Projeto Casa Südeifel: Transformação de propriedade agrícola histórica em residência contemporânea na Alemanha
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Projeto Casa Südeifel: Transformação de propriedade agrícola histórica em residência contemporânea na Alemanha

A Casa Südeifel, projetada pela PUR+ Architekten, situa-se na estrutura histórica de uma vila na região de Eifel, no sul da Alemanha. Este projeto transformou uma propriedade agrícola tombada pelo patrimônio histórico do século XVIII em um refúgio e residência moderna, respeitando sua essência.

O imóvel segue a tipologia tradicional conhecida como Einhaus, que une um volume residencial datado de aproximadamente 1700 com um celeiro anexo, tudo sob uma única cobertura. O foco conceitual do projeto foi recuperar a clareza arquitetônica deste edifício histórico, ao mesmo tempo em que se desenvolvia um ambiente interno flexível e atualizado, integrado ao cenário rural circundante.

Um dos maiores desafios enfrentados foi reverter as extensas e descaracterizadas alterações feitas durante a década de 1970. Essas modificações incluíam revestimento de amianto, rodapés cerâmicos, janelas alteradas e divisões internas fragmentadas, que haviam obscurecido quase totalmente o caráter genuíno da propriedade.

O projeto demandou um processo minucioso de remoção, retirando sistematicamente essas camadas invasivas para revelar a alvenaria original de arenito e a estrutura de madeira histórica. Essa estrutura de carvalho escuro funciona hoje como o eixo espacial principal do interior, complementada por elementos precisos de madeira laminada cruzada (CLT) que organizam os espaços de pé-direito duplo sem prejudicar a sensação de amplitude.

A disposição interna foi personalizada para os clientes, um chef de cozinha e uma instrutora de dança, necessitando de áreas amplas e desobstruídas que promovessem facilidade de movimento e uma dinâmica de vida adaptável. Uma cozinha de nível profissional e a sala de jantar se conectam de maneira fluida ao jardim através de uma grande abertura envidraçada.

No exterior, os traços tradicionais foram reinterpretados de modo discreto, utilizando uma porta de estábulo dividida (Klöntür) e um portão de celeiro reformulado. O antigo celeiro foi convertido em um espaço de lazer multifuncional, equipado com piscina, bar e oficina, preservando a identidade funcional e aberta da construção original.

Ao estabelecer um diálogo constante entre o arenito aparente, a madeira acolhedora e as intervenções modernas sofisticadas, a Haus Südeifel exemplifica uma metodologia sustentável para a renovação do patrimônio construído. Em vez de manter a fazenda como uma peça estática de museu, o projeto evolui o tecido histórico com sensibilidade para assegurar sua pertinência às futuras gerações.

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Com o passar dos anos, muitas dessas casas sofreram diversas modificações, especialmente nas fachadas voltadas para as vias públicas, o que diminuiu a visibilidade da identidade arquitetônica original.

A intervenção proposta partiu justamente dessa análise. Enquanto a fachada frontal foi mantida e restaurada, valorizando sua contribuição para o perfil do aglomerado urbano, a fachada posterior recebeu uma linguagem marcadamente moderna.

No interior, optou-se pela demolição completa da estrutura pré-existente. O espaço habitacional foi concebido para atender às necessidades de uma família composta por cinco pessoas, exigindo otimização na disposição dos cômodos e na interação entre eles.

Paralelamente, o projeto buscou fomentar conexões e comunicação fluida entre os diversos ambientes e andares da residência. Essa ambição se manifesta em um vão vertical que percorre toda a casa, desde a área social até o telhado.

Este espaço, que segue a linha da escadaria e é banhado por luz zenital, tornou-se um componente crucial do projeto. A entrada de luz natural, que desce do topo até o térreo, acentua a continuidade espacial e transforma esse vão em um ponto de união para todos os pavimentos.

