Exposição 'Artista da Terra Sofrida' abre em Teerã em homenagem ao legado de Sliman Mansour
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Exposição 'Artista da Terra Sofrida' abre em Teerã em homenagem ao legado de Sliman Mansour

Uma exposição intitulada 'Artista da Terra Sofrida' foi inaugurada na Galeria Aali do Escritório de Arte em Teerã. A exposição apresenta obras do renomado artista palestino Sliman Mansour, cuja obra está intimamente ligada à história, autoconsciência e aspirações do povo palestino.

A exposição é dedicada à memória de Mansour, que faleceu em agosto aos 79 anos. Ela demonstra seu legado artístico através de obras que refletem seu profundo envolvimento com a cultura, a terra e as pessoas palestinas.

A cerimônia de abertura contou com a presença de Nasser Abu Sharif, representante do movimento Jihad Islâmico Palestino em Teerã; Mohammad Zarui Nasrabad, diretor do Instituto de Cultura e Arte Nam; Mohsen Momeni-Sharif, Kamyar Sadeghi, Hossein Ayini-Bakhsh, Saber Sheikh Rezaei e Hossein Esmati, que inspecionaram as obras expostas.

Nascido em 1947 em Birzeit, perto de Ramallah, Mansour tornou-se uma das figuras proeminentes da arte palestina moderna. A partir da década de 1970, ele desenvolveu sua linguagem visual única, baseada nas paisagens palestinas, na vida rural e nas tradições culturais, abordando temas de resistência, memória, deslocamento e apego à pátria.

No comunicado da exposição, Mansour é descrito como um narrador tanto dos sofrimentos quanto das esperanças da Palestina. Afirma-se que a pintura se tornou para ele uma forma de contar a história de sua terra e povo desde cedo. Suas obras não apenas retratavam adversidades e exílio, mas também enfatizavam a 'esperança, resiliência, crescimento e resistência'.

O comunicado também destaca a importância dos símbolos culturais palestinos nas pinturas de Mansour, incluindo keffiyehs, abayas, roupas bordadas, oliveiras, laranjas, paisagens rurais e as cores da bandeira palestina.

A prática artística de Mansour foi fortemente influenciada pelas condições de vida dos palestinos. Durante a Primeira Intifada, ele fez parte de artistas ligados ao grupo 'Nova Visão', que pedia aos mestres palestinos que rejeitassem materiais produzidos em Israel e usassem recursos locais e naturais. Como resultado, argila, palha, madeira, couro, henna e pigmentos naturais tornaram-se parte do léxico artístico de Mansour.

Durante a abertura da exposição, o pesquisador de arte e curador do evento, Mohammadreza Vahidzadeh, destacou a importância do uso de argila por Mansour. Ele relembrou que o artista aplicava argila em telas, observando-a rachar e se deteriorar com o tempo. Inicialmente, esse processo incomodava Mansour, mas mais tarde ele percebeu que essas rachaduras e deterioração poderiam refletir a experiência do povo palestino.

Vahidzadeh explicou que 'ele chegou a entender o quanto essa deterioração e rachaduras estão entrelaçadas com a natureza e o destino do povo palestino', acrescentando que esse processo poderia se tornar uma forma de representar sua condição. Ele também enfatizou a importância duradoura de Mansour na arte palestina contemporânea, observando que, apesar dos sanções, o uso de materiais de baixa qualidade, obras que nunca retornavam para casa e a vida agitada, suas pinturas mantiveram influência e ajudaram a moldar a identidade visual dos palestinos modernos.

Vahidzadeh afirmou: 'Se alguém quer se conectar à vida dos palestinos modernos, inevitavelmente deve se conectar às obras de Sliman Mansour'. Ele descreveu Mansour não apenas como um dos mais importantes artistas e figuras culturais da Palestina, mas também como uma figura significativa na arte moderna mundial.

Entre as obras mais conhecidas de Mansour está 'Jamal al-Mahamel' ('Camelo das Dificuldades'), pintada em 1973. Esta obra retrata um carregador palestino idoso, carregando uma carga pesada que contém uma imagem de Al-Quds e da Cúpula da Rocha, tornando-se um dos ícones mais reconhecíveis associados à cultura visual palestina.

No comunicado da exposição, este legado mais amplo é descrito como algo que o patrimônio visual de Mansour 'permanece vivo na memória cultural da Palestina' e na história da arte moderna da região e do mundo. A exposição 'Artista da Terra Sofrida' ocorrerá até 14 de outubro na Galeria do Escritório de Arte Aali. Está disponível para os visitantes de sábado a quarta-feira, das 9h às 18h. A galeria está localizada no Escritório de Arte na Rua Somayeh, perto da Rua Hafez.

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