LG nega gravação contínua de conversas em Smart TVs, esclarecendo funcionamento dos microfones
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LG nega gravação contínua de conversas em Smart TVs, esclarecendo funcionamento dos microfones

Testes recentes levantaram questionamentos sobre a capacidade das Smart TVs da LG de monitorar e coletar dados de seus usuários, inclusive quando os aparelhos estavam em modo de espera (stand-by). Essa repercussão levou a empresa a emitir um comunicado oficial.

Neste comunicado, a LG enfatizou que suas Smart TVs "não gravam nem transmitem conversas de forma contínua". A companhia sul-coreana sugeriu que certas reportagens midiáticas podem ter gerado entendimentos incorretos sobre o funcionamento desses dispositivos.

Análise de especialistas sobre privacidade

O caso foi comentado por Leandro Alvarenga, consultor especializado em segurança e privacidade, que detalhou os pontos cruciais a serem compreendidos sobre o tema, incluindo como a legislação brasileira protege os consumidores em relação a eletrônicos com capacidade de escuta.

Uma investigação conduzida pelos canais Gamers Nexus e Level1Techs, juntamente com especialistas em segurança, levantou a hipótese de que as Smart TVs OLED da LG poderiam realizar duas ações: 1) buscar dispositivos na rede local, como relógios e celulares; e 2) registrar áudio mesmo em modo de espera, salvando os arquivos para posterior envio aos servidores assim que a conexão com a internet fosse restabelecida.

Em resposta, a fabricante declarou que o microfone só é ativado mediante o acionamento do botão de voz no controle remoto ou quando a palavra de comando é proferida. Além disso, a LG afirmou que a checagem dessa palavra de ativação ocorre internamente na própria TV. A empresa acrescentou que, se nenhum comando for identificado, o som é descartado sem ser convertido em texto, armazenado ou transmitido pela internet.

A companhia também especificou que cada sessão de comando possui um limite máximo de 18 segundos, um período similar ao do recurso Live Recap presente em modelos recentes do Apple Watch. Outro aspecto destacado é o Reconhecimento Automático de Conteúdo (ACR), usado para identificar o programa exibido na tela, função que, segundo a LG, vem desabilitada por padrão, e cujos dados de áudio nunca são repassados à divisão de publicidade.

Alvarenga pontuou a necessidade de diferenciar aspectos, alertando que o problema não reside apenas na capacidade de escutar, mas sim no momento em que a conversa é salva em uma nuvem e enviada externamente. Ele reforçou que, embora seja comum pedir a aparelhos inteligentes para executar tarefas (como ligar luzes ou tocar músicas), o aparelho precisa estar ouvindo para cumprir o comando, o que ele considera uma operação legal.

O especialista ressalta que o abuso ocorre somente se a televisão enviar esses dados para fora e eles forem analisados. A LG garante que não ocorre tal envio, processando o áudio localmente e não encaminhando conversas domésticas para a nuvem.

A importância do consentimento

Outro ponto fundamental abordado foi o consentimento. Alvarenga advertiu que aceitar termos de uso, muitas vezes sem leitura, implica concordar com diversas condições. Contudo, ele frisou que o simples ato de consentir não torna esse consentimento ilimitado, permitindo à empresa agir conforme sua vontade. O consentimento deve ser claro, informado e alinhado à finalidade estabelecida; caso contrário, ele pode ser anulado e considerado abusivo, sujeitando a empresa a penalidades.

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) oferece proteção, mas exige vigilância. Em situações envolvendo dispositivos que escutam, como Smart TVs e smartwatches, o especialista questionou quem concedeu o consentimento para a captação de áudio. Ele explicou que o consentimento não pode ser estendido a terceiros; se o aparelho estiver operando offline, apenas o usuário que consentiu acessa as informações, mas o compartilhamento com terceiros ou fabricantes muda o cenário.

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A LG refutou alegações de que suas smart TVs escutam conversas dos usuários mesmo quando estão em modo de espera. A empresa sul-coreana classificou essas denúncias como falsas, esclarecendo que os aparelhos só processam áudio quando o usuário ativa funcionalidades de voz.

