O regulador de consumidores da Índia está examinando os termos da garantia de software da Apple em relação à atualização do iOS 18, que supostamente danificou a funcionalidade do iPhone, forçando os usuários a pagar valores 'excessivos' por reparos, de acordo com documentos.
Esta disputa é o último problema para a Apple em um mercado em crescimento, onde a empresa está expandindo ativamente a produção de iPhones e aumentando sua participação de mercado, ao mesmo tempo em que se defende de acusações de violação das leis antitruste do país.
A Apple contesta as acusações do regulador em particular. Em uma carta publicada pela Reuters em agosto, a empresa afirmou que a ausência de garantia de software está de acordo com os padrões globais da indústria e que o iOS 18 não apresentava problemas sistêmicos.
Caso seja considerada culpada, a Apple pode enfrentar multas, mas, mais importante, pode ser obrigada a reembolsar ou alterar suas práticas comerciais.
Ordem de 'investigação detalhada'
As empresas de smartphones frequentemente enfrentam reclamações após o lançamento de atualizações de software. Em 2018, a Itália impôs sanções à Apple por não alertar os consumidores sobre o possível impacto negativo da atualização do iOS 10 no desempenho de iPhones antigos e por não fornecer suporte a telefones fora do período de garantia.
No ano passado, o Centro de Proteção ao Consumidor da Índia (CCPA) notificou a Apple sobre o recebimento de um grande número de reclamações. Essas reclamações diziam respeito ao fato de que o lançamento do iOS 18 no final de 2024 causou falhas na tela e no microfone, entre outros problemas, forçando os clientes a pagar pelos reparos associados, já que não há garantia para o software.
Em 29 de julho deste ano, o regulador informou à Apple que havia 'escalado' esta questão para uma 'investigação detalhada' por sua unidade de investigação, conforme demonstrado em um documento. Isso aumenta as apostas para a empresa, pois sinaliza que Nova Delhi não está satisfeita com as respostas da Apple.
O regulador declarou em sua notificação à Apple, vista pela Reuters: 'O caso está relacionado a supostas violações dos direitos do consumidor'. A Apple enfatizou em sua declaração que não encontrou problemas ou preocupações com a segurança do iOS 18 na Índia e está disposta a cooperar com as autoridades para esclarecer a reação dos clientes a este software.
Kirti Mahapatra, advogada sediada em Nova Deli e especializada em direito do consumidor, observou que a legislação indiana permite que investigadores solicitem documentos e realizem audiências antes de elaborar um relatório final para o regulador. Ela acrescentou que, se os termos contratuais ou as disposições de garantia forem parte de uma prática supostamente desleal, o CCPA pode exigir que a empresa garanta o fornecimento de informações precisas aos clientes e solicitar alterações nesses termos, embora isso seja um passo sem precedentes.
O regulador indiano de proteção ao consumidor não respondeu aos pedidos.
Termos de garantia sob escrutínio
A Apple afirma que seu iOS 18 passou por testes rigorosos, e o caso do CCPA baseia-se apenas em 75 reclamações, acrescentando que, até junho de 2026, apenas cerca de 11% dos iPhones ainda usavam o iOS 18. No entanto, o CCPA acusa a Apple de violar os direitos dos 'consumidores em geral'.
De acordo com seus termos de licença de software, a Apple indica que 'não oferece nenhuma garantia', e os usuários devem arcar com o custo total do reparo se o software for defeituoso. A garantia global limitada cobre apenas o hardware.
Em resposta à investigação em agosto, a Apple informou que a cláusula de ausência de garantia não é incomum, pois os consumidores foram informados disso antes da instalação, e isso corresponde às práticas de muitos grandes fabricantes de eletrônicos, como Sony e Samsung. A empresa declarou: 'Exigir que qualquer problema seja considerado uma violação de garantia absoluta efetivamente transformaria qualquer fornecedor de software em um segurador contra todos os riscos tecnológicos.'
A Índia é um mercado chave para a Apple: segundo a Counterpoint Research, a participação do iPhone no país foi de 9% no ano passado, em comparação com 4% em 2022. A resposta da Apple veio após a notificação do regulador de 29 de julho sobre a necessidade de 'notificar oficialmente' a empresa sobre a escalada do caso.
A investigação abrange reclamações sobre o aparecimento de linhas verdes, rosas ou brancas nas telas dos usuários após as atualizações do iOS 18. Além disso, o regulador alega que os consumidores foram forçados a pagar 'valores excessivos' por reparos e substituição de telas, 'apesar de os problemas terem surgido devido à atualização de software da empresa'. Estima-se que o custo de manutenção de danos na tela do iPhone 15 é de 27.900 rúpias (US$ 291), o que excede mais de um terço do preço de varejo.
O CCPA declarou à Apple: 'Cobrar os consumidores por despesas decorrentes da própria empresa viola o princípio do comércio leal.'

