No início da manhã de terça-feira, houve um pico de movimento na Rua Che Guevara em Durban, à medida que cidadãos estrangeiros embarcavam em ônibus para deixar a área em direção a Linden. Alguns refugiados que viviam perto do escritório de acolhimento de refugiados na Rua Che Guevara em Durban foram transferidos para Linden, enquanto outros foram realocados para Bulwer Park, o que gerou preocupação entre ativistas sobre suas condições de vida e segurança.
Os ônibus levaram os refugiados ao Centro de Repatriação de Linden em Gauteng na terça-feira, mas um número significativo de pessoas permaneceu no local. Parte dos que permaneceram foi transferida para Bulwer Park, levantando novamente questões sobre sua segurança e locais de alojamento.
Lubna Nadvi, ativista da campanha Siyafana Sonke Action Campaign, expressou preocupação com o bem-estar daqueles que permaneceram. Ela afirmou que é necessário exigir que a SAPS e os membros do cluster JCPS forneçam respostas sobre os planos de proteção dos refugiados contra qualquer ameaça imediata.
Nadvi confirmou que foram acordados arranjos para o transporte dos refugiados para Linden, com a ajuda de ônibus fornecida pela organização Gift of the Givers. Ela observou que ainda há um grande número de refugiados que não estão sendo direcionados para o centro de detenção de Linden, e circulam rumores sobre ações policiais iminentes visando despejar os refugiados restantes da área perto do Escritório de Acolhimento de Refugiados na Rua Che Guevara.
Segundo Nadvi, o governo ignorou repetidamente os apelos. Ela enfatizou que a prioridade atual é encontrar abrigo para cerca de 200 refugiados restantes, forçados a deixar a calçada da Rua Che Guevara.
Enquanto defensores dos direitos humanos focados nos direitos dos refugiados expressavam preocupação com o bem-estar daqueles sem moradia estável, moradores locais afirmaram que a situação na Rua Che Guevara se tornou extremamente difícil para a comunidade circundante.
Heather Russ, vice-presidente da Associação de Pagadores e Moradores de Glenwood e presidente do Fórum de Segurança e Regeneração Urbana de Bulwer, relatou que a presença de refugiados afetou negativamente os moradores, notando um aumento na criminalidade. Além disso, os moradores enfrentaram dificuldades de mobilidade na área, e problemas sérios incluíram saneamento, lixo e falta de comodidades básicas.
Russ indicou que as condições sanitárias eram críticas, pois essas pessoas não tinham instalações adequadas e precisavam usar a rua como banheiro e local para tomar banho. Ela acrescentou que os negócios vizinhos também foram prejudicados porque os clientes relutavam em frequentar a área, o que levou a uma diminuição significativa da receita dos negócios.
Um representante da associação de moradores informou que eles haviam interagido com as autoridades por muito tempo e acreditavam que os refugiados precisavam de um ambiente mais seguro e adequado. No entanto, Russ enfatizou que as autoridades devem colaborar mais estreitamente com as organizações que ajudam os refugiados, em vez de esperar pela escalada da situação. Ela esclareceu que a situação mudou para Bulwer Park depois que os refugiados deixaram a Rua Che Guevara. Russ mencionou que participou de uma reunião com a Polícia Metropolitana e agora está na rua com os refugiados, tentando encontrar uma solução.
Para moradores como Louisa Stehuwer, de 69 anos, a realocação trouxe algum alívio após meses de tumulto. Stehuwer relatou que os negócios foram muito afetados porque os refugiados dormiam perto de suas lojas, e as barracas encostadas nas paredes atrapalhavam os visitantes por medo. Ela observou que a comunidade enfrentava esse problema desde maio.
Stehuwer expressou esperança de que os refugiados recebam a ajuda necessária para se reintegrar às comunidades, embora Bulwer Park não seja melhor. Ela também observou que a presença de refugiados, combinada com protestos, barulho e operações policiais frequentes, dificultava a navegação na área. Apesar da recepção positiva da remoção dos refugiados da Rua Che Guevara, Stehuwer manteve preocupações com seu bem-estar, lamentando que eles sofressem vivendo na rua e esperando que agora estivessem em melhores condições e não estivessem nas ruas, especialmente em mau tempo.
O representante da Polícia Metropolitana, Coronel Boyce Zungu, declarou que as operações policiais conjuntas controlaram a situação. Ele confirmou que a polícia recebeu reclamações sobre o acampamento de refugiados em Bulwer Park.

