Telescópios James Webb e Hubble identificam 27 pequenos objetos transnetunianos além de Netuno
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Telescópios James Webb e Hubble identificam 27 pequenos objetos transnetunianos além de Netuno

Os telescópios espaciais James Webb e Hubble detectaram 27 pequenos corpos localizados além de Netuno, classificados como objetos transnetunianos (TNOs). Todos esses objetos possuem um diâmetro inferior a 40 quilômetros, sendo o menor deles medido em apenas 10 quilômetros.

Este achado surpreendeu os cientistas, pois mesmo os menores corpos demonstram manter traços de sua formação original, apesar das colisões que ocorreram ao longo do tempo, as quais deveriam ter modificado suas superfícies.

Os TNOs orbitam o Sol em uma região muito distante de Netuno. Alguns desses objetos se originaram nessa área durante os estágios iniciais do Sistema Solar, como pequenos fragmentos que não alcançaram o tamanho necessário para se tornarem planetas.

Modelos anteriores sugeriam que esses objetos teriam sofrido inúmeros impactos de outros corpos, o que deveria resultar na mistura do material superficial, alterando sua composição e tonalidade. Contudo, os telescópios revelaram que os TNOs menores conservam características que parecem preservar informações sobre sua origem.

É notável observar que os objetos menores estão, de certa forma, retendo a memória de seu processo de criação.

Detalhes sobre os grupos de objetos

Foram identificados dois grupos distintos entre os objetos observados. Os denominados dinamicamente frios seguem órbitas que são quase circulares e estão alinhadas com o plano do Sistema Solar, sendo considerados relativamente bem preservados desde o momento de sua formação.

Já os dinamicamente quentes apresentaram um trajeto diferente. Estes corpos se formaram entre Urano e Netuno, mas foram subsequentemente expelidos para regiões mais afastadas devido às interações gravitacionais que ocorreram durante o crescimento desses planetas. Suas órbitas tornaram-se mais alongadas e inclinadas.

Mesmo após percorrerem esse caminho, eles ainda exibem sinais de sua origem. David Trilling, da Northern Arizona University, afirmou que «Esses TNOs dinamicamente quentes mantêm uma assinatura de onde nasceram, mesmo tendo suas órbitas embaralhadas desde então».

Implicações da Descoberta

A descoberta sugere várias possibilidades importantes. O James Webb auxiliou na determinação do tamanho dos 27 objetos. No espectro visível, o brilho de um TNO é influenciado pela quantidade de luz que sua superfície reflete; portanto, um objeto menor, mas com alta refletividade, pode parecer tão fraco quanto um objeto maior e pouco reflexivo.

Entretanto, quando analisado no infravermelho, o brilho depende primariamente do tamanho do corpo. Essa característica possibilitou uma estimativa mais precisa dos diâmetros dos TNOs observados.

A análise também trouxe um resultado inesperado: há menos objetos muito pequenos do que previam os modelos de formação. Apesar de terem surgido em áreas distintas do Sistema Solar primitivo, as populações dinamicamente frias e quentes mostram uma distribuição de tamanhos similar.

Os TNOs detectados são extremamente tênues, apresentando um brilho entre magnitudes 24,1 e 29,3. A dificuldade de visualizá-los é comparável, segundo o estudo, à de distinguir uma nuvem de vaga-lumes na Lua vista da Terra.

Esta observação constitui o levantamento mais profundo já realizado sobre essa região pouco conhecida além de Netuno. Os resultados foram divulgados em dois artigos no The Astronomical Journal, datados de 8 de setembro: um focado na cor e composição, e outro dedicado à distribuição dos tamanhos dos TNOs.

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