Imagens de Vênus mostram formato de lua crescente durante ocultação lunar
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Imagens de Vênus mostram formato de lua crescente durante ocultação lunar

Durante a segunda-feira, dia 14, ocorreram eventos astronômicos envolvendo Vênus em diferentes partes do planeta Terra. Em certas regiões, foi registrada uma ocultação lunar de Vênus, enquanto em outras, os dois corpos celestes apareceram próximos no céu, gerando imagens notáveis.

Os registros desse fenômeno não apenas evidenciaram a proximidade entre os astros, mas também revelaram que Vênus exibia uma forma assemelhando-se à de uma lua crescente. Contudo, essa aparência esconde uma característica crucial sobre o estágio atual do planeta: ele está em fase minguante.

O astrofotógrafo francês Thierry Legault capturou este momento em Le Mans, na França, registrando Vênus emergindo atrás da Lua. Ele descreveu a cena para o Spaceweather.com como sendo de “dois crescentes lado a lado”.

A semelhança com a lua crescente não é meramente visual; Vênus realmente adota esse formato, mas a área iluminada do planeta está em redução. Atualmente, 28% do disco venusiano está voltado para nós e banhado pelo Sol. Prevê-se que, em uma semana, essa porcentagem caia para cerca de 22%, e em 30 de setembro, será de apenas 15%, indicando que ele está minguando.

É importante distinguir a terminologia: a classificação como “crescente” refere-se à configuração geométrica do disco, que se manifesta como um arco luminoso no firmamento. Já o termo “minguante” descreve a proporção da superfície que permanece iluminada. Assim, embora o arco mantenha sua curvatura, ele se torna progressivamente mais estreito ao longo dos dias.

Essa alteração visual também está ligada à distância entre Vênus e a Terra. Quando o planeta se aproxima, sua porção iluminada diminui, ao passo que seu tamanho aparente no céu aumenta. Essa combinação explica o brilho intenso que ele mantém, mesmo com apenas uma pequena seção de sua face solar visível.

Marcelo Zurita, astrônomo e presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) e diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON), comentou que nem todos os planetas apresentam um ciclo de fases tão evidente quanto o da Lua. Somente os planetas internos — Mercúrio e Vênus — demonstram variações comparáveis às lunares, embora seja desafiador observá-los nas fases nova e cheia devido à proximidade angular com o Sol durante as conjunções. Os planetas externos, localizados além da órbita terrestre, exibem apenas as fases cheia e gibosa.

Enquanto a Lua mantém uma proximidade constante conosco ao longo de seu ciclo por orbitar a Terra, Vênus orbita o Sol, o que provoca variações significativas em sua distância em relação ao nosso planeta.

Detalhes sobre a observação de Vênus

Quando Vênus se aproxima da Terra, percebemos uma fatia menor de seu lado iluminado. Em contraste, o planeta aparece maior para o observador terrestre por causa dessa proximidade. Essa dinâmica possibilita que um Vênus em formato de arco permaneça extremamente brilhante.

Zurita esclarece que a duração de cada fase anual depende da disposição relativa dos corpos celestes. Ele afirma que, para os planetas internos à Terra (Mercúrio e Vênus), as fases nova e cheia são invisíveis devido à conjunção solar. No entanto, quando vistos logo após o pôr do Sol, eles estão saindo da conjunção superior (fase cheia) e caminhando para a conjunção inferior (fase nova), estando, portanto, em fase minguante. Por outro lado, quando são observados no final da madrugada, significa que estão deixando a conjunção inferior para ir à superior, caracterizando a fase crescente.

Segundo a plataforma Time And Date, a conjunção solar inferior, agendada para 24 de outubro, colocará Vênus a menos de 41 milhões de quilômetros da Terra. Neste momento, sua face iluminada será praticamente imperceptível, pois estaremos voltados para seu lado noturno, configurando algo geometricamente parecido com a Lua Nova.

Na conjunção solar superior, o planeta estará posicionado no lado oposto do Sol. Nesta etapa, quase toda a face voltada para a Terra estará iluminada, resultando em uma aparência semelhante à de uma “Vênus cheia”, apesar de estar em seu ponto mais distante de nós.

Para observação a olho nu, Vênus sempre se apresentará como um ponto luminoso intensamente brilhante. Para visualizar sua curva iluminada e acompanhar a mudança de fases, é imprescindível o uso de instrumentos ópticos. Binóculos apropriados já permitem notar a fase, mas um pequeno telescópio oferece uma nitidez muito superior para observar o disco parcialmente iluminado.

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