Adicionalmente, a área social foi planejada para ser adaptável aos variados momentos da rotina diária. Um plano contínuo feito de madeira integra armários, portas e painéis móveis, possibilitando aproximar ou isolar a cozinha da sala conforme a necessidade de uso. Grandes aberturas envidraçadas estendem o ambiente interno para o jardim, fortalecendo a ligação com o exterior.

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Este projeto foi concebido para ser uma casa familiar flexível, com potencial para se transformar em uma moradia multigeneracional, acomodando tanto uma família quanto um casal de aposentados. Um aspecto central do design é o uso da madeira como material construtivo sustentável.

O acesso à propriedade ocorre pela parte superior. De uma perspectiva aérea, a casa apresenta-se como um bloco discreto e silencioso, revestido em madeira escura, evitando qualquer projeção ou detalhe supérfluo. A entrada é marcada por uma passarela, conferindo à casa uma autonomia em relação ao terreno, parecendo um monólito sóbrio e quase fechado.

A articulação do projeto acontece no corte do terreno, que funciona como a matriz principal. A edificação não rejeita a topografia, mas sim se integra a ela, esculpindo patamares internamente e desdobrando-se no corte. Os diferentes níveis são sucessivos, e os espaços de convívio e acessos estão organizados em estratos, criando uma paisagem interna composta por patamares que oferecem distintas relações com o solo, a iluminação e a vista.

O projeto adota uma dimensão piranesiana, movendo-se por sequências em vez de meros cômodos. As alturas variam, transformando os patamares em mirantes internos, e o enquadramento visual se altera a cada mudança de nível. Embora as aberturas possuam formatos genéricos, cada uma é específica em sua função, servindo para enquadrar, direcionar e selecionar a visão. A disposição das fachadas é uma decorrência direta dessa complexidade interna, e não uma imposição externa.

O trajeto culmina em um pátio localizado no telhado, que funciona como um ponto de observação privilegiado, proporcionando tanto privacidade quanto vistas espetaculares voltadas para o sul e para o oeste. A escada transcende a função de simples circulação, sendo o elemento arquitetônico essencial que permite à residência evoluir, facilitando a transição de uma casa de um quarto para uma de dois, conforme as necessidades familiares mudam.

O espaço multifuncional no piso térreo, que possui acesso independente ao exterior, foi planejado para se tornar, quando necessário, a área social de um apartamento autônomo. A concepção geral da casa visa garantir sua durabilidade ao longo do tempo.

O projeto implementa integralmente sua lógica estrutural. Uma estrutura autoportante de madeira está firmemente assentada sobre uma base de concreto que se adapta à topografia, assegurando a estabilidade de todo o conjunto. A madeira não é apenas um revestimento; ela constitui o próprio sistema estrutural. As seções foram calculadas sem excessos, mantendo as juntas claramente visíveis, revelando a estrutura sempre que é possível, sem artificiosidade.

A base mineral tem a função de absorver a umidade do solo e armazenar inércia térmica. Em contraste, a estrutura superior, mais leve, prioriza a rapidez de construção e a reversibilidade. Internamente, o concreto aparente define o espaço, enquanto a madeira clara introduz calor e tato. Os pisos de concreto polido unem a qualidade mineral da base com a suavidade da madeira, estabelecendo uma coerência entre dois materiais e dois tempos distintos.

A casa foi desenhada com uma estrita economia de materiais, eliminando camadas desnecessárias: as superfícies são mantidas brutas ou semiacabadas, a madeira permanece exposta e o concreto é lixado. O exterior revestido e escurecido foi escolhido para desenvolver pátina com o passar do tempo, dispensando manutenção constante. A água pluvial é infiltrada diretamente no lote, retornando ao solo de origem.

Os ganhos solares passivos, aliados ao volume compacto e à massa térmica da base, minimizam drasticamente a demanda por aquecimento. Adicionalmente, a estrutura de madeira é amplamente desmontável, utiliza materiais não compostos e resulta em uma pegada de carbono reduzida, considerando desde o início as condições para sua própria evolução e reversibilidade.

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