primordial que confere a tropicalidade ao projeto. A estrutura utiliza madeira laminada colada (MLC) para organizar a cobertura em uma série rítmica de ripas que formam a fachada e suportam o forro em biriba. Essa estrutura é amparada por pilares metálicos estrategicamente posicionados na varanda externa, garantindo que não haja interferência na composição ou na vista para o mar. A biriba é utilizada como acabamento principal em forros, painéis, paredes e na escada, dialogando com o tresuno, um material de aspecto mais frio, aplicado em paredes e forros para equilibrar o toque tropical com o contemporâneo.
No que tange ao projeto de interiores, a madeira reaparece em móveis selecionados e revestimentos de marcenaria. Pedras verdes são empregadas nas áreas úmidas, contrastando com o tresuno e harmonizando-se com a marcenaria. Os móveis, caracterizados por um desenho orgânico e contemporâneo, apresentam tonalidades de verde, azul e bege, criando uma conexão visual com a paisagem circundante, e são complementados por obras de arte que acentuam a atmosfera tropical em todos os ambientes.
O paisagismo estabelece um diálogo direto com a natureza que cerca a residência. Um mosaico de pedras demarca os caminhos externos, conduzindo o acesso à casa e contornando toda a área de lazer. A piscina está disposta perpendicularmente ao volume construído, alinhando o eixo do hall de entrada com a vista para o mar e formando o principal enquadramento da casa. A vegetação, organizada em canteiros orgânicos, é posicionada para manter a visão desimpedida do oceano, ao mesmo tempo em que se integra ao ambiente existente, utilizando espécies nativas e tropicais para alcançar uma harmonia constante com o local.


