Recentemente, em uma mina abandonada no sudoeste da China, foram descobertas informações valiosas sobre o estilo de vida dos Denisovanos, parentes extintos do Homo sapiens. Um grande lote de fósseis encontrados indica que esses hominídeos eram caçadores habilidosos há mais de 130 mil anos, apesar de suas ferramentas serem bastante primitivas.
Estas descobertas, publicadas em dois artigos da revista Nature, incluem artefatos de pedra e ossos criados por eles. Este é um dos avanços mais significativos no estudo desta espécie misteriosa.
Os Denisovanos eram hominídeos que, assim como os Neandertais, coexistiram e se reproduziram com os humanos. A prova disso é a presença de DNA de origem denisovana no material genético humano; essa herança é mais proeminente entre os habitantes do Leste e Sudeste Asiático, bem como entre os aborígenes da Austrália e os povos indígenas da Papua Nova Guiné.
No entanto, ao contrário dos Neandertais, pouco se sabe sobre os Denisovanos. A espécie foi identificada apenas em 2010 com base em DNA encontrado em vários fragmentos de osso na Caverna Denisova, na Sibéria (Rússia) — daí o nome. Por anos, esses fósseis foram os únicos representantes conhecidos deste grupo.
A partir de 2019, começaram a ser encontrados novos testemunhos da espécie, especialmente na Ásia. Ossos encontrados décadas antes foram identificados como pertencentes aos Denisovanos graças à análise de proteínas, incluindo fragmentos de mandíbulas encontrados no Tibete e no Estreito de Taiwan. Em 2025, o rosto deste nosso parente foi finalmente revelado após a identificação do primeiro crânio da espécie na China.
Agora, a nova descoberta na caverna também na China traz um progresso valioso: sete novos fósseis de Denisovanos, incluindo o primeiro fragmento de mão de um indivíduo. Além disso, o local estava repleto de ferramentas feitas por esses hominídeos e restos de animais caçados por eles.
Estes itens foram encontrados em 2019 durante trabalhos de restauração ecológica na Caverna Bianfu, localizada em uma mina abandonada na província de Yunnan, China. Desde então, arqueólogos têm estudado o local, descobrindo inúmeras ferramentas e fragmentos de ossos.
À primeira vista, as descobertas lembravam partes de hominídeos, mas não se sabia a qual espécie pertenciam. A busca por DNA não deu resultados, pois a molécula é frágil e se decompõe com o tempo. A análise de proteínas dos fósseis mostrou que sete deles pertenciam a indivíduos Denisovanos: quatro dentes, dois fragmentos de crânio e um pedaço de rádio, osso de antebraço. Este é, aliás, o primeiro sinal de mão desta espécie.
As ferramentas encontradas no local eram feitas de ossos semelhantes aos produzidos pelos seus primos neandertais ou de pedras lascadas. Eram simples e primitivas, criadas com apenas alguns golpes, em vez de serem moldadas e aperfeiçoadas pela remoção de pequenos lascas. Ou seja, provavelmente destinavam-se a uso imediato, e não eram resultado de um longo processo de criação de um objeto permanente.
Apesar disso, os Denisovanos provavelmente eram caçadores habilidosos, pois a caverna estava cheia de ossos de mamíferos de médio e grande porte, incluindo cervos e búfalos asiáticos — animais difíceis de capturar e que exigem estratégias complexas e, possivelmente, trabalho em equipe. Os restos indicam que os hominídeos sabiam extrair medula óssea rica em calorias e gorduras dos ossos de suas vítimas.
O mais interessante é que os fósseis foram encontrados em diferentes estratos arqueológicos, o que indica que viveram em tempos diferentes. Os cientistas sugerem que os Denisovanos identificados habitaram a caverna entre 167 mil e 134 mil anos atrás. Quanto às ferramentas, foram encontradas em camadas datadas de 190 mil a 70 mil anos atrás, o que sugere uma possível ocupação do local por até 120 mil anos. No entanto, não se pode saber se todos foram feitos por Denisovanos.

