Japão avalia aumentar gastos de defesa para 3,5% do PIB sob pressão dos EUA
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Japão avalia aumentar gastos de defesa para 3,5% do PIB sob pressão dos EUA

O Japão está considerando elevar seus gastos com defesa para 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB), respondendo às pressões exercidas pela administração do Presidente norte-americano Donald Trump, assim como outros aliados dos Estados Unidos, para fortalecer suas capacidades defensivas e diminuir a dependência das forças armadas americanas.

Fontes não identificadas informaram à Bloomberg que autoridades japonesas já indicaram, em encontros com seus pares americanos, a disposição de aumentar substancialmente os dispêndios militares. Entre as opções analisadas, há a possibilidade de seguir o exemplo da Coreia do Sul, visando 3,5% do PIB em dez anos, embora um alvo menor, de 3%, também esteja sendo considerado.

Recentemente, Tóquio já havia acelerado seus gastos de defesa para quase 2% do PIB, antecipando dois anos em relação ao cronograma original, após décadas em que existia um limite informal de 1%. Uma nova estratégia de cinco anos deve ser apresentada até o final deste ano.

Essa notícia gerou uma reação imediata nos mercados financeiros. Os títulos do governo japonês continuaram em queda, fazendo com que o rendimento da obrigação de dez anos atingisse seu patamar mais alto desde 1996, enquanto o iene se desvalorizou para 154,91 por dólar.

Analistas alertam que atingir a meta de 3,5% exigiria dobrar o orçamento atual, totalizando 24 trilhões de ienes (equivalente a 150 bilhões de euros), o que poderia demandar uma forte emissão de dívida pública. Daisuke Aiba, da Iwai Cosmo Securities, citado pela Bloomberg, observou que «há preocupações fiscais, como mostra a reação do mercado obrigacionista».

Atualmente, o orçamento de defesa e despesas correlatas para o ano fiscal corrente é de 10,6 trilhões de ienes (58,5 bilhões de euros), o que corresponde a 1,9% do PIB nominal de 2022. Embora o pedido orçamentário para o próximo exercício seja de 8,9 trilhões de ienes (49 bilhões de euros), muitos itens ainda não possuem custos projetados, o que pode elevar o valor final.

Apesar dessas ressalvas, Takaichi tem defendido um fortalecimento «fundamental» das capacidades militares, paralelamente ao fomento de um plano ambicioso de crescimento econômico até 2040, que prevê investimentos públicos e privados no montante de 370 trilhões de ienes (2,1 bilhões de euros).

Segundo especialistas, mesmo que o Japão consiga alcançar os 3,5%, seus gastos permanecerão relativamente menores quando comparados aos países da OTAN, que, além do gasto mínimo em defesa, se comprometeram com mais 1,5% do PIB em áreas relacionadas, como a proteção de infraestruturas vitais.

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