Casa Enlevo: Residência com arquitetura minimalista no Paraná, Brasil
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Casa Enlevo: Residência com arquitetura minimalista no Paraná, Brasil

A Casa Enlevo, localizada no Paraná, Brasil, foi projetada para um casal de empresários que desejava uma residência que garantisse total privacidade em relação aos vizinhos, ao mesmo tempo em que oferecesse áreas amplas, funcionais e um design sem excessos.

O projeto combina grandes aberturas envidraçadas com o uso de concreto aparente, e a disposição dos ambientes foi pensada para promover uma circulação fluida dentro da casa.

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No terreno, havia uma edificação pré-existente no nível térreo, que foi parcialmente reutilizada. Essa estrutura original era uma construção ferroviária datada da década de 1940. A ideia central do projeto era criar uma moradia ecologicamente sustentável, otimizando o aproveitamento da construção já existente e integrando métodos de construção a seco para agilizar os cronogramas da obra.

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Os arquitetos explicam que essa expressão, embora parecesse simples, englobava todas as diretrizes do projeto. O aspecto brutalista estava inerente à estrutura original do prédio, enquanto o toque tropical era manifestado nas texturas, nas cores, na interação mais acolhedora com os materiais e na própria maneira de viver no espaço.

A estrutura original do apartamento foi mantida, destacando-se notavelmente a laje de concreto aparente, que foi preservada em todos os cômodos. Este elemento ressalta a essência construtiva do edifício e cria um contraste intencional com os materiais mais quentes adicionados durante a reforma.

Pedro Domingues e Pedro Faria, sócios da VAGA Arquitetura, mencionam que o projeto nasceu fortemente da relação entre o ato de retornar e a sensação de familiaridade. O desejo do cliente era ter um apartamento que estivesse sempre pronto para recebê-lo, funcionando quase como um refúgio temporal onde conforto, identidade e história pessoal fossem imediatamente perceptíveis.

Na área social, o piso de taco, desenhado pelo próprio escritório, é um dos pontos centrais da composição. Este piso é feito pela união de madeiras claras e escuras em um padrão geométrico, que se estende por todo o apartamento, conferindo unidade visual e profundidade ao layout.

A sala possui um grande painel de marcenaria em madeira natural que se estende do chão ao teto, servindo para separar de modo discreto as áreas social e privada. Este painel, com seu desenho vertical ritmado e estante integrada, atua simultaneamente como divisor camuflado, biblioteca e suporte para os pertences do morador, delimitando sutilmente os espaços sem prejudicar a fluidez geral. Assim, livros, discos e esculturas passam a fazer parte da composição de maneira natural, acentuando o caráter pessoal do local.

Entre os móveis que definem a linguagem do apartamento, destaca-se a poltrona Jangada, feita em jacarandá e couro cru, que foi trazida do imóvel anterior do cliente, juntamente com um sofá verde que organiza a sala e intensifica a presença dos tons terrosos e naturais presentes em toda a residência.

As pedras verdes escuras, utilizadas pelo escritório, representam outro detalhe crucial, pois percorrem diversos ambientes como um fio condutor material. Elas estão presentes na bancada da cozinha, na mesa de jantar e na escrivaninha, estabelecendo uma unidade visual sutil e precisa ao longo do apartamento. A bancada principal atravessa longitudinalmente a área social, concentrando múltiplas funções diárias: apoiar o preparo de alimentos, servir como local de refeições e funcionar como estação de trabalho voltada para a janela.

A cozinha, projetada para ser aberta, reforça a conexão entre convívio e rotina proposta pelo projeto. Integrada à sala, ela foi pensada como o coração da casa, permitindo que o morador cozinhe enquanto interage com amigos, conversa ou ouve música. A ausência de televisão na área social direciona o foco do apartamento para a permanência, a troca e a experiência sonora, fazendo com que livros, discos e o toca-discos ganhem destaque na construção de uma atmosfera mais íntima e pessoal.

Os banheiros são apresentados como pequenos espaços sensoriais. Eles são revestidos inteiramente com pastilhas em tom terracota e recebem iluminação indireta, criando um clima quente e quase teatral. Sobre a bancada de pedra verde, a cuba de cerâmica artesanal, também desenhada pelo escritório, reforça o caráter autoral do projeto, complementada por metais em tom cobre que harmonizam com a paleta terrosa dominante.

No quarto, a atmosfera adquire um tom mais acolhedor e reservado. Um tapete vermelho introduz um elemento de contraste que auxilia na definição da identidade do ambiente, enquanto as cortinas de linho amenuizam a entrada de luz natural.

Adicionalmente às soluções espaciais, a reforma integrou a trajetória do morador. Objetos, móveis e lembranças trazidos pelo cliente foram incorporados à nova arquitetura sem perder suas conexões originais; em vez de apagar o passado, o projeto constrói uma continuidade histórica.

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Os proprietários buscavam transformar o espaço em um local bem iluminado, arejado e adequado para receber familiares. O projeto, que levou aproximadamente um ano e meio para ser finalizado, teve como objetivo principal manter as características originais da edificação, ao mesmo tempo em que atualizava o layout para suprir as necessidades atuais.

Para atender aos pedidos dos moradores por melhor iluminação natural e ventilação cruzada, foram implementadas modificações estratégicas no interior. No pavimento térreo, a cozinha foi integrada à sala de jantar, e novas passagens foram criadas para ligar a sala de TV ao hall de entrada.

A área externa, que totaliza 80 m², passou por grandes mudanças: o revestimento do piso foi trocado por cerâmica rústica em tom terracota, as jardineiras foram redesenhadas, e o espaço foi complementado com uma piscina e uma área de churrasqueira.

Nos fundos do terreno, a edícula foi reorganizada para funcionar como escritório no andar superior, e foi destinado um espaço multifuncional para os netos no nível térreo.

A concepção visual do projeto harmonizou os acabamentos originais restaurados com novos materiais, utilizando uma paleta neutra composta por tons de bege e madeira. Os pisos originais de taco em peroba-do-campo e os degraus da escada foram recuperados, criando contraste com o piso de granilite rosado, feito especificamente para a cozinha, e os tijolos aparentes da sala de jantar.

As fachadas conservaram seu estilo da época, pintadas em creme, enquanto as janelas restauradas e as novas ferragens receberam um acabamento em azul-claro. Essa cor também foi repetida na cobertura metálica da área externa. A decoração foi minimalista, misturando peças clássicas do acervo dos clientes com itens de design brasileiros, incluindo móveis de Fernando Jaeger, Lider Interiores e do designer Cabiúna.

Apesar da modernização, a execução demandou grande precisão técnica da equipe. O maior obstáculo do projeto residiu em adaptar o projeto original da década de 1950 — uma construção típica daquele período, feita sem um planejamento arquitetônico detalhado — às novas exigências, tudo isso sem a necessidade de realizar reforços estruturais.

A solução encontrada foi focar em intervenções mínimas, evitando demolições extensivas e dando prioridade à criação de novas aberturas e ampliações em pontos específicos.

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