Casos de Ebola duplicam em duas semanas no Kivu do Norte, apesar de tendência de queda nacional
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Casos de Ebola duplicam em duas semanas no Kivu do Norte, apesar de tendência de queda nacional

O governo da República Democrática do Congo (RDCongo) havia anunciado no sábado que o pico da epidemia de Ebola havia sido alcançado em meados de agosto, indicando uma redução no número de casos em nível nacional para a doença, que já causou mais de 15.000 óbitos na África nos últimos cinquenta anos.

Contudo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) sinalizou que a situação epidemiológica permanece desigual. Em Genebra, Olivier le Polain, chefe da unidade de Epidemiologia e Análise para Intervenções da OMS, informou à imprensa que as tendências nacionais não espelham as ocorrências provinciais ou locais.

Le Polain destacou especificamente a região do Kivu do Norte, onde o número de mortes semanais quase dobrou nas últimas duas semanas, saltando de aproximadamente 100 novos casos por semana para mais de 200. Ele ressaltou que essa província concentrava cerca de 45% do total de casos notificados na semana anterior.

O especialista acrescentou que, de modo geral, a disseminação do vírus continua intensa e abrange uma vasta área geográfica. No entanto, ele também observou alguns sinais iniciais de diminuição da transmissão em certas áreas da província de Ituri, que é o epicentro da epidemia, onde a proporção de casos está diminuindo ao longo do tempo.

Adicionalmente, foi relatado que nenhum caso confirmado foi detectado no Kivu do Sul desde o final de maio. Houve registros recentes no Sul-Ubangi e três casos no Baixo-Uélé. A Tshopo aponta casos esporádicos, majoritariamente importados, enquanto o Alto-Uélé apresenta uma transmissão local mais consolidada, com cerca de 30 a 40 novos casos semanais.

Le Polain alertou que esses dados ainda não demonstram a melhora esperada, mencionando que o caso detectado recentemente no Sul-Ubangi evidencia o risco de expansão geográfica da epidemia, especialmente devido à alta mobilidade populacional.

A RDCongo comunicou sua 17ª epidemia de Ebola em meados de maio, embora com um atraso de várias semanas. O surto teve início na província de Ituri, localizada no nordeste, e atualmente afeta regiões remotas e instáveis do leste e norte da RDCongo, dificultando a contenção sanitária.

Nos últimos dias, a epidemia se expandiu para uma sétima província, o Sud-Ubangui, que compartilha fronteiras com a República Centro-Africana e o Congo-Brazzaville.

Segundo os dados divulgados no sábado pelas autoridades congolesas, foram registrados 7.022 casos, resultando em 3.398 mortes e 1.671 recuperações desde o começo da epidemia. Em um balanço anterior, as autoridades haviam contabilizado 3.310 mortes e 6.843 casos confirmados.

Patrick Muyaya, porta-voz do Governo congolês, afirmou nas redes sociais no sábado que o pico foi atingido no início da terceira semana de agosto, e que todos os indicadores sugerem uma queda nos casos. Ele também informou que dez das sessenta e uma zonas de saúde afetadas não registraram novos casos há pelo menos vinte e um dias.

As entidades responsáveis pela resposta à crise consideram que os recursos financeiros disponíveis são insuficientes para assegurar o monitoramento e o isolamento adequados dos pacientes na RDCongo. Atualmente, estão sendo testados diversos tratamentos e vacinas contra a cepa Bundibugyo do vírus, responsável pelo surto, para a qual ainda não há vacina ou tratamento aprovado.

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