A União Europeia está preparando restrições ao acesso de menores de 15 anos a chatbots de inteligência artificial e outras plataformas sociais. Estas medidas fazem parte de um ato legislativo chamado EU Kids Act e estão detalhadas em um documento preliminar da Comissão Europeia.
O projeto, obtido pela agência Reuters, estabelece diferentes regras dependendo da idade. Por exemplo, crianças com menos de três anos terão o acesso totalmente bloqueado. Esta proibição será gradualmente suavizada até atingir o nível de 'plena maturidade digital'.
É notável que a idade mínima para que um adolescente gerencie seu perfil autonomamente diminuiu em comparação com versões anteriores. Anteriormente, o acesso total era concedido ao usuário a partir dos 18 anos, mas agora isso é possível a partir dos 15 anos. A proposta será apresentada oficialmente na quinta-feira (17/09) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo chefe do bloco tecnológico, Henna Virkkunen.
O documento prevê um modelo de acesso gradual com diferentes níveis de controle para crianças e adolescentes. Este plano abrangerá serviços principais gerenciados por grandes empresas de tecnologia, como a Alphabet, proprietária do YouTube; a ByteDance, responsável pelo TikTok; e a Meta, que possui Facebook e Instagram. Chatbots de inteligência artificial, como o ChatGPT da OpenAI, também serão afetados.
Esta iniciativa surge em meio a crescentes preocupações sobre o impacto dos serviços digitais em crianças e adolescentes. Governos em todo o mundo têm discutido políticas próprias sobre este assunto há muitos anos, incluindo Europa e Reino Unido, inspirados pela campanha do governo australiano contra grandes empresas de tecnologia, iniciada em 2024.
No entanto, mesmo na ausência de legislação direta de proibição para os jovens, algumas empresas já estão implementando ferramentas de controle para evitar sanções. Por exemplo, a Meta assinou no final de agosto um acordo nos Estados Unidos para introduzir restrições, como tempo de uso diário, controle de notificações e novos sistemas de supervisão parental.
Para não ficar para trás, a empresa também publicou uma carta aberta sugerindo que o TikTok adote medidas semelhantes. A rede chinesa também enfrenta processos judiciais na Europa e nos EUA devido ao design viciante de seus serviços.
Semelhante ao previsto no Brasil, o documento exige que as plataformas adicionem ferramentas de verificação de idade durante o registro e antes do download de jogos. Ele também prescreve mudanças no funcionamento das plataformas, incluindo a eliminação de mecanismos potencialmente perigosos ou viciantes.
Outra condição é o fornecimento de canais simples para que menores denunciem abusos e ferramentas de controle parental. O documento também prevê a introdução de uma taxa de supervisão cobrada de grandes empresas, cujos fundos serão destinados ao financiamento de operações de verificação e conformidade.
A proposta ainda pode sofrer alterações antes da apresentação oficial. Depois disso, para se tornar lei e entrar em vigor em 27 países da União Europeia, o texto deve ser debatido e aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos governos dos estados-membros.
