A Feira Internacional Chinesa de Comércio de Serviços (CIFTIS) 2026 foi encerrada em Pequim no domingo, apresentando mais de 1200 realizações. Isso destacou a crescente importância dos serviços tecnológicos e intensivos em ciência no setor de comércio de serviços em rápido desenvolvimento da China.
Em cinco dias, o evento atraiu mais de 1830 empresas e instituições, bem como mais de 116.000 visitantes profissionais, um aumento de 3,7% em comparação com o ano anterior. Até o meio-dia de domingo, a principal área de exposição registrou quase 420.000 visitas, superando os números da edição anterior em 36,6%.
Além disso, cerca de 200 fóruns, sessões de busca de parceiros de negócios e eventos promocionais ocorreram na feira. Um total de mais de 1200 resultados foi alcançado em sete categorias, incluindo seis acordos de cooperação assinados entre a delegação norueguesa, convidada de honra deste ano, e empresas e instituições chinesas.
Além dos dados estatísticos, a feira mostrou uma mudança mais ampla no comércio de serviços da China: de serviços tradicionais e intensivos em mão de obra para soluções baseadas em tecnologia, e da simples exportação de produtos para a prestação de consultoria e serviços aos mercados estrangeiros.
De produtos a serviços
Um dos principais eventos do CIFTIS deste ano foi a abertura da área de exposição dedicada a exemplos de 'serviços chineses'. Lá, foi demonstrado como as empresas chinesas estão expandindo suas atividades além da exportação de bens, oferecendo serviços adaptados à demanda internacional.
Um exemplo foi uma plataforma de serviços estrangeira construída com base no sistema de navegação por satélite BeiDou da China. Esta plataforma marca a transição da exportação de equipamentos relacionados ao BeiDou para a prestação de serviços operacionais que ajudam os países a desenvolver sua infraestrutura digital.
Outro produto apresentado foi um robô de soldagem desenvolvido domesticamente, que pode ser usado em ambientes perigosos, como construção naval, engenharia marítima e energia nuclear. Em vez de apenas vender equipamentos, a empresa também fornece soluções personalizadas e serviços auxiliares com base nas necessidades de diversos mercados estrangeiros.
Além disso, entre mais de 140 casos inovadores apresentados na nova área, quase 40% estavam focados em inteligência artificial, grandes modelos de linguagem e agentes de IA. Os visitantes também foram apresentados a novos serviços, como assistência médica por IA, sistemas inteligentes de perguntas e respostas e serviços voltados para o apoio ao envelhecimento saudável, refletindo uma mudança na estrutura das exportações chinesas.
Anteriormente, o comércio de serviços da China estava intimamente ligado a setores como turismo, transporte e terceirização de processos de negócios — áreas que dependem fortemente de recursos e mão de obra. O CIFTIS 2026, por outro lado, enfatizou a crescente vantagem competitiva em serviços tecnologicamente avançados e intensivos em ciência, onde IA, tecnologias digitais e inovações baseadas em cenários estão ganhando cada vez mais importância.
Dados oficiais indicam que, no primeiro semestre de 2026, as exportações de produtos relacionados à IA da China ultrapassaram 480 bilhões de dólares, um aumento de 47,3% em comparação com o mesmo período do ano passado. As exportações de serviços intensivos em ciência excederam 800 bilhões de yuans (119 bilhões de dólares), representando 53,5% do volume total de exportação de serviços.
Henning Kristoffersen, consultor comercial na Embaixada da Noruega na China, observou que o rápido progresso tecnológico da China e seu ecossistema de inovação o impressionaram profundamente. Ele declarou: 'O que é impressionante na China é a incrível velocidade do desenvolvimento de alta tecnologia', acrescentando que as ofertas de serviços chineses também estão sendo aprimoradas nos setores de consumo, tecnologia e produção.
Apoio às empresas chinesas na entrada no mercado global
O CIFTIS deste ano também visou fortalecer os serviços que ajudam as empresas chinesas a se expandirem no exterior. Pela primeira vez, a feira criou uma área especial para turnês e eventos promocionais focados no apoio à entrada de empresas nos mercados internacionais.
Fornecedores profissionais de serviços em áreas como finanças, direito e contabilidade, bem como propriedade intelectual, publicidade e gestão de recursos humanos, realizaram mais de 40 sessões. O objetivo era agregar serviços que as empresas antes precisavam procurar separadamente, criando assim um sistema de suporte mais integrado para empresas que entram em mercados internacionais.
Nos últimos anos, as empresas chinesas têm aumentado sua presença nos mercados mundiais, tornando o apoio a serviços cada vez mais importante. Zhou Mi, pesquisador da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica, acredita que a China precisa desenvolver mais fornecedores de serviços globalmente competitivos, com profundo conhecimento dos mercados-alvo e das regras internacionais.
Em nível governamental, segundo Zhou Mi, a China deve reforçar a coerência entre as normas internas e internacionais, incluindo o quadro da Organização Mundial do Comércio para o comércio de serviços e acordos bilaterais de livre comércio. Ele observou que tais esforços podem ajudar as empresas chinesas a reduzir os custos de entrada em mercados estrangeiros e a se adaptar de forma mais eficaz a diferentes condições regulatórias.
Ele também enfatizou que o foco da China não é apenas na exportação, mas também em garantir a complementaridade entre importação e exportação. Segundo ele, a estrutura atual do comércio da China apoia seus objetivos de promover o desenvolvimento verde, de baixo carbono e inteligente em todo o mundo, e o crescimento econômico da China também criará mais oportunidades para o resto do mundo.

