Uma verificação foi realizada na região de Tashkent, Uzbequistão, em um sistema automatizado que regulava a alimentação de carpas com base no nível de temperatura da água e na concentração de oxigênio durante ondas de calor extremas. Durante os testes em quatro tanques experimentais, os pesquisadores registraram maior peso dos peixes, melhor taxa de sobrevivência e redução na concentração de amônia ao usar uma abordagem de alimentação adaptativa. No entanto, os autores alertam que os resultados obtidos requerem repetição em um número maior de fazendas e em diferentes zonas climáticas.
O experimento, conduzido por cientistas uzbeques, sugere uma abordagem não trivial para alimentar peixes em condições de calor intenso: às vezes, deve-se alimentar menos ou suspender completamente a alimentação por um período específico.
Os resultados do estudo de campo sobre a alimentação adaptada climaticamente de carpas comuns foram apresentados na Segunda Conferência Regional sobre o conceito de 'Saúde Única' em Bishkek por Abdulla Kurbanov, do Instituto de Pesquisa de Aquicultura do Uzbequistão. Os testes ocorreram de junho a agosto de 2025 na área de Yangiyul, Região de Tashkent.
Os cientistas utilizaram quatro tanques terrestres, cada um com uma área de um hectare. Cada tanque foi povoado com 5000 peixes por hectare, com um peso médio inicial de cerca de 150 gramas. Dois tanques serviram como controle e dois como experimentais.
Como os sensores determinavam o regime de alimentação
Nos tanques de controle, as carpas eram alimentadas pelo método tradicional — manualmente três vezes ao dia, independentemente das condições da água ou da temperatura. Nos tanques experimentais, as decisões de alimentação eram tomadas com base nos dados dos sensores, que mediam a temperatura da água e o oxigênio dissolvido a cada meia hora.
Em condições favoráveis, quando a temperatura da água era de 22–28°C e o oxigênio dissolvido excedia 5 mg/L, os peixes recebiam a dose completa de ração. Quando a temperatura subia para 28–30°C e o nível de oxigênio dissolvido caía para 3,5–4,5 mg/L, a porção de ração era reduzida em 30%. Se o oxigênio dissolvido caísse abaixo de 3 mg/L ou a temperatura da água ultrapassasse 31°C, a alimentação era totalmente suspensa.
A lógica dessa abordagem é simples: água mais quente retém menos oxigênio dissolvido. Continuar a fornecer a mesma quantidade de ração pode levar ao aumento do material não consumido no tanque, o que eleva a carga orgânica e potencialmente piora a qualidade da água.
O teste coincidiu com um período de calor extremo
O verão se tornou um sério teste para este sistema em condições reais. Durante o experimento, as temperaturas máximas do ar atingiram 42–44°C, e as temperaturas máximas da água — 30,5–32°C. À medida que as condições se aproximavam dos limites críticos, o sistema automático diminuía ou parava completamente a alimentação. Nos tanques de controle, os peixes continuaram a receber ração em um cronograma fixo três vezes ao dia.
No final do experimento, as diferenças foram bastante significativas. O peso médio final das carpas nos tanques de controle foi de 630 gramas, enquanto com a alimentação adaptada climaticamente atingiu 975 gramas, um aumento de 54,8%. A diferença na taxa de sobrevivência também foi notável: nos tanques de controle, a taxa de sobrevivência foi de 76,5%, e nos experimentais, de 93,2%.
Simultaneamente, o coeficiente de conversão alimentar — indicador de quanta ração é necessária para o ganho de peso do peixe — melhorou de 2,25 para 1,48, representando um aumento de 34,2%. As diferenças entre os grupos observadas pelos pesquisadores foram estatisticamente significativas com p<0,05.
Menos ração — água mais limpa
As diferenças não se limitaram apenas aos peixes. A concentração média de amônia nos tanques experimentais foi de 0,6 ± 0,2 mg/L, em comparação com 1,8 ± 0,4 mg/L nos tanques de controle, o que representa uma redução de 66,7%. Os autores sugerem que isso pode ter ocorrido devido à menor acumulação de ração não consumida e sedimento orgânico. No entanto, eles enfatizam que esse mecanismo não foi medido diretamente no estudo, permanecendo apenas como uma hipótese levantada, e não como uma relação de causa e efeito comprovada.
Este experimento vai além do problema comum da aquicultura, pois sob a ótica do conceito de 'Saúde Única', um algoritmo de alimentação influencia simultaneamente três esferas: a saúde dos peixes, a qualidade do ecossistema aquático e a confiabilidade da produção de alimentos.
Por que quatro tanques ainda não são uma solução pronta para todo o país
Apesar dos impressionantes resultados, o estudo permanece pequeno. Foram incluídos apenas quatro tanques: dois de controle e dois experimentais. A unidade estatística foi o tanque individual, e não cada peixe. Consequentemente, as conclusões obtidas não podem ser automaticamente aplicadas a todas as fazendas de piscicultura do Uzbequistão ou da Ásia Central. Os próprios pesquisadores reconhecem essa limitação.
O próximo passo que eles propõem é o teste multi-local em diferentes zonas climáticas da Ásia Central, o uso de um maior número de tanques, a repetição dos testes em diferentes estações e a implementação de monitoramento padronizado da qualidade da água. Tal trabalho é necessário para confirmar a reprodutibilidade dos resultados antes que este método possa ser amplamente adotado.
No entanto, o experimento aponta para uma direção potencialmente importante para a adaptação às mudanças climáticas na aquicultura. Como as ondas de calor estão se tornando mais frequentes, a questão para as fazendas de piscicultura pode não ser simplesmente quanta ração dar aos peixes, mas se o sistema de gerenciamento pode reconhecer que alimentar pode, na verdade, prejudicar mais do que beneficiar. Em um clima mais quente, essa diferença pode significar mais peixes sobreviventes, menor pressão sobre a qualidade da água e uma produção de alimentos mais sustentável.
