Anamola denuncia assassinato de 57 membros desde a fundação do partido em Moçambique
Leia mais
Noticias ao Minuto
noticiasaominuto.com

Anamola denuncia assassinato de 57 membros desde a fundação do partido em Moçambique

O partido Anamola divulgou que registou 57 casos de membros e estruturas vítimas de violência letal desde a sua criação. O porta-voz do partido, Alberto Manhique, informou sobre este número durante uma conferência de imprensa realizada em Maputo.

O total de membros assassinados aumentou para 57 após a morte de Ilídio Facitela Gustavo no último sábado. Este caso soma-se a outros 436 incidentes classificados como «violência extrema» contra o partido. Anteriormente, Venâncio Mondlane havia apresentado uma queixa à Procuradoria-Geral da República (PGR) em maio, alegando perseguição política.

Ilídio Facitela Gustavo, que atuava como coordenador de Mobilização Política do Anamola no distrito de Morrumbene, na província de Inhambane, faleceu no sábado. O corpo foi localizado no distrito de Homoíne. O Anamola já solicitou uma investigação rápida e imparcial para responsabilizar os responsáveis por este crime.

Diante deste novo caso de «assassinato brutal», o partido requereu uma investigação sobre os incidentes denunciados. Foi destacado que Ilídio Facitela Gustavo era uma testemunha em processos em andamento relacionados com as manifestações pós-eleitorais contra Venâncio Mondlane, que será julgado pelo Tribunal Supremo moçambicano.

Alberto Manhique questionou o que acontece quando uma testemunha é silenciada ou eliminada, argumentando que a justiça perde uma voz, pois a testemunha teria muito a esclarecer em tribunal. Ele criticou o Estado, acusando-o de incapacidade de proteger vidas ou de impedir perseguições políticas. O Anamola enfatizou a necessidade de cumprimento rigoroso da lei e da proteção de todos os cidadãos moçambicanos, pedindo a intervenção direta do chefe de Estado para cessar essas mortes.

A plataforma Decide, uma ONG moçambicana, também classificou o assassinato de Ilídio Facitela como «grave», dado que ele estava prestes a testemunhar no processo contra Mondlane. A ONG registrou pelo menos 40 vítimas de «violência política e uso desproporcional da força» por parte da polícia entre maio e setembro. Em seu comunicado, a organização ressaltou que esses dados reforçam a urgência de uma resposta institucional que vá além da reação a casos isolados, buscando identificar padrões, responsabilizar os envolvidos e evitar a recorrência desses atos.

Venâncio Mondlane havia denunciado anteriormente o homicídio de outro membro do Anamola, afirmando que a vítima fazia parte da lista de testemunhas que ele pretendia apresentar no processo judicial que enfrenta no Tribunal Supremo. Na sexta-feira, o Tribunal Supremo comunicou a possibilidade de adiar o início do julgamento de Mondlane, originalmente agendado para 06 de outubro, devido a um pedido da defesa que alegou «incompatibilidade de agendas». O processo-crime foi iniciado pelo Ministério Público no contexto das manifestações pós-eleitorais, e Mondlane é acusado de apologia pública ao crime, incitamento à desobediência coletiva, instigação pública à prática de crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo, acusações que podem resultar em mais de 20 anos de prisão efetiva.

Popular