As ações relacionadas à inteligência artificial sofreram uma queda na segunda-feira, após executivos de companhias desenvolvedoras de modelos avançados advogarem por uma moderação no ritmo de desenvolvimento dessa tecnologia. O receio central reside no fato de que o avanço acelerado possa elevar os riscos de uso inadequado da IA.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, levantou esse alerta em um artigo divulgado no sábado. Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da xAI, manifestaram concordância com essa apreensão. Essa reação afetou tanto as empresas de IA quanto os fabricantes de semicondutores.
Os índices do Nasdaq registraram uma retração de 1,3% durante as sessões asiáticas. No Japão, a SoftBank, que investe na OpenAI, chegou a descer 13,2%. Fabricantes de chips e outras empresas da cadeia de semicondutores também apresentaram perdas; na China, a CXMT caiu até 3,6%, e a Semiconductor Manufacturing International Corporation perdeu 2,6%. Em Hong Kong, Zhongji Innolight recuou 6,7%, e a Minimax despencou até 7,8%, enquanto as ações da Z.ai caíram 10,5% após uma oferta de ações com desconto.
No seu ensaio, Amodei solicitou que as corporações diminuíssem a velocidade com que estão expandindo as capacidades de seus modelos. Ele alertou que, no período de seis a doze meses, agentes de IA poderiam assumir toda a internet, o que acarretaria potenciais prejuízos na casa dos centenas de bilhões de dólares.
A Anthropic havia publicado na quinta-feira um relatório de inteligência detalhando ameaças envolvendo seus modelos Claude. Este documento descrevia aplicações relacionadas ao desenvolvimento de armamentos, atividades cibernéticas, monitoramento e fraudes.
O pesquisador Jacob Coxon deixou a Anthropic expressando que os profissionais envolvidos na criação de sistemas de IA consideram seriamente que a tecnologia pode culminar na extinção humana até o final desta década. Em uma entrevista, Altman qualificou os riscos de extinção humana ligados à IA como inaceitáveis.
Contudo, esses avisos não persuadiram todos os investidores. Michael Burry, conhecido por suas apostas contrárias ao mercado imobiliário americano antes da crise financeira de 2008, rotulou as declarações como «hype e exagero», sugerindo que elas serviam de fachada para uma desaceleração real e incontrolável do crescimento.
Por sua vez, Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos do Saxo Bank em Singapura, opinou que os alertas ainda podem impactar as ações de IA e chips no curto prazo. Ela argumentou que os valores desses ativos pressupõem um avanço tecnológico constante e uma demanda robusta, o que faria com que possíveis atrasos levassem os investidores a realizar lucros.
Para Sebastien Mallet, gestor de portfólio da T. Rowe Price, a questão primordial é saber quem conseguirá obter retorno sobre todo o capital alocado para a expansão da infraestrutura de IA.
Nesse ínterim, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comparou os críticos da IA a «forças muito negativas» e declarou sua intenção de assegurar a liderança americana neste setor. Os Estados Unidos e a China também deverão debater a segurança da IA durante negociações bilaterais agendadas para este mês. Na China, o Global Times criticou o ensaio da Anthropic, classificando-o como um «manual da Guerra Fria» voltado para restringir o progresso tecnológico do país.
A movimentação dos mercados demonstra que os alertas sobre a segurança da IA começaram a influenciar as expectativas dos investidores. O mercado passa a avaliar não somente o potencial de evolução da tecnologia, mas também os riscos inerentes e o retorno dos vastos investimentos realizados para seu desenvolvimento.

