Fundação Gates destinará US$ 1 bilhão para garantir a igualdade global em inteligência artificial
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Fundação Gates destinará US$ 1 bilhão para garantir a igualdade global em inteligência artificial

A Fundação Gates anunciou a alocação de pelo menos US$ 1 bilhão ao longo de dois anos com o objetivo de expandir o acesso às tecnologias de inteligência artificial (IA). Esses fundos serão destinados a apoiar comunidades que tradicionalmente ficam à margem da adoção de novas tecnologias.

Esta declaração veio após a publicação do décimo relatório anual da fundação, o Goalkeepers Report. Ele destaca que a IA pode ajudar a eliminar lacunas nas áreas de saúde, educação e fontes de renda, desde que governos, empresas de tecnologia e outras partes interessadas tomem as medidas necessárias.

O relatório, intitulado Make This Matter: AI, Equity, and the Choice We Can’t Delay (2026), observa que as oportunidades de influenciar quem se beneficiará da IA estão diminuindo à medida que esta tecnologia avança rapidamente.

O relatório destaca três áreas críticas que necessitam de atenção. A primeira é a barreira linguística. A Fundação aponta que mais de 90% dos dados usados para treinar os primeiros grandes modelos de linguagem vieram de fontes em inglês, o que resulta em uma sub-representação de muitas comunidades nos dados usados para desenvolver ferramentas de IA.

A Fundação pede que sejam criados sistemas de IA que funcionem nos idiomas falados pelas pessoas no dia a dia, em vez de concentrar a funcionalidade em um número limitado de idiomas dominantes.

A segunda prioridade está relacionada ao contexto. As ferramentas de IA devem se basear em dados e conhecimentos das comunidades onde serão aplicadas, e os próprios países e comunidades devem ter voz na governança e proteção de seus dados.

O terceiro aspecto é o acesso e as habilidades. Devem ser criadas oportunidades para médicos, agricultores, professores e desenvolvedores para que possam entender, avaliar e adaptar ferramentas de IA às suas necessidades. A acessibilidade da própria tecnologia também exigirá investimentos de filantropos e governos, juntamente com ações de empresas de tecnologia.

A Fundação Gates planeja distribuir os fundos alocados em quatro áreas principais. Educação receberá 40% do montante total, destinado a apoiar materiais didáticos baseados em IA, projetados para personalizar o aprendizado dos alunos e as ferramentas de ensino nos EUA e em outros países.

Mais 40% serão destinados à saúde. Esta parte do financiamento cobrirá diagnóstico, suporte à tomada de decisões clínicas para profissionais de linha de frente, ferramentas para cuidados maternos e neonatais, bem como a busca por novos medicamentos e vacinas.

A agricultura receberá 10% do financiamento. Esses fundos serão usados para desenvolver sistemas que fornecem conselhos gerados por IA a pequenos agricultores, levando em conta as especificidades de seu solo, clima e plantio.

Os 10% restantes serão direcionados à criação de infraestruturas digitais necessárias para o uso equitativo da IA, incluindo a coleta de conjuntos de dados em idiomas que as ferramentas atuais de IA não compreendem bem.

Bill Gates, presidente da Fundação Gates, observou que a IA pode reproduzir o problema existente em que as pessoas com maiores necessidades têm a menor influência na direção das inovações e investimentos. Gates escreve no relatório: «A IA apresenta o mesmo problema, apenas em um ritmo muito mais rápido».

Ele argumenta que, se o desenvolvimento for deixado exclusivamente às forças de mercado, as ferramentas mais avançadas podem ser criadas primeiro para usuários e instituições capazes de pagar mais, e não para aqueles que poderiam se beneficiar mais delas.

Assim, o financiamento da fundação apoiará parceiros que já trabalham para preencher as lacunas no acesso à IA e garantir que as ferramentas reflitam o conhecimento e as prioridades das comunidades que servem. Bill Gates conclui: «Podemos usar a IA para o bem. Mas isso não acontecerá sozinho».

A fundação também apela a governos, empresas de tecnologia e outras partes para contribuir com financiamento, experiência e influência para tornar a IA mais útil, acessível e econômica. A tese central do relatório é que o impacto da IA não é predeterminado; o grau de distribuição de seus benefícios dependerá das decisões tomadas atualmente.

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