Em um comunicado direcionado ao Tom’s Hardware, a LG detalhou duas circunstâncias em que os comandos de voz podem ser processados pelas TVs: quando o botão do microfone no controle remoto é mantido pressionado ou quando o dispositivo reconhece a frase específica “Olá, LG” (Hi LG) após o usuário habilitar os recursos de reconhecimento. A companhia ressaltou que, fora desses momentos, as TVs não registram nem gravam diálogos ambientais.

Contudo, a fabricante confirmou que os aparelhos monitoram o áudio para detectar a palavra de ativação. Durante o estado de espera (standby), a TV busca por essa palavra de ativação, mas o som empregado nesse processo é processado internamente pelo próprio aparelho. Se o comando não for identificado, ele é imediatamente descartado e não é enviado aos servidores.

Essa declaração da LG surge em resposta a uma investigação realizada pelos canais do YouTube Gamers Nexus e Level1Techs, com a colaboração de especialistas em segurança cibernética. O estudo, apresentado em um vídeo superior a duas horas, apontava possíveis problemas relacionados a dados nas TVs da LG.

Os pesquisadores relataram que os testes conduzidos nos aparelhos revelaram rotinas de telemetria ativas mesmo quando as TVs estavam desconectadas da internet ou em modo de espera. Entre os comportamentos observados, a equipe também encontrou falhas de execução remota de código (RCE), que poderiam possibilitar o acesso aos registros de áudio armazenados nos dispositivos. Os detalhes dessa vulnerabilidade foram encaminhados à LG.

A empresa não contestou integralmente os métodos de coleta apontados na investigação, como a capacidade de identificar outros equipamentos conectados à mesma rede. A LG justificou que essa funcionalidade é essencial para suportar recursos de conectividade, compartilhamento de conteúdo e integração com sistemas de casa inteligente, prática considerada comum em outros eletrônicos conectados.

Outro ponto levantado foi o ACR (Automatic Content Recognition), utilizado para fornecer sugestões personalizadas de conteúdo, publicidade e serviços. Neste aspecto, a LG assegura que este recurso só é ativado mediante consentimento explícito do usuário (opt-in). A companhia declarou que, se o usuário não concordar com o acordo opcional pertinente, os dados gerados pelo ACR não serão utilizados para fins publicitários.

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As Smart TVs da LG são capazes de continuar coletando dados sobre os usuários mesmo sem conexão com a internet ou durante o modo de espera. Isso foi revelado por testes realizados no canal Gamers Nexus em modelos OLED vendidos no varejo.

Level1Techs e pesquisadores independentes de segurança participaram da investigação. A análise do tráfego de rede mostrou que os dispositivos procuram ativamente por gadgets próximos, registram informações sobre redes Wi-Fi e têm a capacidade de salvar áudio para envio posterior.

Os testes identificaram a busca por dispositivos como smartphones e smartwatches na rede local. As televisões também coletavam dados de localização e informações sobre redes Wi-Fi vizinhas, transmitindo essas informações para o LG Ad Solutions.

O microfone chamou atenção especial, pois, de acordo com a investigação, pode gravar som enquanto a TV está em modo de espera. Mesmo que a internet não esteja disponível, os arquivos são salvos no próprio dispositivo e podem ser enviados assim que a conexão for restabelecida.

Funcionalidades adicionais e incidentes anteriores

Entre as funcionalidades identificadas estava o Reconhecimento Automático de Conteúdo (Automatic Content Recognition, ACR). Esta tecnologia utiliza amostras de áudio e vídeo para determinar o conteúdo exibido, incluindo aplicativos da própria TV e material reproduzido através de HDMI e outras portas de dispositivos conectados.

No entanto, o ACR não é uma tecnologia exclusiva da LG. Conforme observado no canal RTINGS, citado durante a investigação, quase todos os fabricantes de smart TVs usam essa função para identificar o que os usuários estão assistindo.

Em julho, o Gamers Nexus também estudou monitores LG. O canal indicou que alguns modelos instalavam automaticamente um aplicativo que coletava dados do dispositivo e exibia pop-ups de outros aplicativos da empresa e do antivírus McAfee. Este incidente levou à intervenção da Microsoft, após o que a LG decidiu desativar a publicidade. Este novo caso reforça o volume de dados que as smart TVs podem coletar, mesmo estando em modo de espera ou sem acesso à rede.

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