Polícia Federal descobre fraude no Banco Master usando metadados de PDF
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Polícia Federal descobre fraude no Banco Master usando metadados de PDF

A Polícia Federal (PF) investigou uma operação fraudulenta que utilizava uma combinação de dados reais, recursos do Microsoft Word, programação e edição de arquivos PDF para criar documentos falsos que sustentavam cessões fictícias de crédito consignado. Este esquema envolvia a Tirreno Consultoria, o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

De acordo com a investigação, a Tirreno Consultoria foi utilizada para formalizar R$ 7,15 bilhões em cessões fraudulentas de crédito consignado junto ao Banco Master. Durante a tentativa de funcionários de remover datas e outras informações dos arquivos, a própria documentação digital forneceu indícios sobre a sequência cronológica dos eventos.

Um relatório técnico-pericial da PF revelou que dados de clientes de transações mais antigas eram retirados dos sistemas internos e organizados em planilhas, servindo de base para a produção massiva de documentos.

Uma das ferramentas empregadas foi a função de mala direta do Microsoft Word, que possibilitou a geração de 2.700 procurações em lote. No campo tecnológico, foram desenvolvidos programas em C# para extrair páginas específicas dos PDFs, incluindo aquelas contendo assinaturas. A PF localizou também um arquivo com 1.833 PDFs que continham apenas páginas de assinatura de Termos de Consentimento.

A discrepância entre a data impressa nos documentos e o registro da assinatura digital evidenciou parte da manipulação. Em um exemplo, uma Cédula de Crédito Bancário indicava 21 de janeiro de 2025, mas o registro criptográfico apontava uma assinatura ocorrida em 20 de junho de 2025, às 14h02min39s.

Os Termos de Consentimento também sofreram modificações. Em uma conversa datada de 20 de junho, Allan da Silva Machado, que na época era gerente de Operações I do Back Office/Conciliação do Banco Master, afirmou: «e precisamos excluir a data». Entre os materiais analisados pela PF, estava o Termo de Consentimento de Genilson Lima Leal, que originalmente registrava a data de 24 de fevereiro de 2023, às 13h05, antes de ser editado em 3 de julho de 2025. Nesta alteração, realizada às 15h26, a informação foi removida da visualização do documento.

Essa alteração se estendeu aos comprovantes de transferências via SPB e PIX. Allan Machado desejava eliminar o evento, o número do contrato e o histórico, que continha menções às operações originais.

A dificuldade de escalar a fraude

A questão de realizar essa fraude em grande escala representava outro desafio. Romy Goerck Gentina Klenquen, que fazia parte da área operacional do Banco Master, mencionou que conseguia modificar certos arquivos, mas não 2.700 comprovantes manualmente. Allan respondeu a isso dizendo: «tem q dar um jeito».

As inconsistências também geraram preocupação na auditoria da Deloitte. Em uma conversa, Alberto Felix de Oliveira Neto, que era superintendente executivo de Tesouraria do Banco Master na época, sugeriu que tais falhas fossem classificadas como «erro operacional na seleção».

Após serem criadas e modificadas, essas peças documentais eram compiladas utilizando o software PDF24. Os CCBs, procurações e Termos de Consentimento eram reunidos para formar os dossiês destinados a justificar a existência da carteira de créditos atribuída à Tirreno Consultoria. Foi justamente a união desses diferentes arquivos que permitiu reconstruir parte da linha do tempo; mesmo quando as datas eram apagadas visualmente, os registros digitais e as assinaturas demonstravam que documentos apresentados como antigos haviam sido assinados em momentos posteriores.

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